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quinta-feira, 21 de outubro de 2010
sábado, 9 de outubro de 2010
Governo Lula é o verdadeiro projeto a favor da vida - diz Dilma
Em evento com trabalhadores, realizado na sede da Força Sindical – no centro da capital paulista – na noite de sexta-feira, Dilma Rousseff afirmou que as políticas de inclusão social do governo Lula é que evitam que as mulheres e a infância fique desamparada, e levem mulheres a recorrer ao aborto por desespero ou acharem que não tem condições de criar o filho:
”Esse projeto (do governo Lula) é o verdadeiro projeto a favor da vida. Quando eles (Serra e FHC) elevaram a desigualdade a níveis absurdos, a consequência foi o esfacelamento da família. Nós, que de fato representamos a corrente do bem e não a do mal, que eles pregam por aí. Esse processo (do governo Lula) não pode ser interrompido. Nós vamos mudar de fato esse País”.
Dilma conclamou as igrejas e comunidades a trabalharem junto com os governos em prol de uma política que assegure para todas as mulheres, em qualquer estágio de gravidez, que elas poderão criar seus filhos com dignidade:
"... ficam falando que eu sou a favor do aborto. Eu, como pessoa, sou contra o aborto. Porque o aborto é uma violência contra a mulher. Agora, eu, como presidenta da República, não fecharei meus olhos para milhares ou milhões de mulheres adolescentes, mulheres pobres, que em momentos de desespero, sem proteção, porque não sabem como criar seus filhos, cometem atos extremos que colocam a vida delas em risco...
... Como presidenta eu não tratarei essas mulheres como questão de polícia. É uma questão de saúde. E mais: é uma questão de política comunitária, em que as religiões têm um papel fundamental para esclarecer essas mulheres, para não deixar que elas incorram neste tipo de atitude."
”Esse projeto (do governo Lula) é o verdadeiro projeto a favor da vida. Quando eles (Serra e FHC) elevaram a desigualdade a níveis absurdos, a consequência foi o esfacelamento da família. Nós, que de fato representamos a corrente do bem e não a do mal, que eles pregam por aí. Esse processo (do governo Lula) não pode ser interrompido. Nós vamos mudar de fato esse País”.
Dilma conclamou as igrejas e comunidades a trabalharem junto com os governos em prol de uma política que assegure para todas as mulheres, em qualquer estágio de gravidez, que elas poderão criar seus filhos com dignidade:
"... ficam falando que eu sou a favor do aborto. Eu, como pessoa, sou contra o aborto. Porque o aborto é uma violência contra a mulher. Agora, eu, como presidenta da República, não fecharei meus olhos para milhares ou milhões de mulheres adolescentes, mulheres pobres, que em momentos de desespero, sem proteção, porque não sabem como criar seus filhos, cometem atos extremos que colocam a vida delas em risco...
... Como presidenta eu não tratarei essas mulheres como questão de polícia. É uma questão de saúde. E mais: é uma questão de política comunitária, em que as religiões têm um papel fundamental para esclarecer essas mulheres, para não deixar que elas incorram neste tipo de atitude."
Lula diz que sempre há jogo sujo na reta final
8 de outubro de 2010
O Presidente Lula disse ontem, no Rio, que sempre há jogo sujo na fase final de campanhas eleitorais e que já foi vítima de artifícios dos adversários em outras disputas. Lula afirmou, ao ser perguntado sobre as acusações de que a candidata petista Dilma Rousseff seria favorável ao aborto, que o que não se pode é priorizar o secundário.
Sempre tem gente fazendo política suja. A Dilma tem um programa, pode comprovar o que fez, disse, afirmando que a candidata não apoia o aborto. Duvido que tenha um pastor que tenha que agradecer a alguém mais do que a mim pela liberdade religiosa, acrescentou, depois de participar de visita ao novo prédio do Cenpes, o centro de pesquisas da Petrobras.
Na reta final das eleições surgiram notícias, depois desmentidas pela campanha de Dilma, de que a candidata seria favorável ao aborto. Analistas afirmaram que o apoio de segmentos religiosos foi fundamental para a arrancada de Marina Silva, do PV, o que acabou provocando o segundo turno entre Dilma e o tucano José Serra.
Lula mostrou-se otimista em relação às chances de Dilma e lembrou que 67% dos eleitores votaram em mulheres para a Presidência no domingo, em Dilma ou em Marina. O povo optou por votar em mulher. E como agora tem um homem e uma mulher, acho que a mulher pode levar vantagem, ponderou. Acho que boa parte desses votos [em Marina] pode ir para a companheira Dilma.
Mais cedo, Lula fez um discurso em tom de despedida - no qual evitou falar de política -, ao inaugurar em Angra dos Reis a plataforma P-57, da Petrobras, que será enviada para o campo de Jubarte, no Espírito Santo. A politização do evento - organizado pela Petrobras - ficou por conta dos sindicalistas presentes, que manifestaram apoio à petista.
As únicas referências ao processo eleitoral feitas por Lula foram ao parabenizar a reeleição de Sérgio Cabral ao governo do Rio e à atuação do governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), presente ao evento, que conseguiu eleger o aliado Renato Casagrande com mais de 80% dos votos.
Lula brincou que, quando chegar o fim de seu mandato, não vai querer entregar a faixa presidencial. No dia 31, quando der meia-noite, eu ainda não vou entregar a faixa. Estou pensando em colar a bichinha na barriga, com uma cola daquelas que não larga, e sair correndo, brincou o presidente.
Em discurso de 25 minutos, o presidente disse que, quando entregar a faixa presidencial, terá a convicção de ter feito um mandato republicano. Afirmou que jamais deixou de atender a algum prefeito ou governador devido ao partido político a que pertence. Não é assim que eu faço política. Eu tenho divergência com muita gente, mas, como presidente, eu não sou o meu partido, eu sou o presidente de 190 milhões de brasileiros e eu trato todo mundo em igualdade de condições, disse.
Sérgio Cabral não tratou da sucessão presidencial, mas comparou os oito anos de Lula a governos anteriores. Precisou entrar um companheiro de vocês na Presidência da República, um metalúrgico, para voltarmos a construir uma usina, após 30 anos sem uma nova siderúrgica, disse.
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, fez um agradecimento à orientação do presidente de elevar o percentual de conteúdo nacional das plataformas e navios a serem usados pela estatal e de retomar a indústria naval nacional.
Este foi justamente o mote utilizado pelo presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore, Ariovaldo Rocha, em seu discurso. Somos gratos, presidente Lula, principalmente, por resgatar a esperança que andava adormecida nesse país. Queremos lembrar a todos que tenham consciência, tenham relevância, uma preponderância, no dia 31 de outubro, sigam aquilo que está acontecendo no Brasil. Não entrem em desafio, porque já ouvi governos anteriores dizendo para quê construir navios no Brasil, se eu posso importar mais barato? (...) Senhores, fiquem com Deus, e sucesso no dia 31.
O coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antonio de Moraes, foi bem mais explícito e pediu, aos trabalhadores presentes, que não voltem atrás. Estamos em momento central da nossa história, porque novamente aqueles que pensavam assim põem a cabeça para fora e querem retomar o retrocesso no nosso país. Temos o desafio de dizer que o Brasil não aceita mais voltar atrás, disse.
O Presidente Lula disse ontem, no Rio, que sempre há jogo sujo na fase final de campanhas eleitorais e que já foi vítima de artifícios dos adversários em outras disputas. Lula afirmou, ao ser perguntado sobre as acusações de que a candidata petista Dilma Rousseff seria favorável ao aborto, que o que não se pode é priorizar o secundário.
Sempre tem gente fazendo política suja. A Dilma tem um programa, pode comprovar o que fez, disse, afirmando que a candidata não apoia o aborto. Duvido que tenha um pastor que tenha que agradecer a alguém mais do que a mim pela liberdade religiosa, acrescentou, depois de participar de visita ao novo prédio do Cenpes, o centro de pesquisas da Petrobras.
Na reta final das eleições surgiram notícias, depois desmentidas pela campanha de Dilma, de que a candidata seria favorável ao aborto. Analistas afirmaram que o apoio de segmentos religiosos foi fundamental para a arrancada de Marina Silva, do PV, o que acabou provocando o segundo turno entre Dilma e o tucano José Serra.
Lula mostrou-se otimista em relação às chances de Dilma e lembrou que 67% dos eleitores votaram em mulheres para a Presidência no domingo, em Dilma ou em Marina. O povo optou por votar em mulher. E como agora tem um homem e uma mulher, acho que a mulher pode levar vantagem, ponderou. Acho que boa parte desses votos [em Marina] pode ir para a companheira Dilma.
Mais cedo, Lula fez um discurso em tom de despedida - no qual evitou falar de política -, ao inaugurar em Angra dos Reis a plataforma P-57, da Petrobras, que será enviada para o campo de Jubarte, no Espírito Santo. A politização do evento - organizado pela Petrobras - ficou por conta dos sindicalistas presentes, que manifestaram apoio à petista.
As únicas referências ao processo eleitoral feitas por Lula foram ao parabenizar a reeleição de Sérgio Cabral ao governo do Rio e à atuação do governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), presente ao evento, que conseguiu eleger o aliado Renato Casagrande com mais de 80% dos votos.
Lula brincou que, quando chegar o fim de seu mandato, não vai querer entregar a faixa presidencial. No dia 31, quando der meia-noite, eu ainda não vou entregar a faixa. Estou pensando em colar a bichinha na barriga, com uma cola daquelas que não larga, e sair correndo, brincou o presidente.
Em discurso de 25 minutos, o presidente disse que, quando entregar a faixa presidencial, terá a convicção de ter feito um mandato republicano. Afirmou que jamais deixou de atender a algum prefeito ou governador devido ao partido político a que pertence. Não é assim que eu faço política. Eu tenho divergência com muita gente, mas, como presidente, eu não sou o meu partido, eu sou o presidente de 190 milhões de brasileiros e eu trato todo mundo em igualdade de condições, disse.
Sérgio Cabral não tratou da sucessão presidencial, mas comparou os oito anos de Lula a governos anteriores. Precisou entrar um companheiro de vocês na Presidência da República, um metalúrgico, para voltarmos a construir uma usina, após 30 anos sem uma nova siderúrgica, disse.
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, fez um agradecimento à orientação do presidente de elevar o percentual de conteúdo nacional das plataformas e navios a serem usados pela estatal e de retomar a indústria naval nacional.
Este foi justamente o mote utilizado pelo presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore, Ariovaldo Rocha, em seu discurso. Somos gratos, presidente Lula, principalmente, por resgatar a esperança que andava adormecida nesse país. Queremos lembrar a todos que tenham consciência, tenham relevância, uma preponderância, no dia 31 de outubro, sigam aquilo que está acontecendo no Brasil. Não entrem em desafio, porque já ouvi governos anteriores dizendo para quê construir navios no Brasil, se eu posso importar mais barato? (...) Senhores, fiquem com Deus, e sucesso no dia 31.
O coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antonio de Moraes, foi bem mais explícito e pediu, aos trabalhadores presentes, que não voltem atrás. Estamos em momento central da nossa história, porque novamente aqueles que pensavam assim põem a cabeça para fora e querem retomar o retrocesso no nosso país. Temos o desafio de dizer que o Brasil não aceita mais voltar atrás, disse.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Dutra: Questão do aborto nunca esteve no programa de governo de Dilma
Veículos de comunicação divulgaram nesta terça-feira (5) notícias equivocadas afirmando que o Partido dos Trabalhadores "estuda tirar o tema do aborto do programa de governo de Dilma Rousseff". O presidente do PT e coordenador nacional da campanha, José Eduardo Dutra, disse em entrevista na tarde de hoje que essa informação não tem qualquer fundamento: “A questão de aborto nunca esteve no programa de governo da Dilma, portanto não faz sentido você dizer que vai retirar uma coisa que não existiu”.
Dutra explicou que Dilma tem exposto claramente sua posição em relação ao tema. “Ela é pessoalmente contra o aborto e não vai propor nenhuma modificação na legislação relativa a isso.”
Segundo o presidente do PT, o Estado brasileiro tem que prestar assistência às mulheres. Dados do Ministério da Saúde revelam que, no ano passado, cerca de 200 mil mulheres precisaram fazer curetagem de emergência após um procedimento de aborto.
Por meio do Ministério da Saúde, o governo defende uma política para evitar práticas abortivas, como a distribuição de métodos contraceptivos. O Sistema Único de Saúde (SUS) trabalha para preservar a vida das vítimas. No ano passado, o governo investiu R$ 35 milhões nessas políticas e, em 2010, prevê o gasto de R$ 50 milhões.
Dutra explicou que Dilma tem exposto claramente sua posição em relação ao tema. “Ela é pessoalmente contra o aborto e não vai propor nenhuma modificação na legislação relativa a isso.”
Segundo o presidente do PT, o Estado brasileiro tem que prestar assistência às mulheres. Dados do Ministério da Saúde revelam que, no ano passado, cerca de 200 mil mulheres precisaram fazer curetagem de emergência após um procedimento de aborto.
Por meio do Ministério da Saúde, o governo defende uma política para evitar práticas abortivas, como a distribuição de métodos contraceptivos. O Sistema Único de Saúde (SUS) trabalha para preservar a vida das vítimas. No ano passado, o governo investiu R$ 35 milhões nessas políticas e, em 2010, prevê o gasto de R$ 50 milhões.
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SEGUNDO TURNO
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Voto em Marina não é ecológico, mas também não evangélico
CARTACAPITAL
Antonio Luiz M. C. Costa
5 de outubro de 2010 às 19:04h
Religião e aborto são temas que, segundo alguns analistas, podem ter decidido os rumos da eleição presidencial, porém isso não passa de um mal-entendido. Por Antonio Luiz M. C. Costa. Foto: Agência Brasil
A religião e a legalização do aborto se tornaram os grandes temas nacionais, capazes de decidir os rumos da eleição presidencial, conforme parecem defender alguns comentaristas? Parece-nos antes que isso é um mal-entendido, que se for levado a sério pode distorcer terrivelmente os rumos de campanhas e de programas políticos. Considere-se, para começar, a distribuição geográfica, por atacado, dos votos em Marina.
