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A nova auctoritas e sua verdade: o não pertencimento, por Fábio de Oliveira Ribeiro
O poder hierarquiza a
sociedade. A autoridade possibilita uma governança fundamentada na profunda
sensação de pertencimento.
Por Fábio de Oliveira Ribeiro
-10/06/2020
A nova auctoritas e sua
verdade: o não pertencimento, por Fábio de Oliveira Ribeiro
No texto anterior desta série
comentamos as primeiras características que Shoshana Zuboff atribui ao
instrumentarianismo https://jornalggn.com.br/artigos/o-instrumentarianismo-como-poder-e-como-auctoritas/.
No capítulo 13 da obra a autora continua explorando essa forma de poder que,
segundo ela, não tem precedentes. É nesse capítulo que ela introduz o conceito
de Grande Outro, que segundo ela é o fantoche sensato, computacional e
conectado que processa, monitora, calcula e modifica o comportamento humano.
“Instrumentarianism power cultivates an unusual ‘way of knowing’ that
combinates the ‘formal indiference’ of neoliberal worldview with the observational
perspective of radical behaviorism. Thanks to Big Other’s capabilities,
instrumentarian power reduces human experience to measurable obsesrvable
behavior while remaining steadfastly indifferent to the meaning of that
experience. I call this new way of knowing radical indiference. It is a form of
observation without witness that yields the observe of an intimate violent
political religion and bears an uttlerly different signature of havoc: the
remote and abstracted contempt of impenetraby complex systems and the interests
that author them, carrying individual on a fast-moving currente to the
fufillment of other’s ends. What passes for social relations and economic
exchange now occur across the medium of this robotized veil of abstraction.
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Instrumentarianism’s radical indifference is operationalized in Big
Other’s dehumanized methods of evaluation that produce equivalent without
equality. These methods reduce individuais to the lowest commom denominator of
sameness – an organism among organisms – despite all the vital ways in which we
are not the same.” (The Age of Surveillance Capitalism, Shoshana Zuboff,
PublicAffairs, New York, 2019, p. 376/377)
Tradução:
“O poder do
instrumentarianismo cultiva uma ‘maneira de saber’ incomum que combina a
‘indiferença formal’ da visão de mundo neoliberal com a perspectiva
observacional do behaviorismo radical. Graças às capacidades do Grande Outro, o
poder instrumentarianista reduz a experiência humana a um comportamento
mensurável e obsessivo, permanecendo firmemente indiferente ao significado
dessa experiência. Eu chamo essa nova maneira de conhecer a indiferença
radical. É uma forma de observação sem testemunha que produz a observação de
uma religião política violenta íntima e tem uma assinatura extremamente
diferente de destruição: o desprezo remoto e abstrato dos sistemas
impenetráveis complexos e os interesses que os criam, levando o indivíduo em
uma corrente veloz para a realização dos fins de outros. O que passa por
relações sociais e trocas econômicas agora ocorre no meio desse véu robotizado
de abstração.
A indiferença radical do
instrumentarianismo é operacionalizada nos métodos desumanizados de avaliação
do Grande Outro, que produzem equivalentes sem igualdade. Esses métodos reduzem
os indivíduos ao menor denominador comum de semelhança – um organismo entre
organismos – apesar de todas as maneiras vitais pelas quais não somos os
mesmos.”
Um pouco adiante Zuboff
esclarece que:
“Thanks to Big Other’s capabilities, instrumentarian power aims for a
condition of certainty without terror in a form of ‘guaranteed outcomes’.
Because it does no claim our bodies for some grotesque regime of pain and
murder, we are prone to undervalue its effects and lower our guard. Instead of
death, torture, reeducation, or conversion, instrumentarianism effectively
exiles us from our own behavior. It serves our insides from our outsides, our
subjectivity and interiority from our observable actions. It lends credibility
to the behavioral economist’s hypotesis of the frailty of human reason by
making it só, as otherized behavior takes on a life of its own that delivers
futures to surveillance capitalism’s aims and interests.” (The Age of
Surveillance Capitalism, Shoshana Zuboff, PublicAffairs, New York, 2019, p.
378)
Tradução:
“Graças às capacidades do
Grande Outro, o poder instrumentário visa uma condição de certeza sem terror na
forma de ‘resultados garantidos’. Por não reivindicar nosso corpo por algum
regime grotesco de dor e assassinato, somos propensos a subestimar seus efeitos
e baixar nossa guarda. Em vez de morte, tortura, reeducação ou conversão, o
instrumentarianismo nos exila efetivamente de nosso próprio comportamento. Ele
serve nosso interior de fora, nossa subjetividade e interioridade de nossas
ações observáveis. Dá credibilidade às hipóteses do economista comportamental
da fragilidade da razão humana, tornando-a assim, pois o comportamento
diferenciado ganha vida própria que entrega futuros aos objetivos e interesses
do capitalismo de vigilância.”
O Grande Outro não foi criado
para impor a submissão em massa às normas de comportamento predeterminadas. Nem
tampouco oferece qualquer tipo de retribuição em razão do pertencimento ao
grupo.
Leia também: COVID-19, espaçamento social e o mundo por
vir: a Reforma Agrária como parte da solução, por Thiago Lima
“In this way instrumentarian power produces endlessly accruing knowledge
for surveillance capitalists and endlessly diminishing freedon for us as it
continuously renews surveillance capitalim’s domination of the division of
learning in society. False consciousness is no longer produced by the hidden
facts of class and their relation to production but rather by the hidden facts
of instrumentarian power’s command over the division of learning in society as
it usurps the rights to answer the essential question: Who knows? Who decides?
