terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dilma e Serra tentam atrair Marina e reveem estratégia

Cristiano Romero, Raymundo Costa, César Felício, Daniela Chiaretti e Fernando Taquari
VALOR
No primeiro dia após a eleição, PT e PSDB saíram em busca do apoio da senadora Marina Silva (PV), cujo desempenho surpreendeu e praticamente decretou a necessidade do segundo turno. A candidata petista Dilma Rousseff telefonou para Marina, sua desafeta à época em que as duas integravam o governo Lula. Não pediu apoio, foi mais um gesto de aproximação. Pelo lado tucano, as conversas com a candidata verde estão sendo feitas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O PSDB espera que o PV declare apoio a Serra.

Marina é cautelosa: “Vamos fazer uma discussão em que sejam ouvidos o Movimento Marina Silva, os intelectuais. Faremos uma plenária para avaliar a nossa posição”, disse. “O voto não é de Marina, nem de José Serra, nem de Dilma. O voto, fora da visão patrimonialista das coisas, é do eleitor”.

O discurso de Marina indica que não é só a direção do PV quem vai decidir para qual candidato devem migrar seus votos. De maneira cifrada, sinalizou o que hoje é óbvio: a trajetória do PV se divide entre antes e depois de Marina Silva. Os quase 20 milhões de votos que recebeu demonstram a força surpreendente de sua candidatura, mas não tiveram o mesmo eco no desempenho do partido. O PV ganhou apenas mais duas cadeiras na Câmara.

A partir de hoje, os tucanos esperam contar com o empenho de Aécio Neves na campanha presidencial. Serra perdeu para Dilma em Minas, por uma diferença de 1,7 milhão de votos. A cúpula do partido avalia que a ajuda de Aécio e do governador Anastasia será fundamental para reverter essa desvantagem, assim como a campanha a ser deflagrada em São Paulo pode ampliar a margem do tucano, de pouco mais de 800 mil votos, num Estado onde esperavam estabelecer vantagem superior a 4 milhões de votos. Aécio defende que Fernando Henrique abra o horário eleitoral do segundo turno.

Surpreendida com a decisão do eleitorado que levou a disputa para o segundo turno, a candidata petista deve reforçar as comparações entre os governo dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. “Serra vai ter que assumir o governo de FHC”, disse um aliado de Dilma. Se depender de boa parte da cúpula tucana, o desafio será aceito: os 11,1 milhões de votos conquistados pelo senador eleito por São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, cuja campanha teve participação do ex-presidente, levaram os tucanos a acreditar que a estratégia deve ser repetida na campanha presidencial

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