Como se sabe, os votos de Dilma, assim como os votos de Lula em 2006, concentram-se em um arco leste-norte, que vai do Espírito Santo e norte de Minas ao Amazonas, com centro de gravidade no Nordeste. Os votos de Serra, assim como os votos em Alckmin de 2006, concentram-se em um eixo que sai do Sul, tem o centro de gravidade em São Paulo e se estende ao Mato Grosso, com alguns enclaves nas fronteiras nortistas do agronegócio (interior do Pará, Acre, Roraima). A maior diferença em relação ao quadro do primeiro turno de há quatro anos é que o Rio Grande do Sul, em boa parte, “avermelhou”.
O voto da Marina, tido como “verde” – mas só em um sentido convencional, já que só secundariamente tem algo a ver com ambientalismo e menos ainda com a pequena votação do Partido Verde a cargos no legislativo – concentra-se principalmente na fronteira entre as regiões “vermelha” e “azul”: no Sudeste e Centro-Oeste – Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Goiás, Tocantins – embora também sejam significativas, e muito importantes em termos absolutos, as votações em São Paulo, Paraná e nas metrópoles do Nordeste, nos “corações” políticos dos adversários.
Em grandes números, 25% da votação de Marina veio de São Paulo, 28% dos outros estados do Sudeste, 21% do Nordeste, 11% do Sul (principalmente Paraná), 8% do Centro-Oeste e 7% no Norte – muito pouco, por sinal, de seu estado natal, o Acre. Suas votações mais fracas foram as dos estados mais pobres do Nordeste, Maranhão, Piauí e Alagoas (também Sergipe, exceção nesse aspecto) e dos estados politicamente mais polarizados ou com intensas disputas de terras – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Rondônia, Pará – onde há menos espaço para conciliação e “terceira via”.
Só por isso, já é de se pensar que Marina ocupa de fato o espaço que reivindicou ao longo da campanha: de um progressismo moderado, uma terceira via “centrista” entre o PT e o PSDB. Impreciso, com certeza, mas igualmente são imprecisas as ideias políticas de uma parcela importante do eleitorado, chamada “nova classe média”, a classe C ascendente.
É uma camada principalmente urbana, que progrediu em relação aos pais pobres e mal educados, tem certa educação, até superior, está decentemente empregada e precisa cada vez menos de programas sociais como o Bolsa-Família, do SUS ou de novos projetos de saúde e saneamento. Ao mesmo tempo, é mestiça, não está à vontade com a “alta cultura”, tem gostos populares e se sabe desprezada pela elite tradicional. Não se identifica totalmente com as prioridades da esquerda – redução da desigualdade e crescimento econômico – mas também não com as da direita – conservação de privilégios disfarçados em competência e meritocracia. Busca um meio-termo que, assim como Marina, não sabe definir com precisão e chama de “mudança”.
É uma camada que se identifica mais com a história pessoal de Marina, uma ex-empregada doméstica alfabetizada pelo Mobral que “subiu na vida”, fez curso superior e uma carreira política pacífica e respeitada, do que com a carreira de um integrante convencional da elite política como Serra ou com o passado combativo de uma ex-guerrilheira como Dilma. Que tem um vago receio do “comunismo” e do MST e se esforça por se diferenciar das “massas” pobres e turbulentas e hesita em dar um cheque em branco a Dilma e ao PT. Não é a parcela da opinião pública mais conservadora, nem a que tem seu voto definido pelo padre, pelo pastor ou pela questão do aborto. Estes provavelmente votaram em Serra.
Esta interpretação se reforça quando se desce ao detalhe dos votos por município. Recife, capital do estado natal de Lula, não tem uma proporção excepcional de evangélicos pelos padrões brasileiros: apenas 17,6%. Mas 37% dos recifenses votaram em Marina (42% em Dilma, 19% em Serra). Já o município pernambucano de Abreu e Lima, o mais evangélico do estado (31,2%) teve 27% de votos em Marina, 52% em Dilma e 15% em Serra.
No Rio de Janeiro, Marina teve 29% em um município de alta concentração de evangélicos (30%) como Belford Roxo, 32% na capital (17,7% evangélica) e 37% em Niterói (15,3% evangélica), enquanto Dilma teve 57%, 43% e 35%, respectivamente, nesses municípios (e Serra 12%, 22% e 25%).
A abstenção acima do esperado explica alguma coisa? Não. Se alguém achou surpreendente que a soma de ausências, votos nulos e brancos no Nordeste tenha chegado a 29,34%, devia pensar de novo, pois no primeiro turno de 2006 foi 27,01%. Esses 2,33% de diferença – mesmo que fossem todos votos em Dilma, o que é muito improvável – não explicam por que a votação nela ficou algo abaixo de 60% nos principais estados, em vez dos mais de dois terços que se chegou a esperar. No conjunto do país, o não comparecimento às urnas foi 16,75% em 2006 e 18,12% em 2010: um aumento de apenas 1,37%.
Pode ser, porém, que os institutos de pesquisa tenham deixado de levar em conta as diferenças históricas de comparecimento entre as regiões ao ponderar as médias nacionais das intenções de voto e com isso tenham superestimado a votação em Dilma. Se fizeram isso, poderiam ter evitado o erro. Nos EUA, como em muitos outros países, as pesquisas sempre indagam ao eleitor se ele pretende votar. O fato de o voto ser teoricamente obrigatório no Brasil não justifica negligenciar o fator abstenção.
O mais importante, porém, é que candidatos, partidos e analistas percebem que a decisão do segundo turno não depende de propaganda religiosa ou anti-religiosa, de se ser contra ou a favor da legalização do aborto, mas de convencer um eleitorado centrista e flutuante, desconfiado tanto da esquerda quanto da direita, de que seus interesses práticos e racionais estão mais de um lado que de outro. É muito mais fácil para Dilma do que para Serra – até porque a vitória de Dilma depende de conquistar apenas 16% do voto em Marina, mesmo sem contar os 1% de Plínio que, no segundo turno, poderão votar nulo ou em Dilma, mas jamais em Serra. Mas superestimar a importância do voto religioso e conservador só vai atrapalhar.
Antonio Luiz M. C. Costa
Antonio Luiz M.C.Costa é editor de internacional de CartaCapital e também escreve sobre ciência e ficção científica.
Antonio Luiz M. C. Costa
5 de outubro de 2010 às 19:04h
Religião e aborto são temas que, segundo alguns analistas, podem ter decidido os rumos da eleição presidencial, porém isso não passa de um mal-entendido. Por Antonio Luiz M. C. Costa. Foto: Agência Brasil
A religião e a legalização do aborto se tornaram os grandes temas nacionais, capazes de decidir os rumos da eleição presidencial, conforme parecem defender alguns comentaristas? Parece-nos antes que isso é um mal-entendido, que se for levado a sério pode distorcer terrivelmente os rumos de campanhas e de programas políticos. Considere-se, para começar, a distribuição geográfica, por atacado, dos votos em Marina.