Who decides who decides? Power was once indentified with the owner ship of
means of production, but it is now identified with ownership of the means of
behavioral modification that is Big Other.” (The Age of Surveillance
Capitalism, Shoshana Zuboff, PublicAffairs, New York, 2019, p. 379)
Tradução:
“Dessa maneira, o poder
instrumentário produz conhecimento acumulando incessantemente para os
capitalistas da vigilância e diminuindo continuamente a liberdade para nós,
enquanto renova continuamente o domínio do capital de vigilância da divisão da
aprendizagem na sociedade. A falsa consciência não é mais produzida pelos fatos
ocultos da classe e sua relação com a produção, mas pelos fatos ocultos do
comando do poder instrumentário sobre a divisão da aprendizagem na sociedade,
uma vez que usurpa os direitos de responder à pergunta essencial: Quem sabe?
Quem decide? Quem decide quem decide? O poder já foi identificado com a
propriedade dos meios de produção, mas agora é identificado com a propriedade
dos meios de modificação comportamental que é o Grande Outro.”
Após relatar como o nascimento
e consolidação do capitalismo de vigilância ocorreu justamente no período
histórico em que as pessoas começaram a desconfiar mais e mais das autoridades
estatais, a autora do livro explica como o instrumentarianismo foi convocado a
preencher a lacuna existente entre governos fragilizados e sociedades voláteis
para garantir a estabilidade do Estado. Depois ela mostra como China e EUA
fizeram a mesma coisa trilhando caminhos diferentes.
“In the US, local law enforcement has joined the queue of institutions
seeking access to instrumentariam power. Surveillance-as-a-service companies
eagerly sell their wares to local police departaments also determined to find a
shortcut to certainty. On startup, Geofeedia, specializes in detailed location
tracking of activists and protesters, such as Greenpeace members or union
organizers, and the computation of individualized ‘threat scores’ using data
drawn from social media; Law-enforcement agencies have been among Geofeeedia’s
most proeminet clients. When Boston Police Departament annouced its interest in
joing this roster in 2016, the city’s police commissioner described to the
Boston Globe his belief in machine certainty as the antidote to social
breakdown: ‘The attack… in the Ohio State University campus is just the latest
illustration of why local law-enforcement authorities need every tool they can
muster to stop terrorism and other violence before it starts’. An ACLU attorney
countered that the government is using tech companies ‘to build massive
dossiers on people’ based on nothing more than their constitutionally protected
speech. Another, more prominent surveillance-as-a-service company, Palantir,
once touted by Bloomberg Businessweek as ‘the war on terror’s secret weapon’,
was found to be in a secret collaboration with the New Orleans Police
Departament to test its ‘predictive policing’ technology. Palantir’s software
not only identified gang members but also ‘traced people’s ties to other gang
members, outined criminal histories, analyzed social media, and predicted the
likehood that individuals woud commit violence or become a victim’.” (The Age
of Surveillance Capitalism, Shoshana Zuboff, PublicAffairs, New York, 2019, p.
387/388)
Tradução:
“Nos EUA, as polícias locais
entraram na fila de instituições que buscam acesso ao poder instrumentário. As
empresas cuja atividade é a vigilância vendem ansiosamente seus produtos a
departamentos policiais locais, também determinados a encontrar um atalho para
a certeza. A empresa Geofeedia é especializada em rastreamento e localização
detalhado de ativistas e manifestantes, como membros do Greenpeace ou
organizadores de sindicatos, e no cálculo de ‘pontuações de ameaças’
individualizadas usando dados extraídos das mídias sociais; As agências
policiais estão entre os clientes mais proeminentes da Geofeeedia. Quando o
Departamento de Polícia de Boston anunciou seu interesse em participar da lista
em 2016, o comissário de polícia da cidade descreveu ao Boston Globe sua crença
na segurança das máquinas como o antídoto para o colapso social: ‘O ataque… no
campus da Universidade Estadual de Ohio é apenas o exemplo mais recente por que
as autoridades policiais locais precisam de todas as ferramentas possíveis para
impedir antecipadamente o terrorismo e outras violências’. Um advogado da ACLU
respondeu que o governo está usando empresas de tecnologia ‘para criar dossiês
em massa das pessoas’ com base em nada mais do que seu discurso
constitucionalmente protegido. Outra empresa de vigilância mais proeminente,
Palantir, considerada uma vez pela Bloomberg Businessweek como ‘a arma secreta
na guerra ao terror’, foi encontrada fazendo uma colaboração secreta com o
Departamento de Polícia de Nova Orleans para testar sua tecnologia de
‘policiamento preditivo’. O software de Palantir não apenas identificou os
membros da gangue, mas também ‘esboçou os laços das pessoas com outros membros
da gangue, delineou histórias criminais, analisou as mídias sociais e predisse
a probabilidade de que os indivíduos cometam violência ou se tornem vítimas’.”
Nos EUA, os órgãos estatais
estão dispostas a comprar os serviços das empresas privadas que construíram um
novo tipo de poder expropriando e analisando excedente comportamental. Na China
o Estado está mais inclinado a incorporar os atributos do instrumentarianismo
utilizando sistemas privados de premiação e punição de consumidores criados por
capitalistas da vigilância.
Leia também: Um ônibus cujo itinerário conhecemos, por
Thiago Antônio de Oliveira Sá
“According to a report in China Daily, debtors on the list were
automatically prevented from flying 6.15 million times since the blacklist was
launched in 2013. Those in contempt of court were denied sales of high-speed
train tickets 2.22 million times. Some 71,000 defaulters have missed out on
executive positions at enterprises as a result ot their debts. The Industrial
and Commercial Bank of China said it had refused loans worth more than 6.97
billion yuan ($ 1,01 billion) to debtors on the list. No one is sent to a
reeducation camp, but they may not be allowed to purchase lusury goods.
