PAULO R. GONDIM
ESPECIAL PARA A FOLHA
A televisão digital vem sendo implantada em nosso país a partir de um projeto que envolveu muitas instituições (universidades, centros de pesquisa e empresas).
Construído com base em uma visão sistêmica, o Sistema Brasileiro de Televisão Digital representa um marco significativo no sentido da redução da dependência externa em setor de ampla penetração social.
O que temos hoje em termos de televisão digital aberta em nosso país é resultado da conjunção de esforços de órgãos do governo federal, de pesquisadores e do empresariado nacional.
O saldo é positivo. Primeiramente, muitos pesquisadores, atendendo a editais públicos, continuaram a dar as suas contribuições nas respectivas áreas de competência, mas de forma integrada.
Em segundo lugar, algumas empresas nasceram e outras se expandiram, passando a tratar de concepção, projeto e produção de itens dotados de agregado tecnológico aderente ao estado-da-arte, cuja importação passou a ser desnecessária.
Assim, ganhou-se competitividade, com ganhos não só em nossa balança comercial, mas também em decorrência de novos empregos.
As progressivas adesões de países da América do Sul ao sistema nipo-brasileiro estão contribuindo para fortalecer o parque industrial desses países, colocando o Brasil em posição de clara liderança no continente e levando à abertura de um mercado bem mais amplo, em áreas que incluem a produção de software e de equipamentos.
Há, todavia, uma página que ainda não foi virada completamente: a da interatividade. Ela demanda e favorece o desenvolvimento de aplicações e serviços em áreas como educação, saúde, comércio eletrônico e acesso a serviços bancários.
Ela é imprescindível para fazer com que o sistema alcance de forma mais efetiva um de seus objetivos principais: a redução da dívida digital, com reflexos no sentido da inclusão social.
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PAULO R. GONDIM é professor da Universidade de Brasília.
Interatividade pode se tornar obrigatória
DE BRASÍLIA
Passados três anos da primeira transmissão em sinal digital no país, o Brasil ainda não conta com novidades significativas, como a interatividade.
Para tentar modificar o cenário, o governo pretende tornar obrigatória, até o primeiro semestre de 2011, a adoção do aplicativo Ginga (responsável pela interação com o conteúdo digital) nas TVs acima de 26 polegadas.
Uma vez tomada a decisão, as empresas que não fabricarem os televisores com o aplicativo não terão incentivos fiscais previstos pelo Processo Produtivo Básico.
Quem já adquiriu uma TV com o conversor integrado, mas sem o Ginga, deve entrar em contato com o fabricante para saber se uma atualização é possível.
Também há a opção de comprar um conversor que já venha com Ginga para ter acesso a conteúdos de interatividade.
Atualmente, as emissoras contam com interação em alguns programas.
Segundo o Fórum Brasileiro de TV Digital, a TV Globo oferece interatividade em duas de suas principais novelas, "Ti-ti-ti" e "Passione".
A Record também tem o recurso na novela "Ribeirão do Tempo" e no programa "A Fazenda".
A TV Bandeirantes oferece o recurso na tabela do Campeonato Brasileiro. A EBC (Empresa Brasil de Comunicação) também começou a apostar na novidade, com serviços da Caixa e do INSS.
"Esse mercado está só começando e tem muito potencial", afirma Salustiano Fagundes, do Fórum Brasileiro de TV Digital.
As propagandas brasileiras ainda não contam com o recurso da interatividade.
De acordo com Fagundes, ainda está sendo discutido como será o modelo.
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