Como se sabe, os votos de Dilma, assim como os votos de Lula em 2006, concentram-se em um arco leste-norte, que vai do Espírito Santo e norte de Minas ao Amazonas, com centro de gravidade no Nordeste. Os votos de Serra, assim como os votos em Alckmin de 2006, concentram-se em um eixo que sai do Sul, tem o centro de gravidade em São Paulo e se estende ao Mato Grosso, com alguns enclaves nas fronteiras nortistas do agronegócio (interior do Pará, Acre, Roraima). A maior diferença em relação ao quadro do primeiro turno de há quatro anos é que o Rio Grande do Sul, em boa parte, “avermelhou”.
O voto da Marina, tido como “verde” – mas só em um sentido convencional, já que só secundariamente tem algo a ver com ambientalismo e menos ainda com a pequena votação do Partido Verde a cargos no legislativo – concentra-se principalmente na fronteira entre as regiões “vermelha” e “azul”: no Sudeste e Centro-Oeste – Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Goiás, Tocantins – embora também sejam significativas, e muito importantes em termos absolutos, as votações em São Paulo, Paraná e nas metrópoles do Nordeste, nos “corações” políticos dos adversários.
Em grandes números, 25% da votação de Marina veio de São Paulo, 28% dos outros estados do Sudeste, 21% do Nordeste, 11% do Sul (principalmente Paraná), 8% do Centro-Oeste e 7% no Norte – muito pouco, por sinal, de seu estado natal, o Acre. Suas votações mais fracas foram as dos estados mais pobres do Nordeste, Maranhão, Piauí e Alagoas (também Sergipe, exceção nesse aspecto) e dos estados politicamente mais polarizados ou com intensas disputas de terras – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Rondônia, Pará – onde há menos espaço para conciliação e “terceira via”.
Só por isso, já é de se pensar que Marina ocupa de fato o espaço que reivindicou ao longo da campanha: de um progressismo moderado, uma terceira via “centrista” entre o PT e o PSDB. Impreciso, com certeza, mas igualmente são imprecisas as ideias políticas de uma parcela importante do eleitorado, chamada “nova classe média”, a classe C ascendente.
É uma camada principalmente urbana, que progrediu em relação aos pais pobres e mal educados, tem certa educação, até superior, está decentemente empregada e precisa cada vez menos de programas sociais como o Bolsa-Família, do SUS ou de novos projetos de saúde e saneamento. Ao mesmo tempo, é mestiça, não está à vontade com a “alta cultura”, tem gostos populares e se sabe desprezada pela elite tradicional. Não se identifica totalmente com as prioridades da esquerda – redução da desigualdade e crescimento econômico – mas também não com as da direita – conservação de privilégios disfarçados em competência e meritocracia. Busca um meio-termo que, assim como Marina, não sabe definir com precisão e chama de “mudança”.
É uma camada que se identifica mais com a história pessoal de Marina, uma ex-empregada doméstica alfabetizada pelo Mobral que “subiu na vida”, fez curso superior e uma carreira política pacífica e respeitada, do que com a carreira de um integrante convencional da elite política como Serra ou com o passado combativo de uma ex-guerrilheira como Dilma. Que tem um vago receio do “comunismo” e do MST e se esforça por se diferenciar das “massas” pobres e turbulentas e hesita em dar um cheque em branco a Dilma e ao PT. Não é a parcela da opinião pública mais conservadora, nem a que tem seu voto definido pelo padre, pelo pastor ou pela questão do aborto. Estes provavelmente votaram em Serra.
Esta interpretação se reforça quando se desce ao detalhe dos votos por município. Recife, capital do estado natal de Lula, não tem uma proporção excepcional de evangélicos pelos padrões brasileiros: apenas 17,6%. Mas 37% dos recifenses votaram em Marina (42% em Dilma, 19% em Serra). Já o município pernambucano de Abreu e Lima, o mais evangélico do estado (31,2%) teve 27% de votos em Marina, 52% em Dilma e 15% em Serra.
No Rio de Janeiro, Marina teve 29% em um município de alta concentração de evangélicos (30%) como Belford Roxo, 32% na capital (17,7% evangélica) e 37% em Niterói (15,3% evangélica), enquanto Dilma teve 57%, 43% e 35%, respectivamente, nesses municípios (e Serra 12%, 22% e 25%).
A abstenção acima do esperado explica alguma coisa? Não. Se alguém achou surpreendente que a soma de ausências, votos nulos e brancos no Nordeste tenha chegado a 29,34%, devia pensar de novo, pois no primeiro turno de 2006 foi 27,01%. Esses 2,33% de diferença – mesmo que fossem todos votos em Dilma, o que é muito improvável – não explicam por que a votação nela ficou algo abaixo de 60% nos principais estados, em vez dos mais de dois terços que se chegou a esperar. No conjunto do país, o não comparecimento às urnas foi 16,75% em 2006 e 18,12% em 2010: um aumento de apenas 1,37%.
Pode ser, porém, que os institutos de pesquisa tenham deixado de levar em conta as diferenças históricas de comparecimento entre as regiões ao ponderar as médias nacionais das intenções de voto e com isso tenham superestimado a votação em Dilma. Se fizeram isso, poderiam ter evitado o erro. Nos EUA, como em muitos outros países, as pesquisas sempre indagam ao eleitor se ele pretende votar. O fato de o voto ser teoricamente obrigatório no Brasil não justifica negligenciar o fator abstenção.
O mais importante, porém, é que candidatos, partidos e analistas percebem que a decisão do segundo turno não depende de propaganda religiosa ou anti-religiosa, de se ser contra ou a favor da legalização do aborto, mas de convencer um eleitorado centrista e flutuante, desconfiado tanto da esquerda quanto da direita, de que seus interesses práticos e racionais estão mais de um lado que de outro. É muito mais fácil para Dilma do que para Serra – até porque a vitória de Dilma depende de conquistar apenas 16% do voto em Marina, mesmo sem contar os 1% de Plínio que, no segundo turno, poderão votar nulo ou em Dilma, mas jamais em Serra. Mas superestimar a importância do voto religioso e conservador só vai atrapalhar.
Antonio Luiz M. C. Costa
Antonio Luiz M.C.Costa é editor de internacional de CartaCapital e também escreve sobre ciência e ficção científica.