According to the director of the Institute of the Chinese Academy of International
Trade and Economic Cooperation, ‘Given this inconveniense, 10 percent of people
on the list started to pay bank the money they owed spontaneously. This shows
the system is starting to work. Economies of action were perfoming to plan.
For the 400 million users of Sesame Credit, the fusion os
instrumentariam and state power bites hard. Those who might find thenselves on
the balcklist discover that the credit system is designe to thrust their scores
into an inexorable downward spiral: ‘First your score drops. Then your friends
hear you are on the blacklist and, fearful that their scores might be affected,
quietly drop you as a contact. The algorithm notices, and your score plummets
further’.
The Chinese government’s vision may be impossibly ambitious: the big
dream of total awareness and perfect certainty mediated by algorithms that
filter a perpetual flood of data flows from private and public supples,
including online and offline experience culled from every domain and able to
ricochet back into the individual lives of 1.5 billion people, automating
social behavior as the algorithms reward, punish, and shape action right down
to the latest bus ticket. So far the project is fragmented acroos many pilots,
not only in the tech companies but also in cities and regions, só there is no
real test of the scale that the government envisions. There are plenty of
experts who belive that a single system of that scale and complexity will be
difficult if not impossible to achieve.” (The Age of Surveillance Capitalism,
Shoshana Zuboff, PublicAffairs, New York, 2019, p. 391/392)
Tradução:
“De acordo com um relatório do
China Daily, os devedores da lista foram automaticamente impedidos de voar 6,15
milhões de vezes desde o lançamento da lista negra em 2013. Os que
desrespeitaram o Tribunal tiveram a venda negada de bilhetes de trem de alta
velocidade 2,22 milhões de vezes. Cerca de 71.000 inadimplentes perderam
posições executivas nas empresas como resultado de suas dívidas. O Banco
Industrial e Comercial da China disse ter recusado empréstimos no valor de mais
de 6,97 bilhões de yuans (US $ 1,01 bilhão) a devedores da lista. Ninguém foi
enviado para um campo de reeducação, mas eles podem não ter permissão para
comprar bens de consumo. Segundo o diretor do Instituto da Academia Chinesa de
Comércio Internacional e Cooperação Econômica, ‘Dado esse inconveniente, 10%
das pessoas da lista começaram a pagar ao Banco o dinheiro que deviam
espontaneamente. Isso mostra que o sistema está começando a funcionar.
Economias de ação estavam se desenvolvendo para planejar.
Para os 400 milhões de
usuários de Sesame Credit, a fusão de instrumentarianismo e poder estatal é
difícil. Quem se encontra na lista negra descobre que o sistema de crédito é
projetado para lançar suas pontuações em uma espiral descendente inexorável:
‘Primeiro, sua pontuação diminui. Então seus amigos descobrem que você está na
lista negra e, com medo de que suas pontuações possam ser afetadas, deixam de
considerar você um contato. O algoritmo percebe e sua pontuação cai ainda mais
‘.
Leia também: Sobre a banda larga para o ensino remoto
durante a pandemia, por Renato Janine Ribeiro
A visão do governo chinês pode
ser impossivelmente ambiciosa: o grande sonho de total consciência e perfeita
certeza mediado por algoritmos que filtram um fluxo perpétuo de dados de fontes
privadas e públicas, incluindo a experiência online e offline de todos os
domínios e capazes de ricochetear de novo nas vidas individuais de 1,5 bilhão
de pessoas, automatizando o comportamento social à medida que os algoritmos
recompensam, punem e moldam a ação até a última passagem de ônibus. Até o
momento, o projeto está fragmentado em muitos pilotos, não apenas nas empresas
de tecnologia, mas também nas cidades e regiões; portanto, não há um teste real
na escala que o governo imagina. Muitos especialistas acreditam que um sistema
único dessa escala e complexidade será difícil, se não impossível, de
alcançar.”
Nenhum sistema de controle
social precisa ter total capilaridade. Nem todos os alemães eram nazistas, mas
a esmagadora maioria deles apoiou o nazismo. Muitos porque perceberam que suas
vidas haviam melhorado. Outros porque odiavam os judeus e comunistas. E alguns
pelo simples fato que não desejavam ser vistos como pessoas diferentes numa
sociedade que se tornava mais e mais homogênea à medida que o projeto
totalitarista ganhava corpo premiando a adesão e punindo cruelmente qualquer
disconformidade.
Shoshana Zuboff diz claramente
que o instrumentarianismo não exige e não precisa da conformidade das pessoas.
Em razão das características do Grande Outro, as pessoas estão fadadas a
continuar usando a internet, a fornecer excedente comportamental que será usado
por outros para obter lucro modelando comportamentos individuais de consumo
(caso dos EUA) ou impondo padrões coletivos de comportamento (caso da China).
Tanto num país como no outro, com maior ou menor intensidade, o
instrumentarianismo poderá ser empregado para fins policiais e políticos.
Nesse ponto retomo o que dito
sobre a ‘auctoritas’ no texto anterior desta série.
“Auctoritas, non veritas facit
legem”.
Hannah Arendt fez uma
distinção sutil entre poder e autoridade. O primeiro se caracteriza pela
imposição forçada das decisões, pressupondo uma evidente distinção entre quem
governa e quem é governado. A autoridade existe quando o cumprimento das
decisões é voluntária e nenhuma distinção é percebida entre governados e
governantes.
O poder hierarquiza a
sociedade. A autoridade possibilita uma governança fundamentada na profunda sensação
de pertencimento.
Shoshana Zuboff termina esse
capítulo dizendo que existe uma bifurcação no caminho. Se nós seguirmos um
deles, aquele que leva à limitação do poder conquistado pelos capitalistas da
vigilância, a democracia poderá ser fortalecida. Se o outro for seguido, o
resultado será uma modernidade antidemocrática em que a certeza será
conquistada sem violência, mas com uma evidente perda de autonomia política, de
dignidade humana e de liberdade pessoal.
