domingo, 3 de outubro de 2010

Dilmistas podem ocupar 2/3 do Senado, deixando oposição sem número até para CPIs


Ação de Lula deve tirar da Casa parlamentares com histórico contrário ao governo, como Artur Virgílio e Marco Maciel


Daniel Bramatti,
O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO – Se as pesquisas de intenção de voto se confirmarem, PMDB e PT sairão da eleição de hoje com as maiores bancadas no Senado. Os dois partidos darão as principais contribuições para que um eventual governo Dilma Rousseff tenha maioria qualificada na Casa.

Pesquisas em 26 Estados e no Distrito Federal indicam que há 12 peemedebistas entre os favoritos na disputa por duas vagas em cada unidade da Federação. Outros três integrantes do PMDB estão em terceiro lugar, não muito longe dos líderes. Os eleitos vão se juntar a outros três peemedebistas com mandato até 2014 no Senado: José Sarney (AP), Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS).

Entre os petistas, dez encontram-se na primeira ou na segunda posição. Outros cinco estão em terceiro lugar, mas com desvantagem de menos de cinco pontos porcentuais em relação ao segundo.

Em Estados como Pernambuco, Rio, Acre, Mato Grosso do Sul e Piauí, há candidatos do PT isolados em primeiro lugar nas pesquisas dos institutos Ibope e Datafolha. Em São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná, há petistas em empate técnico na primeira colocação.

No PT, os atuais senadores com mandato até 2014 são Eduardo Suplicy (SP) e Tião Viana – favorito para vencer no primeiro turno a eleição para o governo do Acre, que deve ser substituído por um suplente do partido.

Outro petista deve ser empossado no Senado, caso se confirme a vitória do senador Renato Casagrande (PSB) na disputa pelo Espírito Santo. A suplente é Ana Rita Esgário (PT).

Com outros prováveis eleitos do PDT, do PC do B e do PSB, entre outros, Dilma terá, caso vença a eleição presidencial, uma base com mais de 3/5 dos integrantes do Senado.

Com essa representação, que caracteriza a chamada maioria qualificada, seria possível promover mudanças na Constituição. Pesquisas recentes ainda mostram candidatos “dilmistas” em condições de conquistar de 38 a 46 das 54 vagas em disputa no Senado. Já a oposição elegeria de 8 a 16 representantes.

Há outros 27 senadores, eleitos em 2006, que têm mais quatro anos de mandato – 14 de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e 13 aliados do presidente. Com a soma dos prováveis eleitos em 2010, uma eventual base de Dilma no Senado teria de 51 a 59 integrantes.

O quorum mínimo necessário para aprovar mudanças constitucionais é de 49 senadores. A oposição a um eventual governo Dilma corre o risco de nem sequer conquistar 27 cadeiras – o mínimo necessário para conseguir aprovar a criação, por exemplo, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

A atuação do presidente Lula como cabo eleitoral tem atrapalhado os planos de reeleição de notórios líderes oposicionistas. Heráclito Fortes (DEM-PI), Artur Virgílio (PSDB-AM), Antero Paes de Barros (PSDB-MT), Efraim Moraes (DEM-PB) e Marco Maciel (DEM-PE) são exemplos de parlamentares com histórico de embates com o governo Lula que correm risco de não se reeleger, apesar de terem largado bem nas primeiras pesquisas após o início da campanha.

Ataque direto. Todos foram ultrapassados por candidatos que acabaram promovidos por Lula em gravações no horário eleitoral de rádio e televisão. No caso de Marco Maciel, a queda começou após um ataque direto do presidente Lula, durante um comício realizado no Recife, no fim de agosto. Sem citar nomes, Lula disse, no palanque, que há candidato que parece estar no Senado “desde o tempo do Império”. “Já foi presidente da Câmara, ministro e até vice-presidente da República. O que ele trouxe para Pernambuco?”

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