20 de novembro de 2010 às 17:59h
Simone Cunha e Vitor Sorano
Cúpula que termina hoje teve parcerias como tema central. Por Simone Cunha e Vitor Sorano. Foto: Dominique Faget/AFP
Cúpula que termina hoje teve parcerias como tema central
Na cúpula em que ampliar parcerias é lema, a secretária-geral-adjunta da diplomacia pública da Otan, Stefanie Babst, elogia a chance de acordos com o Brasil, desde que o país tome a iniciativa. “Se o Brasil expressar ou desenvolver um interesse em se tornar mais próximo da Otan, seria muito, muito interessante para nós”, diz à CartaCapital.
Portugal, sede da cúpula e membro-fundador da aliança, promove a aproximação. Embora não tenha conseguido incluir o Atlântico Sul na nova estratégia da Otan – aprovada ontem – deve continuar levar atenção para a região.
“A facilidade de comunicação histórica, geográfica e contemporânea que temos com o Sul, seja norte da África, África Subsaariana, América Latina pode constituir um valor que Portugal pode acrescentar à Otan” disse o ministro da Defesa Augusto Silva Santos, questionado sobre o tema.
Depois de ter ouvido críticas de Nelson Jobim à estratégia, Silva Santos ressaltou o carácter cooperativo da sugestão. “Olhar para os problemas da segurança global também com o sul, não se trata de olhar para o sul”, disse, tomando emprestado a troca do “para” pelo “com” que Jobim havia usado ao atacar a ideia.
“Se a pergunta é vão continuar a lutar pelo Brasil, a resposta é sim”, disse o primeiro-ministro português, José Sócrates, quando perguntado se Portugal, membro-fundador da aliança, advogaria em favor de uma parceria Brasil-Otan.
Para Carlos Gaspar, presidente do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI), é questão de tempo para a que os dois lados “sintam a necessidade de institucionalizar um diálogo”. Para o responsável pela cadeira Mercosul da Sciences Po de Paris, Alfredo Valladão, “a Otan está precisando de aliados, então o Brasil vai ter que, a um momento qualquer, ver de que maneira jogar de forma boa.”
A nova estratégia da Otan expressa preocupação com segurança energética e linhas de abastecimento. Segundo Babst, isso refere-se a outras regiões do mundo, como o Leste Europeu, e não ao Atlântico Sul – perímetro que vem ganhando importância como reserva petrolífera e caminho comecial marítimo.
“Sempre uma discussão sobre linhas de abastecimento, capacidades, infra-estrutura no Leste, a região do Mar Negro, do Cáucaso.”
Rússia, afeganistão e escudo anti-mísseis – No segundo dia do encontro, Rússia e Otan selaram cooperação depois de um esfriamento das relações causado pela Guerra na Geórgia, em 2008. Também foi acordada a construção de um escudo antimíssil transatlântico.
Um calendário de saída do Afeganistão, de 2011 a 2014, foi definido. Entretanto, um acordo selado com o governo do país permitirá a permanência de efetivos de treinamento da aliança no território para além desse limite.
Simone Cunha e Vitor Sorano
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