O instrumentarianismo está
sendo convocado a se tornar a única fonte de autoridade num mundo em que a
confiança popular nas instituições estatais está decrescendo velozmente. Mas
essa ‘auctoritas’ construída no mundo virtual e exercida no mundo real é
baseada num “não pertencimento”.
Chineses, norte-americanos,
brasileiros, etc, todos os usuários de internet não pertencem ao grupo seleto e
reduzido de empresários em condições de expropriar excedentes comportamentais e
de exercer essa nova forma de “auctoritas”, compartilhando-a com lucro ou cedendo-a
parcialmente aos seus respectivos Estados. Curiosamente, o “não pertencimento”
a que os usuários de internet foram condenados não é percebido como algo
desagradável. Essa é uma face do problema.
A outra é a impossibilidade de
combater uma nova forma de governança que conseguiu hackear tanto o imaginário
dos capitalistas ocidentais quanto o dos comunistas chineses. Só existe uma
maneira das pessoas não se submeterem aos caprichos da nova ‘auctoritas’:
desligar os computadores e não usar os Smartphones que instrumentalizam o “não
pertencimento”. Todavia, isso não é possível. Quase tudo o que nós fazemos fora
da internet já é de alguma maneira representado dentro dela.
CríticUma primeira questão
retomada pelo livro do Professor Carrara é o reducionismo no Behaviorismo
Radical. De modo geral, a crítica parte do fato de que se os, assim chamados,
fenômenos mentais podem ser interpretados em termos de comportamento, o
Behaviorismo Radical opera uma “redução comportamental”a ao behaviorismo
Resenha do livro “Behaviorismo
Radical: Crítica e Metacrítica”, 2ª Edição, escrito por Kester Carrara. São
Paulo: Editora Unesp (2005).
Falar da importância da
crítica na construção do conhecimento científico é lugar comum mencionado na
maioria dos manuais de metodologia científica (e.g. Bachelard, 1965/1974;
Köche, 2002). No caso da Psicologia, essa correção oferecida pela crítica,
muitas vezes, não é alcançada devido à multiplicidade de linhas teóricas e a
exacerbada especialização que ocorre dentro de cada linha. É o caso, por
exemplo, de periódicos que, devido à sua especificidade, acabam por excluir
críticas, provenientes de outras áreas, aos assuntos-alvo do próprio periódico.
Facilitar essa correção
embasada em críticas consistentes de certos aspectos do Behaviorismo Radical é
o objetivo do livro Behaviorismo Radical: Crítica e Metacrítica do Professor
Kester Carrara, que ganhou, em 2005, uma segunda edição revisada e ampliada. A
partir de uma cuidadosa e elegante análise das críticas tradicionalmente
endereçadas ao Behaviorismo Radical, o Professor Carrara avalia a pertinência
de tais críticas sugerindo, por fim, uma agenda de pesquisa que visa corrigir
algumas lacunas da Análise do Comportamento.
Embora o objeto de análise do
livro seja o Behaviorismo Radical (o que é evidenciado pelo próprio título),
nos primeiros capítulos encontramos uma retomada da história do Behaviorismo
desde os primeiros textos de Watson, passando por Tolman e Hull, e chegando,
finalmente, à obra de Skinner. Nessa (nem tão) breve história, concluímos com o
autor que, ora pelo conteúdo de suas teses (calcadas basicamente na crítica ao
mentalismo), ora pelo modo como essas foram apresentadas (de maneira enfática
e, muitas vezes, irônica), um grande volume de críticas sempre acompanhou o Behaviorismo.
O que deve ser destacado nessa
parte histórica do livro do Professor Carrara é seu interessante capítulo sobre
Watson (capítulo 2), em que as discussões sobre as principais influências
epistemológicas e históricas do “arquibehaviorista” (como o materialismo, o
mecanicismo, o positivismo, o evolucionismo) são esmiuçadas de maneira clara e
cuidadosa. É possível afirmar, mesmo com o risco de cometer uma injustiça com
outros autores, que um tratamento desse porte da obra de Watson não encontra
paralelo em publicações nacionais.
Em relação ao Behaviorismo
Radical, propriamente dito, o tratamento é extremamente bem articulado e
fundamentado. Merece especial atenção o número de referências (tanto de livros
quanto de artigos), que surpreende e revela outra virtude do livro: trata-se de
uma ótima fonte bibliográfica para estudos subseqüentes. Em vista da
diversidade de assuntos abordados pela crítica analisada, mesmo quem conhece a
literatura especializada sobre o Behaviorismo Radical, em algum momento ver-se-á
consultando a bibliografia do livro com o intuito de verificar alguma
referência desconhecida.
Voltando ao objetivo principal
do livro, a apresentação das críticas dirigidas ao Behaviorismo Radical segue
uma categorização (considerada pelo autor como meramente didática, uma vez que
na apresentação original das críticas os limites não são tão nítidos) em três
dimensões: “conceitual-filosófica”, “científico-metodológica” e “ético-social”
(o que nos faz lembrar da famosa divisão da Filosofia em “ontologia”,
“epistemologia” e “ética”). Além disso, há uma quarta categoria de
“miscelânea”, na qual são debatidos, rapidamente, algumas aproximações e
distanciamentos entre o Behaviorismo Radical e Psicanálise, Neurofisiologia,
Etologia, Fenomenologia, Humanismo, Behaviorismo Social, e Cognitivismo.