Não há como esconder a realidade: no governo Lula, pela primeira vez, os brasileiros puderam se aproximar dos ideais inscritos na Constituição de 1988
Delfim Netto:
Não há como esconder essa realidade: no governo Lula, pela primeira vez, os brasileiros puderam se aproximar dos ideais inscritos na Constituição de 1988, de construção de uma sociedade justa e solidária, capaz de realizar o desenvolvimento, erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades sociais e regionais.
carta capital
Não há como esconder essa realidade: no governo Lula, pela primeira vez, os brasileiros puderam se aproximar dos ideais inscritos na Constituição de 1988, de construção de uma sociedade justa e solidária, capaz de realizar o desenvolvimento, erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades sociais e regionais.
carta capital
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
As 10 chaves da eleição no Brasil
cartamaior
Dilma obteve aproximadamente o mesmo percentual de votos que Lula no primeiro turno das eleições presidenciais de 2002 (46%) e 2006 (47%): quase 47% (46,9%). Em fevereiro deste ano, quando Lula pediu sua proclamação como candidata ao Quarto Congresso do PT, sua intenção de voto era menor que a de Serra e era pouco conhecida pela população. Por isso seu resultado de ontem, é interessante: obteve 47 milhões de votos. Lula seguirá sendo chave na construção da vitória. Não só fará campanha como se ocupará ainda mais do desenho fino da campanha no segundo turno. O artigo é de Martín Granovsky, do Página/12.
Martín Granovsky - Página/12
A maioria das pesquisas dava vitória em primeiro turno para Dilma Rousseff, a candidata do Partido dos Trabalhadores e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não aconteceu. Também essa a era a percepção da maioria dos dirigentes do PT e dos membros do governo, que agora deverão redefinir a estratégia para o segundo turno, no dia 31 de outubro. Outra surpresa foi a votação obtida pela candidata do Partido Verde e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que fez quase 20% dos votos. No entanto, o PT e seus aliados não enfrentam um quadro desesperador. Isso pode ser mostrado por meio dos dez seguintes elementos de análise eleitoral:
1. O Partido dos Trabalhadores conseguiu uma base territorial da qual carecia. A partir de 1° de janeiro de 2011, haverá governadores do PT em Sergipe, Bahia, Rio Grande do Sul e Acre, além do Distrito Federal, Brasília, onde tem altas possibilidades de vencer no segundo turno. Os aliados do PT ganharam, entre outros, os governos do Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Piauí, Mato Grosso, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. Rio e Pernambuco (onde nasceu Lula) estão entre os principais Estados do país em população.
2. Em função dessas vitórias, o PT e seus aliados, principalmente o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), terão maioria no Senado. Só o PT, passou de 8 para 16 senadores. A coalizão oficial ampliou o número de sua bancada na Câmara de Deputados, ainda que os cálculos mais finos devam ser feitos após a divulgação dos resultados finais e da recontagem Estado por Estado.
3. O Partido dos Trabalhadores melhorou seus números no Estado de São Paulo, mas não triunfou. José Serra, do PSDB, de centrodireita, ganhou de Dilma em São Paulo por 41 a 37. É um pobre desempenho de Serra que no último debate jactou-se de sua maior experiência em gestão e recordou que foi prefeito da capital do Estado e governador paulista, cargo que deixou este ano para candidatar-se à presidência da República. Nas eleições para governador, por volta da meia noite de ontem, o petista Aloizio Mercadante esteve a ponto de obter o sucesso histórico de passar para o segundo turno, coisa que nunca havia ocorrido. Mas Geraldo Alckmin, candidato de Serra, superou por décimos a casa dos 50%. Serra foi derrotado por Lula nos dois turnos da eleição presidencial de 2002. E Alckmin ocupou o posto de perdedor nos dois turnos de 2006.
4. O PT ganhou o governo em outro Estado importante, o Rio Grande do Sul, com um de seus principais dirigentes nacionais, o ex-ministro Tarso Genro, que terminou com uma impressionante diferença de 30 pontos sobre o segundo colocado (um dirigente do PMDB) e de 36 pontos sobre o terceiro, do PSDB. No RS, Dilma também ganhou de Serra, mas só por seis pontos. Transferir parte dos votos de Tarso Genro para Dilma é um dos desafios nacionais para o segundo turno.
5. O Rio de Janeiro, por sua vez, coloca um problema sério para o PT. Dilma ganhou a eleição no RJ com 43,76%, mas Marina Silva obteve nada menos que 31,52%. Um aliado petista, Sergio Cabral, ganhou no primeiro turno com 66% dos cotos. Também aqui deveria ter funcionado a transferência de votos, que, como em qualquer país do mundo, não é um fenômeno simples ou automático.
6. Minas Gerais segue sendo, dos grandes Estados, o mais resistente ao PT em termos locais, porque ali venceu o PSDB de Serra no primeiro turno. No entanto, Dilma também ganhou ali por uma diferença importante: 47 contra 31 de Serra. Marina Silva fez uma grande votação, chegando a 21,26%.
7. Dilma obteve aproximadamente o mesmo percentual de votos que Lula no primeiro turno das eleições presidenciais de 2002 (46%) e 2006 (47%): quase 47% (46,9%). É verdade que, em boa medida, os votos se devem ao crescimento econômico, à importância internacional do Brasil, à justiça social e ao próprio Lula. Mas Dilma não tem o carisma nem a popularidade de Lula. Em fevereiro deste ano, quando Lula pediu sua proclamação como candidata ao Quarto Congresso do PT, sua intenção de voto era menor que a de Serra e era pouco conhecida pela população. Por isso seu resultado de ontem, é interessante: obteve 47 milhões de votos em eleições livres.
8. Marina Silva fez uma grande eleição, com 19,4% dos votos, e provocou um baque. Nenhuma pesquisa previu esse resultado. É possível que a ex-ministra de Lula deixe seus eleitores livres para votar, com o que uma parte poderia votar em branco (e favorecer, de fato, a Dilma, porque quem está na frente se beneficia do voto em branco ao aumentar o índice dos votos válidos) e outra dividir-se entre Dilma e Serra. Em nenhum lugar do mundo 20 milhões de votos do primeiro turno se movem em bloco no segundo. Se Marina concentrou o voto descontente com o PT, mas que não queria votar em Serra ou em candidatos ainda mais conservadores, se verá no segundo turno quanto há de descontentamento entusiasmado e quanto de temor de regresso de um presidente ligado, como Serra, à estagnação de Fernando Henrique Cardoso.
9. O PSDB retrocedeu notavelmente em governos e também no Senado. Também foi importante o retrocesso de vários dos antigos coronéis (chefes territoriais) que foram derrotados no Nordeste.
10. Lula seguirá sendo chave na construção da vitória. Não só fará campanha como, segundo anunciaram ontem à noite dirigentes do PT, se ocupará ainda mais do desenho fino dos dias que faltam até o segundo turno. Ele tem, pelo menos, cinco desafios: seduzir eleitores de Marina Silva, melhorar os índices do PT no Rio e em São Paulo, reduzir a abstenção no Nordeste (que chegou a cerca de 20%), convencer militantes e eleitores que não ter vencido no primeiro turno está longe de ser uma derrota, porque obviamente foi uma vitória, e reforçar a percepção de que o que foi alcançado socialmente nos últimos oito anos pode ser perdido em um único dia.
Dilma obteve aproximadamente o mesmo percentual de votos que Lula no primeiro turno das eleições presidenciais de 2002 (46%) e 2006 (47%): quase 47% (46,9%). Em fevereiro deste ano, quando Lula pediu sua proclamação como candidata ao Quarto Congresso do PT, sua intenção de voto era menor que a de Serra e era pouco conhecida pela população. Por isso seu resultado de ontem, é interessante: obteve 47 milhões de votos. Lula seguirá sendo chave na construção da vitória. Não só fará campanha como se ocupará ainda mais do desenho fino da campanha no segundo turno. O artigo é de Martín Granovsky, do Página/12.
