Cruzamento mostra que desempenho de Dilma cresce nos municípios onde o programa tem mais beneficiários
Entre as 794 cidades em que os benefícios são distribuídos a mais de 50% da população, Dilma só perdeu em 12
ÉRICA FRAGA
DE SÃO PAULO
Os fatores que influenciam o voto de um eleitor são inúmeros e difíceis de mensurar.
Pistas fornecidas pela análise estatística indicam, no entanto, que o Bolsa Família continua tendo peso preponderante na decisão do eleitorado brasileiro.
A Folha correlacionou o voto em Dilma Rousseff e José Serra com três variáveis: percentual da população atendida pelo Bolsa Família, índice de desenvolvimento humano (IDH) e renda per capita. A análise foi feita para os 5.565 municípios do país.
Os resultados mostram que quanto maior o alcance do Bolsa Família -principal programa de transferência de renda do governo- em uma cidade, maior o percentual de votos conquistados pela presidente eleita.
O oposto valeu para o candidato derrotado.
A correlação entre duas variáveis pode variar entre -100% e +100%.
Valores positivos altos indicam que as variáveis analisadas se movem em maior intensidade na mesma direção.
Exatamente o caso da combinação de Bolsa Família, que beneficia hoje 12,4 milhões de famílias, e a votação na petista. A correlação entre os dois fatores foi próxima a 70%, nível considerado significativo.
Outra análise numérica mais simples confirma a força do Bolsa Família como "cabo eleitoral" petista.
Entre os 794 municípios brasileiros onde o programa de transferência de renda atinge mais de 50% da população, Dilma só perdeu para Serra em 12.
Ao contrário de Dilma, o desempenho do tucano caminhou em direção oposta ao peso do Bolsa Família.
IDH E VOTAÇÃO
A existência de correlação não é prova definitiva de causalidade entre os fatores analisados. Mas fornece indicações que, no caso de uma eleição, podem ajudar a entender o que influencia o comportamento do eleitor e a preferência por um candidato de acordo com o perfil socioeconômico de quem vota.
Houve, por exemplo, correlação relativamente forte entre o nível de desenvolvimento humano de um município e a votação.
O Índice de Desenvolvimento Municipal da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), cuja última edição é de 2007, agrega indicadores de saúde, educação, renda e emprego.
A correlação entre o voto de Dilma e esse indicador é de -60%. Ou seja, quanto mais desenvolvido o município, menor foi a votação na petista. O oposto novamente se aplica à votação de Serra.
Se usada apenas a renda per capita municipal (último dado disponível também de 2007), não existe uma correlação forte com o resultado da eleição.
Ainda assim, a relação entre as duas variáveis confirma a tendência de melhor desempenho da petista em municípios onde o poder aquisitivo é mais baixo.
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