Sem dúvida, a maior relevância
da análise das críticas seja mostrar sua pertinência, o que é conseguido por
meio de uma metacrítica, ou seja, de uma crítica das críticas. Evidentemente,
os analistas do comportamento e o próprio Skinner (e. g. 1974) reconhecem que
muitas das críticas dirigidas ao Behaviorismo Radical, e à Ciência do
Comportamento embasada por essa filosofia, são vazias (freqüentemente,
confunde-se o Behaviorismo Radical com o Behaviorismo Metodológico e até mesmo
com o Behaviorismo Clássico de Watson). Sem ignorar esse “erro de
endereçamento”, a análise metacrítica do Professor Carrara mostra que há uma
série de críticas que são bastante pertinentes e que, por isso, reclamam uma
consideração mais cuidadosa dos analistas do comportamento. Vale mencionar
aqui, mesmo que en passant, os principais aspectos da crítica que são apontados
no livro como relevantes.
Algumas críticas relevantes ao
Behaviorismo Radical
Uma primeira questão retomada
pelo livro do Professor Carrara é o reducionismo no Behaviorismo Radical. De
modo geral, a crítica parte do fato de que se os, assim chamados, fenômenos
mentais podem ser interpretados em termos de comportamento, o Behaviorismo
Radical opera uma “redução comportamental”. Resta, então, avaliar o alcance
desse tipo de reducionismo.
Avançando um pouco a análise
proposta pelo Professor Carrara, podemos dizer que quando Skinner (1974)
interpreta conceitos mentais em termos de comportamento, seu interlocutor é o
mentalismo. Uma vez que o mentalismo defende a existência de uma mente
não-física que causa o comportamento, ele pode ser considerado como um
posicionamento ontológico. Nesse sentido, o Behaviorismo Radical opera um
reducionismo ontológico (nega a existência desse tipo de mente e interpreta os
conceitos mentais em termos de comportamento). No entanto, como essa negação da
existência de uma mente não-física está restrita ao diálogo com o mentalismo, o
Behaviorismo Radical não parece operar um reducionismo comportamental
ascendente (do fisiológico ao comportamental), nem descendente (dos fenômenos
sociais aos comportamentais). Com isso, o Behaviorismo Radical parece ser
melhor avaliado, pelo menos no seu diálogo com outras disciplinas, de uma
perspectiva emergentista.
Contudo, segundo o Professor
Carrara, a questão do reducionismo aflige nem tanto os pressupostos
teórico-filosóficos (reducionismo de princípio) , mas sim, a atuação de
analistas do comportamento (reducionismo de prática). De acordo com o autor, a
Análise do Comportamento Aplicada tende a reduzir indevidamente casos complexos
a protótipos extraídos, sobretudo, de estudos experimentais de laboratório.
Essa questão anuncia outras críticas, como o posicionamento acerca da
continuidade entre espécies e a relação entre dados experimentais e aplicação.
Devido à influência do
darwinismo, o Behaviorismo em geral, e o Behaviorismo Radical em particular,
lançaram mão de uma série de pesquisas com animais não-humanos amparados em uma
suposta continuidade interespecífica. No entanto, com o avanço da área, essa
continuidade aos poucos deixa de ser um pressuposto teórico para tornar-se uma
questão empírica: passível de ser resolvida por novas pesquisas com humanos e
de uma comparação sistemática com pesquisas similares em não-humanos.
Em relação à díade laboratório
versus mundo real, embora a discussão seja antiga, a atitude de muitos
analistas do comportamento revela a necessidade de uma retomada de alguns
pontos da questão. A própria formação acadêmica desses profissionais é um dos
aspectos que precisa ser considerado com mais delonga. As aulas de laboratório
não deveriam funcionar como um protótipo do funcionamento do mundo real, mas
simplesmente para “treinar nosso olhar”: para ensinar para onde devemos olhar
e, principalmente, o que devemos ver. Nas palavras de Skinner (1969) “com a
ajuda de tais equipamentos [de laboratório], juntamente com as técnicas
experimentais para as quais eles foram planejados, nós começamos a ver
contingências de reforçamento” (p. 08).
Nesse sentido, no contexto da
formação, o laboratório não deveria ser encarado como um modelo do mundo, mas
como um ambiente artificial planejado para treinar futuros analistas do
comportamento. Já no contexto da pesquisa e aplicação, o laboratório deveria
ter uma função heurística, ou seja, dirigir nosso olhar para algumas das
variáveis envolvidas no fenômeno estudado, de modo que uma futura atuação
torne-se mais efetiva. Com isso, o laboratório deveria ser considerado com uma
etapa fundamental, porém preliminar, na construção do conhecimento acerca do
comportamento humano: com o desenvolvimento da Análise do Comportamento
espera-se um aumento de pesquisas com humanos em ambiente natural.
Já quando o laboratório é
visto como protótipo para atuação, há uma inversão perniciosa: tenta-se adequar
o mundo ao modelo. Não há novidade em dizer que o laboratório, por ambicionar
um controle estrito de variáveis, eventualmente, deixa de fora variáveis que
podem estar atuando na situação natural (e.g. Cozby, 1977/2003). Isso cria um
problema suplementar quando o assunto em tela são fenômenos sociais complexos
como a linguagem, as instituições sociais, e as práticas culturais. Nesse caso,
como dificilmente será possível criar um ambiente social experimental, há uma
tendência em aplicar modelos experimentais à análise desses fenômenos2.
Ao explicar os fenômenos
sociais por meio de modelos experimentais opera-se um reducionismo indevido:
encara-se um fenômeno comportamental complexo como uma mera soma de fenômenos
comportamentais simples. Uma das conseqüências mais patentes desse reducionismo
é a omissão de importantes variáveis na análise dos fenômenos sociais complexos
como, por exemplo, o contexto social, político, econômico, nutricional,
familiar, etc.