Martín Granovsky - Página/12
A maioria das pesquisas dava vitória em primeiro turno para Dilma Rousseff, a candidata do Partido dos Trabalhadores e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não aconteceu. Também essa a era a percepção da maioria dos dirigentes do PT e dos membros do governo, que agora deverão redefinir a estratégia para o segundo turno, no dia 31 de outubro. Outra surpresa foi a votação obtida pela candidata do Partido Verde e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que fez quase 20% dos votos. No entanto, o PT e seus aliados não enfrentam um quadro desesperador. Isso pode ser mostrado por meio dos dez seguintes elementos de análise eleitoral:
1. O Partido dos Trabalhadores conseguiu uma base territorial da qual carecia. A partir de 1° de janeiro de 2011, haverá governadores do PT em Sergipe, Bahia, Rio Grande do Sul e Acre, além do Distrito Federal, Brasília, onde tem altas possibilidades de vencer no segundo turno. Os aliados do PT ganharam, entre outros, os governos do Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Piauí, Mato Grosso, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. Rio e Pernambuco (onde nasceu Lula) estão entre os principais Estados do país em população.
2. Em função dessas vitórias, o PT e seus aliados, principalmente o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), terão maioria no Senado. Só o PT, passou de 8 para 16 senadores. A coalizão oficial ampliou o número de sua bancada na Câmara de Deputados, ainda que os cálculos mais finos devam ser feitos após a divulgação dos resultados finais e da recontagem Estado por Estado.
3. O Partido dos Trabalhadores melhorou seus números no Estado de São Paulo, mas não triunfou. José Serra, do PSDB, de centrodireita, ganhou de Dilma em São Paulo por 41 a 37. É um pobre desempenho de Serra que no último debate jactou-se de sua maior experiência em gestão e recordou que foi prefeito da capital do Estado e governador paulista, cargo que deixou este ano para candidatar-se à presidência da República. Nas eleições para governador, por volta da meia noite de ontem, o petista Aloizio Mercadante esteve a ponto de obter o sucesso histórico de passar para o segundo turno, coisa que nunca havia ocorrido. Mas Geraldo Alckmin, candidato de Serra, superou por décimos a casa dos 50%. Serra foi derrotado por Lula nos dois turnos da eleição presidencial de 2002. E Alckmin ocupou o posto de perdedor nos dois turnos de 2006.
4. O PT ganhou o governo em outro Estado importante, o Rio Grande do Sul, com um de seus principais dirigentes nacionais, o ex-ministro Tarso Genro, que terminou com uma impressionante diferença de 30 pontos sobre o segundo colocado (um dirigente do PMDB) e de 36 pontos sobre o terceiro, do PSDB. No RS, Dilma também ganhou de Serra, mas só por seis pontos. Transferir parte dos votos de Tarso Genro para Dilma é um dos desafios nacionais para o segundo turno.
5. O Rio de Janeiro, por sua vez, coloca um problema sério para o PT. Dilma ganhou a eleição no RJ com 43,76%, mas Marina Silva obteve nada menos que 31,52%. Um aliado petista, Sergio Cabral, ganhou no primeiro turno com 66% dos cotos. Também aqui deveria ter funcionado a transferência de votos, que, como em qualquer país do mundo, não é um fenômeno simples ou automático.
6. Minas Gerais segue sendo, dos grandes Estados, o mais resistente ao PT em termos locais, porque ali venceu o PSDB de Serra no primeiro turno. No entanto, Dilma também ganhou ali por uma diferença importante: 47 contra 31 de Serra. Marina Silva fez uma grande votação, chegando a 21,26%.
7. Dilma obteve aproximadamente o mesmo percentual de votos que Lula no primeiro turno das eleições presidenciais de 2002 (46%) e 2006 (47%): quase 47% (46,9%). É verdade que, em boa medida, os votos se devem ao crescimento econômico, à importância internacional do Brasil, à justiça social e ao próprio Lula. Mas Dilma não tem o carisma nem a popularidade de Lula. Em fevereiro deste ano, quando Lula pediu sua proclamação como candidata ao Quarto Congresso do PT, sua intenção de voto era menor que a de Serra e era pouco conhecida pela população. Por isso seu resultado de ontem, é interessante: obteve 47 milhões de votos em eleições livres.
8. Marina Silva fez uma grande eleição, com 19,4% dos votos, e provocou um baque. Nenhuma pesquisa previu esse resultado. É possível que a ex-ministra de Lula deixe seus eleitores livres para votar, com o que uma parte poderia votar em branco (e favorecer, de fato, a Dilma, porque quem está na frente se beneficia do voto em branco ao aumentar o índice dos votos válidos) e outra dividir-se entre Dilma e Serra. Em nenhum lugar do mundo 20 milhões de votos do primeiro turno se movem em bloco no segundo. Se Marina concentrou o voto descontente com o PT, mas que não queria votar em Serra ou em candidatos ainda mais conservadores, se verá no segundo turno quanto há de descontentamento entusiasmado e quanto de temor de regresso de um presidente ligado, como Serra, à estagnação de Fernando Henrique Cardoso.
9. O PSDB retrocedeu notavelmente em governos e também no Senado. Também foi importante o retrocesso de vários dos antigos coronéis (chefes territoriais) que foram derrotados no Nordeste.
10. Lula seguirá sendo chave na construção da vitória. Não só fará campanha como, segundo anunciaram ontem à noite dirigentes do PT, se ocupará ainda mais do desenho fino dos dias que faltam até o segundo turno. Ele tem, pelo menos, cinco desafios: seduzir eleitores de Marina Silva, melhorar os índices do PT no Rio e em São Paulo, reduzir a abstenção no Nordeste (que chegou a cerca de 20%), convencer militantes e eleitores que não ter vencido no primeiro turno está longe de ser uma derrota, porque obviamente foi uma vitória, e reforçar a percepção de que o que foi alcançado socialmente nos últimos oito anos pode ser perdido em um único dia.
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Salário minímo terá mais avanços nos próximos anos - diz Dilma
Salário minímo terá mais avanços nos próximos anos
Salário minímo terá mais avanços nos próximos anosA- A+ 26.09.2010
A política de valorização do salário mínimo implantada pelo governo Lula vai permitir um piso superior a R$ 600 nos próximos anos, afirmou a candidata Dilma Rousseff no debate da TV Record.
Segundo ela, o acordo firmado com as centrais sindicais levou a um reajuste de 67% acima da inflação até agosto de 2010. No seu governo, o salário mínimo continuará sendo valorizado.
“É uma política de longo prazo, que faz com que o salário mínimo incorpore a inflação e ganhos reais. Daqui para frente, o reajuste sistemático vai levar o salário mínimo, entre 2011 e 2014, bem acima dos R$ 600 prometidos pelo candidato Serra”, disse Dilma.
