Em uma semana, a candidata petista oscilou dois pontos porcentuais para cima, enquanto o candidato tucano caiu três pontos, aumentando vantagem de seis para 11 pontos neste segundo turno; sondagem foi feita após o segundo debate entre os presidenciáveis
Daniel Bramatti – O Estado de S.Paulo
Em uma semana, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, ampliou de seis para onze pontos porcentuais sua vantagem em relação ao tucano José Serra, segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo. A petista tem 51% das intenções de voto, contra 40% do adversário.
Em relação à sondagem anterior, divulgada no último dia 13, Dilma oscilou dois pontos para cima, enquanto Serra caiu três. A pesquisa atual, com entrevistas entre os dias 18 e 20, capta apenas parcialmente os efeitos das entrevistas dos dois presidenciáveis no Jornal Nacional, da TV Globo, mas foi feita integralmente após o debate do último domingo, exibido pela Rede TV.
Levando-se em conta apenas os votos válidos (excluídos nulos, brancos e eleitores indecisos), a candidata do PT lidera com 12 pontos de vantagem (56% a 44%), seis a mais do que na semana passada (53% a 47%). No primeiro turno, ela teve 46,9% dos votos válidos, contra 32,6% do adversário.
Mulheres. O avanço de Dilma pode ser explicado pelo comportamento do eleitorado feminino. Nesse segmento, ela abriu sete pontos de vantagem (48% a 41% dos votos totais), saindo da situação de empate (em 46%) registrada na pesquisa anterior. Entre os homens, a vantagem da petista passou de 12 para 14 pontos (53% a 39%).
Na disputa pelo voto dos religiosos, a candidata governista vem levando a melhor na segunda rodada da eleição, depois de ter perdido simpatizantes na reta final do primeiro turno (leia texto nesta página).
Houve acirramento na diferenciação dos votos entre os mais pobres e mais ricos. Dilma subiu entre os que têm renda familiar de até cinco salários mínimos, e Serra avançou entre os que ganham acima dessa faixa.
Os que estão na base da pirâmide de renda, com ganhos inferiores a um salário mínimo, agora preferem a petista na proporção de dois para um (61% a 31%, contra 57% a 36% na pesquisa anterior).
No topo, entre os que ganham mais de dez salários, o tucano mais que dobrou sua vantagem, de 15 (54% para 39%) para 31 pontos (63% a 32%).
Regiões. A divisão geográfica do eleitorado mostra que Dilma melhorou sua situação em todas as regiões, com exceção do Norte/Centro-Oeste, onde caiu de 51% para 46% e empatou com Serra (47%). No Nordeste, a petista ampliou sua liderança de 21 para 33 pontos (64% a 31%).
No Sudeste, onde havia um empate técnico, Dilma assumiu a ponta, com 45% a 41%. E no Sul, onde Serra vencia por 13 pontos (54% a 41%), ele agora tem 46%, contra 47% da adversária.
A segmentação dos eleitores por escolaridade mostra que Serra só lidera entre os que tem curso superior (47% a 43%).
Na pesquisa espontânea, na qual os entrevistados manifestam sua opção antes de ler a lista de candidatos, Dilma lidera por 47% a 38%. Nessa modalidade, há 8% de indecisos.
Para 80% dos eleitores, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é ótimo ou bom. Outros 3% veem a gestão como ruim ou péssima.
Petista cresce entre cristãos e mais pobres
Ao desembarcarem do voto no tucano, eles contaram dobrado na diferença entre os candidatos
- O Estado de S.Paulo
O aumento da vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre José Serra (PSDB) se deve principalmente à recuperação, pela petista, de eleitores cristãos e mais pobres. Ao desembarcarem do tucano, eles contaram dobrado na diferença entre os candidatos.
Na metade do eleitorado que ganha até dois salários mínimos, Dilma cresceu três pontos porcentuais na última semana. Serra perdeu mais do que isso, o que fez aumentar o contingente de indecisos nessa faixa de renda.
Ao mesmo tempo, Dilma cresceu três pontos entre católicos e evangélicos. O tucano perdeu sete pontos nesses últimos, e metade disso entre os primeiros. Novamente, aumentaram os indecisos em ambas as categorias.
O que a conjugação dessas duas variáveis mostra é que o peso da questão econômica voltou a preponderar para o eleitorado cristão mais pobre. São os eleitores que, na reta final do primeiro turno, haviam abandonado a candidatura de Dilma por causa da polêmica sobre o aborto.
O fato de parte deles ter voltado para o barco de Dilma é sinal de que o desconforto moral com a petista diminuiu e/ou que Serra não se mostrou uma alternativa melhor nesse aspecto.
Se ambos os candidatos a presidente se equivalem na questão religiosa, volta a pesar a questão econômica. E aí a continuidade representada pela petista leva vantagem sobre a experiência administrativa do tucano.
Desde a semana passada, Serra perdeu a liderança entre os evangélicos. Ele tem agora 45%, contra 44% da rival. O placar era 52% a 41% para o tucano. Os evangélicos são 1/5 do eleitorado.
Nos católicos, Dilma ampliou a vantagem. Ela tinha 52% a 41%, e agora lidera por 55% a 38%. Os católicos são 60% dos eleitores.
Os outros 20% do eleitorado são formados por agnósticos, ateus e seguidores de outras religiões. Nesse segmento, Dilma perdeu quatro pontos e agora está tecnicamente empatada com Serra, que não cresceu entre eles: 43% a 41%. Aumentaram para 11% os eleitores desse grupo que pretendem anular ou votar em branco. São os desiludidos com a conversão da petista por conta das pressões religiosas
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