Diante desse estreitamento da
análise de variáveis envolvidas nos fenômenos sociais, o Professor Carrara
propõe uma ampliação do escopo de análise ou, em seus termos, uma Análise do
Comportamento Contextualista. Trata-se de uma retomada de alguns aspectos da
análise molar do comportamento (proposta inicialmente por Tolman, 1967/19323)
e, conseqüentemente, de um afastamento de alguns fantasmas que sempre
perseguiram o Behaviorismo em geral, e o Behaviorismo Radical em particular,
como, por exemplo, o mecanicismo (Carrara & Gonzalez, 1996). Mas isso não é
tudo. Ao ampliar a análise de variáveis, a Análise do Comportamento
Contextualista volta-se, inevitavelmente, para problemas sociais, uma vez que,
agora, variáveis de ordem sócioeconômicas e políticas tornam-se relevantes.
Isso responderia à crítica de
que, devido a algumas afinidades com o Positivismo, o Behaviorismo Radical
estaria comprometido inevitavelmente com ideais reacionários e
antidemocráticos. Contrariando essa visão, o Professor Carrara, retomando
alguns pontos defendidos por Holland (1974, 1978), argumenta que a parca
participação da Análise do Comportamento em uma atuação dirigida para
princípios de igualdade e melhora na qualidade de vida da coletividade não é
uma questão de princípio, ou seja, não está teórica e inevitavelmente
fundamentada pelo Behaviorismo Radical. O maior responsável por essa falha da
Análise do Comportamento é, possivelmente, a filiação de analistas do
comportamento ao mito da neutralidade científica.
Seguindo a análise do
Professor Carrara, diferente do que já se defendeu no passado, o fazer ciência
tem conseqüências sociais relevantes que deveriam interferir nessa atividade
(e.g. Bachrach, 1965/1974). Isso quer dizer que ao produzir conhecimento o
cientista sempre se compromete com questões ético-políticas que, em última
instância, vão desde a manutenção de desigualdades sociais até a possibilidade
de mudanças na direção de uma maior igualdade entre os indivíduos. Com isso,
quer queira ou não, o analista do comportamento sempre tem um papel social
(seja de manutenção da desigualdade, seja de catalisador de mudanças).
Nesse sentido, não se trata de
afirmar (como parece fazer parte da crítica) que o Behaviorismo Radical, quase
que inevitavelmente, culmina em atuações antiéticas, mas de mostrar que a falta
de um direcionamento ético faz com que as práticas embasadas nessa filosofia da
ciência do comportamento acabem por fortalecer (ou, pelo menos, nada fazer para
mudar) as desigualdades sociais.
No entanto, para que essa nova
equalização dos objetivos do Behaviorismo Radical seja possível faz-se
necessário uma discussão aprofundada de questões éticas no interior dessa
filosofia da ciência do comportamento. Infelizmente, tais discussões são ainda
incipientes, o que nos coloca diante de um paradoxo: por um lado, defende-se
que o fazer científico deve ser eticamente orientado, mas por outro, não há
ainda uma discussão ética aprofundada o suficiente para tal direcionamento.
Isso nos leva a concluir, com
o autor, que um maior investimento em discussões sobre ética e política no
Behaviorismo Radical parece fundamental. Talvez um primeiro aspecto nessa
discussão seja definir, de maneira clara, os valores dessa ética que dirigirá o
fazer ciência. Embora o livro não mencione esse ponto, parece que a definição
dos valores dessa ética envolve muito mais do que o emprego da expressão
(repetida ad nauseam em discussões sobre ética no Behaviorismo Radical)
“sobrevivência das culturas”. Por outro lado, também não parece ser um caminho
promissor retomar conceitos vagos como “felicidade”, “bem-estar”, “prazer”,
etc. para definir os valores dessa ética. Questões como “em que medida
determinada prática do analista do comportamento contribui para a melhora na
qualidade de vida dos indivíduos?” ou “essa prática está voltada para a
sobrevivência das culturas?” só poderão ser respondidas quando formos capazes
de avaliar a “qualidade de vida” ou a “sobrevivência das culturas”; ou seja,
quando definirmos de maneira inequívoca o significado4 dessas expressões.
Evidentemente, o escopo das variáveis que controlam a emissão dessas respostas
verbais é bastante amplo indo desde a nutrição até o tempo e o tipo de lazer
disponível a um indivíduo. Nessa ampliação do escopo de análise, reencontramos
a proposta de uma Análise do Comportamento Contextualista.
Por fim, é possível sumarizar
o sentido do livro do Professor Carrara como uma proposta, fundamentada pela
metacrítica, de uma futura agenda de pesquisa (teórico-conceitual, básica e
aplicada) da Análise do Comportamento. O que chama a atenção nessa proposta é
fato dela ter sido formulada pela primeira vez em 1998 (na primeira edição do
livro) e continuar válida até hoje. Em suma, parece que nesses dez anos a
Análise do Comportamento ainda não se voltou para a crítica de maneira satisfatória.
Para os analistas do comportamento resta, então, comportar-se para que a
terceira edição do livro do Professor Carrara deixe de ser tão atual quanto é a
segunda.
O que é Behaviorismo
O Behaviorismo, também chamado
de Comportamentismo ou Comportamentalismo, tem como objeto de estudo o
comportamento. Essa teoria psicológica defende que a psicologia humana ou
animal pode ser objetivamente estudada por meio de observação de suas ações, ou
seja, observando o comportamento.
E o behaviorismo é um grupo de
abordagens que defende que o comportamento é um objeto estudado pela
psicologia. Além de admitir a relação de causa e efeito devido ao estímulo e a
resposta. A crítica feita pela Gestalt diz respeito ao meio que o estímulo
fornece e a resposta do indivíduo
Estímulo e Resposta. ... O
behaviorismo estuda esta relação e, como o meio e o comportamento são conceitos
muito amplos, definiu estímulo e resposta como unidades básicas da descrição e
como ponto de partida para que fosse possível realizar uma ciência do comportamento.