Casa própria
Ela explicou que a geração de 14,5 milhões de empregos formais aliada à política de valorização do mínimo permitiu que 28 milhões de pessoas saíssem da pobreza. Para Dilma, a criação recorde de vagas com carteira assinada passou pelo programa Minha Casa Minha Vida, que estimula a indústria da construção civil com a meta de 1 milhão de moradias populares em 2010.
“Hoje nós já temos 678 mil contratos realizados. Duas coisas nos mobilizam a fazer 2 milhões de casas a partir de 2011: o sonho da casa própria e a geração de emprego. No passado, achavam que o mercado dava conta de fazer moradias populares. Nós subsidiamos.”
A política de valorização do salário mínimo implantada pelo governo Lula vai permitir um piso superior a R$ 600 nos próximos anos, afirmou a candidata Dilma Rousseff no debate da TV Record.
Segundo ela, o acordo firmado com as centrais sindicais levou a um reajuste de 67% acima da inflação até agosto de 2010. No seu governo, o salário mínimo continuará sendo valorizado.
“É uma política de longo prazo, que faz com que o salário mínimo incorpore a inflação e ganhos reais. Daqui para frente, o reajuste sistemático vai levar o salário mínimo, entre 2011 e 2014, bem acima dos R$ 600 prometidos pelo candidato Serra”, disse Dilma.
Casa própria
Ela explicou que a geração de 14,5 milhões de empregos formais aliada à política de valorização do mínimo permitiu que 28 milhões de pessoas saíssem da pobreza. Para Dilma, a criação recorde de vagas com carteira assinada passou pelo programa Minha Casa Minha Vida, que estimula a indústria da construção civil com a meta de 1 milhão de moradias populares em 2010.
“Hoje nós já temos 678 mil contratos realizados. Duas coisas nos mobilizam a fazer 2 milhões de casas a partir de 2011: o sonho da casa própria e a geração de emprego. No passado, achavam que o mercado dava conta de fazer moradias populares. Nós subsidiamos.”
Salário minímo terá mais avanços nos próximos anosA- A+ 26.09.2010
A política de valorização do salário mínimo implantada pelo governo Lula vai permitir um piso superior a R$ 600 nos próximos anos, afirmou a candidata Dilma Rousseff no debate da TV Record.
Segundo ela, o acordo firmado com as centrais sindicais levou a um reajuste de 67% acima da inflação até agosto de 2010. No seu governo, o salário mínimo continuará sendo valorizado.
“É uma política de longo prazo, que faz com que o salário mínimo incorpore a inflação e ganhos reais. Daqui para frente, o reajuste sistemático vai levar o salário mínimo, entre 2011 e 2014, bem acima dos R$ 600 prometidos pelo candidato Serra”, disse Dilma.
Casa própria
Ela explicou que a geração de 14,5 milhões de empregos formais aliada à política de valorização do mínimo permitiu que 28 milhões de pessoas saíssem da pobreza. Para Dilma, a criação recorde de vagas com carteira assinada passou pelo programa Minha Casa Minha Vida, que estimula a indústria da construção civil com a meta de 1 milhão de moradias populares em 2010.
“Hoje nós já temos 678 mil contratos realizados. Duas coisas nos mobilizam a fazer 2 milhões de casas a partir de 2011: o sonho da casa própria e a geração de emprego. No passado, achavam que o mercado dava conta de fazer moradias populares. Nós subsidiamos.”
A política de valorização do salário mínimo implantada pelo governo Lula vai permitir um piso superior a R$ 600 nos próximos anos, afirmou a candidata Dilma Rousseff no debate da TV Record.
Segundo ela, o acordo firmado com as centrais sindicais levou a um reajuste de 67% acima da inflação até agosto de 2010. No seu governo, o salário mínimo continuará sendo valorizado.
“É uma política de longo prazo, que faz com que o salário mínimo incorpore a inflação e ganhos reais. Daqui para frente, o reajuste sistemático vai levar o salário mínimo, entre 2011 e 2014, bem acima dos R$ 600 prometidos pelo candidato Serra”, disse Dilma.
Casa própria
Ela explicou que a geração de 14,5 milhões de empregos formais aliada à política de valorização do mínimo permitiu que 28 milhões de pessoas saíssem da pobreza. Para Dilma, a criação recorde de vagas com carteira assinada passou pelo programa Minha Casa Minha Vida, que estimula a indústria da construção civil com a meta de 1 milhão de moradias populares em 2010.
“Hoje nós já temos 678 mil contratos realizados. Duas coisas nos mobilizam a fazer 2 milhões de casas a partir de 2011: o sonho da casa própria e a geração de emprego. No passado, achavam que o mercado dava conta de fazer moradias populares. Nós subsidiamos.”
sábado, 25 de setembro de 2010
Dilma Rousseff: "ao ódio, nós, vamos responder com esperança.
COMÍCIO, RS
A candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, alertou que "ao ódio, nós, vamos responder com esperança. Somos democratas porque acreditamos no povo e na liberdade de expressão". A ex-ministra declarou que "nunca um governo fez tanto pelo Rio Grande do Sul como o governo Lula".
A candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, alertou que "ao ódio, nós, vamos responder com esperança. Somos democratas porque acreditamos no povo e na liberdade de expressão". A ex-ministra declarou que "nunca um governo fez tanto pelo Rio Grande do Sul como o governo Lula".
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Dilma rejeita o clima de ódio da oposição na campanha demotucana
Em comício que mobilizou o bairro mais populoso de Curitiba, o Sítio Cercado, a candidata Dilma Rousseff rejeitou o clima de ódio que os adversários tentam criar às vésperas da eleição e convocou os eleitores a combatê-lo com amor. Ao lado do presidente Lula, a candidata afirmou que o povo não é “tolo” e não acreditará em quem nada fez quando governou o Brasil.
“Muita gente promete muita coisa. Meu adversário, por exemplo, vive prometendo. Mas quando puderam mais, fizeram menos. Quando estavam no governo, não criaram o Bolsa Família, não aumentaram o salário mínimo", disse Dilma. "Agora, na hora da eleição, prometem mundos e fundos pensando que o povo é tolo. Mas o povo não é tolo.”
Ela atribuiu ao desespero a tentativa dos adversários de criar um clima de ódio na reta final da eleição. Segundo Dilma, o povo voltou a sonhar no governo Lula e saberá escolher o caminho da oportunidade.
“Na hora do desespero, meus adversários levantam falsidades e mentiras, e tentam criar um clima de ódio. Vamos combater o ódio que eles tentam destilar com amor ao povo brasileiro e esperança no futuro no Brasil”, afirmou.
Lula
Mas, para o presidente Lula, o povo brasileiro já aprendeu a fazer a distinção entre verdade e mentira. E Já aprendeu também que um metalúrgico tem mais competência que a elite política para governar o Brasil.
“O povo não se engana mais. Quem a vida inteira foi governo e não fez, não pode chegar na véspera da eleição e dizer que vai aumentar o salário mínimo se passou a vida inteira arrochando o salário mínimo”, criticou.
