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Melhor para o Brasil, melhor para nós, o Brasil ganha Maria Rita Kehl. A história registra.
Confirmado: Conselho Editorial do Estadão manda demitir Maria Rita Kehl por artigo elogioso ao governo Lula...e, inacreditáve...o próprio estadão por ter assumido a candidatura de Serra...
Esse artigo? Bem esclarecedor para quem quer entender, lógico.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101002/not_imp618576,0.php
- O Estado de S.Paulo
Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.
opiniões
UÉ, não é o estadão que só fica escrevendo que está sob censura?
Quando é um dos seus jornalistas, que escreve uma matéria a favor de Lula, ele demite?
Adivinha quem mandou demitir?
zé baixaria, o dono da mídia?
Quem é contra, tá fora!
Esqueçam este negócio de jornalismo!
Cadê a ANJ?
Li o artigo da Maria Rita. Lúcido e muito bem escrito. Linguagem de alto nível, mas com o dedo na ferida. A demissão da redatora só depõe contra os seus patrões, sejam eles a familia Mesquita ou a Opus Dei. Seja bem vinda, Maria Rita, ao time dos que não se vendem. Para os demais leitores: vocês entenderam, agora, a diferença entre "liberdade de imprensa" e "liberdade de empresa"? Exemplo melhor, garanto, não há.
Rafael Moreira Depois de um artigo preciso logo antes das eleições do primeiro turno, a psicanalista brilhante Maria Rita Kehl é demitida pelo Estadão. Precisa dizer algo mais sobre nossa grande imprensa e sua intolerância maciça com o que dizem ser "liberdade de imprensa"? Liberdade, na cartilha deles, é o que encontra colo nos seus interesses e mais nada. Fora disso, é o discurso do outro que precisa ser diluído, difamado, exterminado, alterado ou visto como um "atentado à liberdade de imprensa".
Será que depois desse tiro no pé do Estadão, será que não conseguirão enxergar um palmo à frente as pessoas que dizem a imprensa ser imparcial e cobrir os fatos após amplas investigações?
Como psicólogo, aplaudo a atitude tomada por Maria Rita Kehl. E se o clube "Estadão" não a quer como sócia, tanto melhor. A psicanalista continuará conhecidíssima no seu meio e respeitadíssima (e, talvez, depois desse fato ainda mais e mais em outros tantos círculos).
Rafael Moreira Fabro
Paulo Camargo
Até quando vamos tolerar passivamente essa grande imprensa como veículos democráticos sem que apontemos com mais ênfase o que são na verdade? Não atuam no campo democrático e pregam a intolerância de maneira fácil e irresponsável. Há algumas semanas atrás um direitista travestido de pensador de esquerda - Carlos Guilherme Motta - fez muito bem o jogo dessa direita intolerante ao criticar o Lula somando-se àqueles que não querem a participação do povo nas decisões do país. Esse é o protótipo do intelectual que o Estadão absorve.
Maria Rita Kehl é uma grande pensadora, aguerrida e atrevida no seu pensar, com um grande percurso que traz muitos esclarecimentos no campo da subjetividade. Acompanho suas publicações, como é o caso do "tempo e o Cão" sempre com grande entusiasmo. Quem puder ler seus artigos e ensaios vão encontrar um pensamento esclarecedor sobre o nosso cotidiano e principalmente sobre o "futuro" de nossa juventude sob a ótica do neoliberalismo, cujo jornal acima o apóia totalmente.
A ela toda nossa solidariedade como uma grande lutadora.
Cadê SIP?
Cadê OS REPORTERES SEM FRONTEIRAS?
Cadê os defensores da liberdade de expressão? E da verdadeira liberdade de imprensa e não só da empresa?
Foi um belo artigo, lúcido e corajoso sobre a questão de fundo da disputa eleitoral.
Maria Rita também tem biografia, e o caso mostra o drama dos jornalistas acorrentados ao patrão como escravos. Se é que o patrão é apenas a famíla Mesquita.
A imprensa corrupta que precisa ser neutralizada vive acusando o Lula de censura. Ou seja, o PiG vive acusando o Lula de praticar os crimes que ela mesma pratica.
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