Quanto ao behaviorismo não é
correto afirmar: a)O processo de aprendizagem ocorre por meio de insights. ...
c)O comportamento, na abordagem behaviorista, só pode ser estudado enquanto
processo psicológico observável e mensurável
O termo "ambiente",
no Behaviorismo radical, deve ser entendido como "a situação" na qual
o responder acontece, bem como à situação posterior ao responder, ou seja, a
resposta altera o ambiente.
O ponto de partida da teoria
da Gestalt é a percepção. Os gestaltistas construíram a base da sua teoria
baseados em estudos psicofísicos, que relacionam a forma e o comportamento.
45) Qual a importância da
relação figura-fundo na percepção? R: Durante o processo de percepção é de suma
importância que o indivíduo saiba distinguir o que é a figura e o que é o fundo
para evitar ambiguidades como a ilusão de ótica.
A Gestalt encontra nesses
fenômenos da percepção as condições para a compreensão do comportamento humano.
A maneira como percebemos um determinado estímulo irá desencadear nosso
comportamento. ... Um “erro” de percepção nos levou ao comportamento de
cumprimentar o desconhecido
Estímulo e Resposta. Os
conceitos de estímulo e resposta não podem ser entendidos separadamente.
Qualquer evento do meio torna-se um estímulo se for seguido por uma resposta.
... Os estímulos são uma representação de parte específica do meio, mas também
podem ser externos, provenientes de órgãos ou de movimentos musculares .
Essa teoria psicológica
defende que a psicologia humana ou animal pode ser objetivamente estudada por
meio de observação de suas ações, ou seja, observando o comportamento. Os
Behavioristas acreditam que todos os comportamentos são resultados de
experiência e condicionamentos.
Introdução. O Behaviorismo não
é a ciência do comportamento humano, mas, sim, a filosofia dessa ciência.
Algumas das questões que ele propõe são: É possível tal ciência? ... O
comportamento humano é o traço mais familiar do mundo em que as pessoas vivem,
e deve ter dito mais sobre ele do que sobre qualquer outra coisa
Skinner (1983) nos diz que o
ambiente pode ter a função de controlar o homem, mas esse ambiente foi
inteiramente construído por ele. ... A base do comportamento humano é vista
como uma solução para os problemas ambientais, a fim de realizar uma “promoção
de mudanças comportamentais” (Steg & Vlek, 2009, p. 314).
Gestalt. Caracteriza-se por
uma teoria que veio de uma escola de pensamento que é a psicologia da Gestalt.
... Assim, a percepção estabelece a importância básica da Gestalt, obedecendo a
capacidade por meio da qual o indivíduo estrutura a realidade, criando uma
conformação
O processo perceptivo é uma
ferramenta fundamental nos relacionamentos, pois aguça a interpretação de
sinais interiores e exteriores. Provoca reflexões críticas gerando nas pessoas
a necessidade de reavaliarem suas próprias crenças como mecanismo de
preservação da qualidade de vida e da sua identidade humana.
Comportamento é relação entre
organismo e ambiente, sem prioridade de existência dos elementos. Essa
definição ampla já dá conta da distinção entre a concepção de comportamento
adotada pelo Behaviorismo watsoniano (Watson, 1919/1924) e pelo Behaviorismo
Radical.
Assim para a Análise do
Comportamento a palavra comportamento se refere tanto a ações de um indivíduo
quanto a sentimentos, pensamentos e falas. A compreensão de cada palavra que
compõe o conceito de Análise do Comportamento é essencial para entendermos essa
consideração
Classe: grupo de estímulos ou
respostas que partilham propriedades ou características comuns, tais como
topografia ou função. Coerção: controle do comportamento por meio de
reforçamento negativo ou punição. ... Comportamento: interação entre um
organismo e seu mundo histórico e imediato.
A obra Burrhus Frederic
Skinner é a expressão mais célebre do behaviorismo - corrente que dominou o
pensamento e a prática da psicologia, em escolas e consultórios, até os anos
1950. ... A teoria de Skinner baseia-se na ideia de que o aprendizado ocorre em
função de mudança no comportamento manifesto.
O conceito-chave do pensamento
de Skinner é o de condicionamento operante, que ele acrescentou à noção de
reflexo condicionado, formulada pelo cientista russo Ivan Pavlov. Os dois
conceitos estão essencialmente ligados à fisiologia do organismo, seja animal
ou humano
Portanto, no Behaviorismo
Radical comportamento é relação entre organismo e ambiente, sem prioridade de
existência nem do ambiente, nem do organismo – há uma simultaneidade
O Behaviorismo Radical é o
campo filosófico da análise do comportamento. As questões trabalhadas no
Behaviorismo Radical avaliam a repercussão e a validade das pesquisas
científicas experimentais no estudo do comportamento.
Behaviorismo Radical,
postulado por B. F. Skinner e adotado por vários outros psicólogos, como
Ferster, Sidman, Schoenfeld, Catania, Hineline, Jack Michael, etc., surgiu na
área da Psicologia como uma proposta filosófica e como um projeto de pesquisa
em oposição ao behaviorismo metodológico de orientação positivista. O
Behaviorismo Radical é o campo filosófico da análise do comportamento.
As questões trabalhadas no
Behaviorismo Radical avaliam a repercussão e a validade das pesquisas
científicas experimentais no estudo do comportamento. Skinner teve como
referência as idéias dos filósofos da ciência, incluindo Percy Bridgeman, Ernst
Mach e Jules Henri Poincaré. Esses criaram novos modelos de pensamento
explanatório que não dependiam de nenhuma subestrutura metafísica. No decorrer
de sua obra, Skinner teorizou que a lógica do modelo de seleção natural de
Darwin também poderia ser aplicada ao comportamento dos indivíduos como um novo
modelo causal diferente do mecanicismo.
