"Você Vai Conhecer o Homem do Seus Sonhos" é nova tentativa de montar o quebra-cabeças da existência
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TRATA-SE DE ENCONTRAR O HOMOGÊNEO E O HETEROGÊNEO: AS PESSOAS MAIS DISPARATADAS QUE ENTRAM EM CENA FAZEM PARTE DE UM MESMO MUNDO
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INÁCIO ARAUJO
CRÍTICO DA FOLHA
No Woody Allen mais recente não importa nada se as coisas dão certo ou dão errado. A possibilidade de um ou outro acontecer é que interessa ao nova-iorquino.
Em "Tudo Pode Dar Certo", seu filme imediatamente anterior, tudo dava certo para todo mundo. Mas o diretor não queria dizer que o mundo é um lugar cor-de-rosa. Talvez fosse possível, nas entrelinhas, ler que tudo podia, também, dar muito errado.
"Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos" segue o mesmo princípio: acompanha uma série de vidas próximas umas das outras, as aproximações e distanciamentos, a maneira como se arma o quebra-cabeça que constitui as existências.
Ali está Helena, abandonada pelo marido, que desesperada apoia-se na falsa vidente Cristal (personagem bem hitchcockiano). Mas há também Alfie, o marido, que se apaixona por uma garota de programa tipo "atriz e modelo". E Sally, a filha do casal, que tenta se afirmar no ramo das galerias de arte (e do amor, claro). E ainda seu simpático patrão, Greg, talvez apaixonado.
Como é de seu gosto, para Woody trata-se de encontrar o homogêneo no heterogêneo: as pessoas mais disparatadas que entram em cena fazem, no entanto, parte de um mesmo mundo. O autor talvez se desse melhor se situasse personagens tão nova-iorquinos em Nova York.
Londres quebra o galho (e sempre que vai para lá o cineasta desenvolve temas hitchcockianos). A desvantagem é que os personagens se tornam menos concretos. Como se conhecer intimamente a cidade fosse parte importante do trabalho.
ACASOS
A vantagem, no caso, é que, como "Você Vai Conhecer..." é basicamente uma variante de "Tudo Pode Dar Certo", um filme-espelho, digamos, a mudança de ares acaba ajudando o funcionamento da máquina de acasos que tanto o fascina.
Assim, o fracassado escritor Roy, autor de uma infâmia sem nome, acaba tendo um caminho similar ao do professor de tênis em "Match Point": o de jogar uma grande cartada que vai determinar o rumo de sua vida.
Pode-se sempre acusar Allen de estar fazendo, outra vez, o mesmo filme, com as mesmas ideias. Mas em geral é assim com os bons diretores de cinema. E Woody, mesmo quando faz um filme menor, possui imaginação e humor mais que suficientes para entreter o espectador.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
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