sábado, 2 de outubro de 2010

Com 200 mil habitantes,urbanizadas, Heliópolis e Paraisópolis , as maiores favelas-bairro de SP, fazem campanhas frenética,a maioria para o PT

Com cerca de 200 mil habitantes e várias obras de urbanização , Heliópolis e Paraisópolis , as maiores favelas-bairro de SP, fazem campanhas frenéticas,a maioria para o PT

fsp
A campanha pegou fogo em Heliópolis e Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. E, aconteça ou não segundo turno nas eleições, ambos continuarão despertando interesse elevado dos políticos.
Bairros ainda com alto índice de favelização ou favelas em vias de virar bairro, foram disputados pelos dois principais candidatos à Presidência justamente por experimentarem processos intensos de urbanização.
Dilma Rousseff e José Serra bateram boca e reivindicaram para si no horário eleitoral a paternidade das obras de infraestrutura nas duas comunidades, ou seja, ela para o governo federal e ele, para o estadual -o mesmo que fez o também tucano Geraldo Alckmin, candidato ao governo paulista.
O que move a disputa é o voto de uma população estimada em cerca de 200 mil habitantes, pelo menos metade deles eleitores. O material de campanha inunda as ruas, repletas de cabos eleitorais.
Oficialmente, pelos dados da Secretaria Municipal de Educação, Heliópolis tem 70 mil habitantes, e Paraisópolis, 60 mil. Mas entidades dos bairros estimam que o primeiro já ultrapassou 100 mil pessoas, e o segundo está próximo disso. O último Censo disponível é defasado, de 2000: contou 46 mil naquele e e 24,5 mil neste.
Entre as obras mais vistosas, em Paraisópolis foi inaugurado em agosto um conjunto habitacional e há projetos de arquitetos estrangeiros para construção de novos equipamentos culturais e sociais. Em Heliópolis já funciona um exemplar centro de convivência com escolas, creches e centro cultural, foram canalizados córregos e está sendo erguido um conjunto habitacional projetado por Ruy Ohtake.
Alheios ao fato de que nos dois lugares as obras em questão têm verbas federais, estaduais e municipais, Dilma, Serra -e também o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM)- foram a público brandir cifras dos milhões que cada um investiu.
Se a queda de braço pela paternidade das obras nas duas maiores favelas-bairro da cidade foi acirrada, nas ruas é evidente uma presença maior de candidatos e cabos eleitorais do PT.

ENGAJAMENTO
Uma das explicações é o envolvimento de líderes comunitários na campanha de Dilma e de Aloizio Mercadante. Nos dois bairros, as principais associações de moradores afirmam não apoiar ninguém institucionalmente.
Mas os diretores de ambas estão diretamente envolvidos nas campanhas de candidatos da aliança petista.
Em Heliópolis, isso é reforçado pela ligação histórica da Unas (União de Núcleos Associação e Sociedades dos Moradores) com o PT.
A presidente, Antônia Cleide Alves, é filiada ao partido. "Essa equipe [da Unas] vem desde os anos 80, e eles [PT] e a Igreja sempre nos apoiaram na luta", relata.
"Não somos reféns de nenhum partido, mas como cidadãos temos posições. Quando grileiros ameaçavam os moradores nos anos 70, Lula já vinha aqui como sindicalista", completa o diretor da Unas Nazareno Antônio da Silva, o Buiú, que fazia na quarta-feira campanha para os petistas Ricardo Berzoini (deputado federal) e Carlos Grana (estadual).
Lula já morou na região. Dilma foi à Unas e gravou um programa de TV no bairro.
"É duro trabalhar aqui, porque só tem Dilma e PT. Aguento cara feia o tempo todo, mas preciso ganhar meu dinheirinho", disse Cláudio Carlos de Freitas, 19, um raro cabo eleitoral tucano encontrado pela reportagem nas ruas de Heliópolis.
Ele contou receber R$ 600 mensais pelo serviço.
Diretor da escola municipal Campos Salles, o petista Braz Rodrigues Nogueira diz que Heliópolis já foi um reduto mais fechado do partido. Como exemplo, cobre de elogios o secretário municipal de Educação, o tucano Alexandre Schneider, e diz que o centro de convivência do qual a escola faz parte é emblemático da união das três esferas de poder.
Em Paraisópolis, o presidente da União de Moradores, Gilson Rodrigues, faz campanha para Lindolfo dos Santos, sindicalista egresso do MR8 (ala do PMDB) que concorre a deputado federal pelo PDT. Rodrigues conta que todos os candidatos foram convidados a visitar a entidade, mas só Dilma o fez.

PRIMEIRA LAVADORA
A declaração de voto em Dilma predomina entre os moradores das duas favelas.
Passava pouco do meio-dia da última terça quando um caminhão das Casas Bahia descarregou uma lavadora de roupas e um armário de cozinha no bloco C do novo conjunto de Paraisópolis.
A compra fora feita pela auxiliar de serviços gerais Selma Aureliano da Silva, 37. É sua primeira máquina de lavar. "Lula foi um bom presidente, melhorou salário e moradia. Dilma vai continuar." Alagoana, Selma simboliza outra razão para a aparente "onda vermelha" no lugar: a maioria dos moradores é de origem nordestina, como em Heliópolis.

FAVELA OU BAIRRO?
Mas, afinal, para os seus moradores, Heliópolis e Paraisópolis são favelas ou bairros?
"Não podemos ter preconceito de dizer que moramos em favela. Aqui tem gente que ainda diz que mora em Sacomã, com vergonha de dizer Heliópolis", conta o líder comunitário Buiú.
A ironia maior é que a página da Unas -a entidade da qual ele faz parte- na internet informa que sua sede fica em... Sacomã.
Buiú disse que falaria com a turma para reparar o lapso

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