Para Skinner, o behaviorismo
radical seria um caso especial da filosofia da ciência: "não é a ciência
do comportamento humano, é a filosofia dessa ciência" [A análise do
comportamento]. Ele busca compreender questões humanas, como
"comportamento", "liberdade" e "cultura", dentro
do modelo de seleção por consequências, e rejeitando o uso de variáveis
não-físicas (sem dimensão no tempo-espaço).
Um filósofo behaviorista
radical defende que as diferentes explicações sobre o comportamento humano
deveriam ser resolvidas na base de evidências refutáveis, e não de abstratas
especulações. O behaviorismo radical foi concebido em experimentos realizados
sob o rigor da produção de conhecimento científico. Desenvolvido dentro de um
laboratório, sob condições controladas, é um método passível de reaplicação.
Entendido como pensamento
filosófico, o Behaviorismo radical não deve ser confundido com a análise do
comportamento. Isso porque a análise do comportamento é, além de um campo
filosófico (Behaviorismo Radical), um campo de Pesquisa Básica (Análise
Experimental do Comportamento) e um campo de aplicação de conhecimentos e
técnicas (Análise Aplicada do Comportamento). A análise do comportamento é uma
ciência do comportamento, e tratando de aplicação de uma ciência do
comportamento, sua prática não se dá em ambiente sob condições controladas, e
sim, no ambiente comum a todos os homens e mulheres: o planeta que habitamos.
O termo behaviorismo vem do
inglês behavior (comportamento) e ilustra bem o objeto de estudo da vertente
radical: o comportamento, entendido como a relação entre o indivíduo e seu
ambiente físico, químico ou social. O "radical" do behaviorismo se
deve ao fato de que as técnicas ali descritas não apelam para estados mentais
como causa iniciadora do comportamento, mas os vê como estágio inicial do
próprio comportamento. Com isso, adquire o status técnico de resposta emitida,
e não de causa autônoma ou mental do comportamento, diferenciando-se,
fundamentalmente, das outras correntes de pensamento dentro da psicologia. O
behaviorismo radical também é conhecido como skinneriano, pois foi B. F.
Skinner quem desenvolveu sua teoria, com base em seus estudos de laboratório.
Por ser uma ciência natural, a
análise do comportamento procura entender a relação entre indivíduo/ambiente em
termos de comportamentos, que podem ter sua probabilidade de emissão diminuída
ou aumentada, conforme a história de condicionamento do indivíduo e a
apresentação ou retirada de estímulos ambientais.
Índice
1 Conceitos Fundamentais
1.1 Comportamento
1.2 Ambiente
1.3 Respostas
1.4 Estímulos
2 Ver também
3 Ligações externas
Conceitos Fundamentais
Comportamento
Um primeiro aspecto fundamental
do Behaviorismo radical é a compreensão do conceito "comportamento
humano".
O termo
"comportamento" descreve uma relação, um intercâmbio entre o
organismo e o ambiente. Mais precisamente, descreve uma relação entre
atividades do organismo, que são chamadas de respostas, e eventos ambientais,
que são chamados genericamente de estímulos. Define-se
"comportamento" como a relação entre estímulo e resposta.
Essa relação só poderá ser bem
compreendida se acrescentarmos o fato que não se deve limitar metodologicamente
o significado de estímulos e respostas que estabelecem a relação
(comportamento). Além disso, para o behaviorismo radical emoção e sentimentos
são comportamentos e que podem ser parcialmente observáveis através da análise
dos comportamentos verbal e não-verbal do sujeito. Pensamento, conhecimento e
memória também são comportamentos, porém são comportamentos tácitos, ou seja,
não observáveis diretamente mas que podem ser analisados quando expressados e
também estão sujeitos aos esquemas de condicionamento assim como os
comportamentos observáveis.
Ambiente
O termo "ambiente",
no Behaviorismo radical, deve ser entendido como "a situação" na qual
o responder acontece, bem como à situação posterior ao responder, ou seja, a
resposta altera o ambiente. Para o behaviorismo ambiente inclui não só o local
com o qual o sujeito interage como também todos os objetos e seres vivos
incluídos nessa interação e o próprio organismo, nesse caso denominado como
ambiente interno.
Respostas
A princípio, um organismo vivente
está sempre respondendo, mesmo que tais respostas não sejam acessíveis
publicamente. Ou seja, pode-se falar de respostas manifestas, observáveis por
mais sujeitos, e respostas encobertas, que podem ser observadas apenas pelo
organismo que as emitiu.
Estímulos
Os eventos do ambiente podem
ser, no Behaviorismo radical, estímulos físicos e estímulos sociais. Os
primeiros são descritos pelas ciências naturais, os últimos se caracterizam
pelo fato de serem produzidos por outro organismo. Se forem produzidos por
seres humanos, são produtos culturais. Do mesmo modo, pode-se falar de eventos
ambientais "públicos" e "privados". Os primeiros são
acessíveis de forma independente por mais observadores, os últimos, apenas pelo
organismo por eles afetado.
Modelagem Modelagem:
modificação de alguma propriedade do responder através do reforçamento
diferencial, em uma série de passos, de um desempenho inicial até um desempenho
final.* Cf. fading, modelação
Críticas ao Behaviorismo:
preconceitos e discordâncias. ... Pode-se falar também de certo desconhecimento
dos críticos a respeito da evolução da abordagem, confundindo a atual Análise
do Comportamento com a chamada Modificação do Comportamento, vigente até por
volta dos anos 80.
Estímulo e Resposta. ... O
behaviorismo estuda esta relação e, como o meio e o comportamento são conceitos
muito amplos, definiu estímulo e resposta como unidades básicas da descrição e
como ponto de partida para que fosse possível realizar uma ciência do
comportamento.
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