Segundo Lula, há dois projetos em disputa nestas eleições. Enquanto Dilma representa o reforço da soberania nacional, os adversários representam as privatizações. O presidente lembrou que encontrou a indústria naval “desmontada”, empregando apenas 1,6 mil trabalhadores. Hoje, são mais de 50 mil trabalhadores construindo plataformas com tecnologia brasileira.
“O que está em jogo neste momento é o projeto de soberania nacional e o projeto de entrega [do país pelo PSDB], porque eles achavam que o mercado por si só resolveria os problemas da sociedade brasileira”, disse
“Muita gente promete muita coisa. Meu adversário, por exemplo, vive prometendo. Mas quando puderam mais, fizeram menos. Quando estavam no governo, não criaram o Bolsa Família, não aumentaram o salário mínimo", disse Dilma. "Agora, na hora da eleição, prometem mundos e fundos pensando que o povo é tolo. Mas o povo não é tolo.”
Ela atribuiu ao desespero a tentativa dos adversários de criar um clima de ódio na reta final da eleição. Segundo Dilma, o povo voltou a sonhar no governo Lula e saberá escolher o caminho da oportunidade.
“Na hora do desespero, meus adversários levantam falsidades e mentiras, e tentam criar um clima de ódio. Vamos combater o ódio que eles tentam destilar com amor ao povo brasileiro e esperança no futuro no Brasil”, afirmou.
Lula
Mas, para o presidente Lula, o povo brasileiro já aprendeu a fazer a distinção entre verdade e mentira. E Já aprendeu também que um metalúrgico tem mais competência que a elite política para governar o Brasil.
“O povo não se engana mais. Quem a vida inteira foi governo e não fez, não pode chegar na véspera da eleição e dizer que vai aumentar o salário mínimo se passou a vida inteira arrochando o salário mínimo”, criticou.
Segundo Lula, há dois projetos em disputa nestas eleições. Enquanto Dilma representa o reforço da soberania nacional, os adversários representam as privatizações. O presidente lembrou que encontrou a indústria naval “desmontada”, empregando apenas 1,6 mil trabalhadores. Hoje, são mais de 50 mil trabalhadores construindo plataformas com tecnologia brasileira.
“O que está em jogo neste momento é o projeto de soberania nacional e o projeto de entrega [do país pelo PSDB], porque eles achavam que o mercado por si só resolveria os problemas da sociedade brasileira”, disse
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Vídeo: Dilma, pungente,protesta veementemente contra manipulação da Folha de São Paulo
do conversa afiada
eleição no Brasil é entre a Dilma e o PiG (*).
A 12 dias da eleição, Dilma perdeu a paciência e foi para a jugular do Otavinho.
Desde Leonel Brizola que não se vê um homem público enfrentar o PiG (*) com essa coragem.
O Otavinho não perde por esperar.
Confira o vídeo e o post do Tijolaço, de Brizola Neto:
Sensacional: Dilma senta a pua na Folha
Vídeo: Dilma acusa Folha
de má fé e vai para a jugular
Publicado em 20/09/2010 Compartilhe | Imprima | Vote (+28)
A eleição no Brasil é entre a Dilma e o PiG (*).
A 12 dias da eleição, Dilma perdeu a paciência e foi para a jugular do Otavinho.
Desde Leonel Brizola que não se vê um homem público enfrentar o PiG (*) com essa coragem.
O Otavinho não perde por esperar.
Confira o vídeo e o post do Tijolaço, de Brizola Neto:
Sensacional: Dilma senta a pua na Folha
O Otavinho manipula escandalosamente
Agora de manhã, Dilma dá uma entrevista indignada com a sujeira da Folha, que mais cedo eu já havia apontado cedo aqui. Dá-lhe, Dilma, é assim que a gente faz com gente de má-fé. Isso é coisa de quem tem caráter, não bi-bi-bi de quem não tem uma vida honrada a zelar. Assista o vídeo aí em cima. Dilma é mineira, mas hoje, dia da Revolução dos Farrapos, mostra que tem os sentimentos que os gaúchos tanto prezam, o da honra e o da dignidade.
.
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
Dilma protesta contra reportagem do jornal Folha de São Paulo
A candidata Dilma Rousseff protestou contra a postura “parcial” adotada pelo jornal Folha de S. Paulo numa matéria publicada na edição de hoje (20).
A publicação deixou de informar que Dilma teve todas as suas contas aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS), quando foi secretária do governo estadual.
Ela falou sobre o tema durante uma visita ao bairro Alcântara, em São Gonçalo (RJ). Dilma tomou café na Lanchonete Dom Nato com o governador Sérgio Cabral e alguns candidatos ao Senado e à Câmara dos Deputados.
O jornal tenta estabelecer uma relação entre a empresa Meta Instituto de Pesquisa e Dilma, porém não apresenta qualquer prova e não informa que as contas foram todas aprovadas. A Folha ainda usa pareceres do TCE sem citar qual foi a decisão final do tribunal, que foi pela aprovação total das contas geridas pela petista.
“Eu quero fazer um protesto veemente contra a parcialidade do jornal Folha de S. Paulo", afirmou. "Todas as minhas contas foram aprovadas. Todas. Esta informação não está na matéria. Chega ao ponto de me acusar de eu ter feito um contrato em 94 e depois a empresa ter feito um contrato em 2009. É a única acusação de futuro que já vi na vida."
Dilma contou que a contratação da Meta foi por tomada de preços e leu um trecho do parecer do Ministério Público no processo que foi analisado pelo TCE, demonstrando que ela não podia ser responsabilizada pela falta de funcionários na Secretaria de Energia do estado.
“Em algum momento da matéria ficou claro para vocês que eu tive as contas aprovadas? Não. Esta informação, extremamente relevante, foi ocultada. A matéria é parcial e de má fé", disse Dilma.
A candidata lamentou que o jornal tenha agido de má fé ao abordar o tema. “Me acusar porque em 2009 a Secom [Secretaria de Comnicação Social da Presidência da República] contratou a Meta é de fato um absurdo. É prova absoluta de má fé.”
Assista ao vídeo com o trecho da entrevista de Dilma.
Segue abaixo a transcrição na íntegra da fala de Dilma:
Eu quero fazer um protesto veemente contra a parcialidade do jornal Folha de S. Paulo. Eu fui julgada em todos os anos, vou dizer precisamente quais anos, pelo TCE: 93, 94, 95, 2000, 2001, 2002. Todas as minhas contas foram aprovadas. Todas. Esta informação não está na matéria. Chega ao ponto de me acusar de eu ter feito um contrato em 94 e depois a empresa ter feito um contrato em 2009. É a única acusação de futuro que já vi na vida. Ou seja, a minha responsabilidade é porque 10 anos depois fizeram um contrato com a empresa. Que história é essa?
Em algum momento da matéria ficou claro para vocês que eu tive as contas aprovadas? Não. Esta informação, extremamente relevante, foi ocultada. A matéria é parcial e de má fé. Além disso, eu cheguei na Secretaria de Energia do Rio Grande do Sul e tinha dois funcionários concursados. Não se faz uma secretaria com dois funcionários concursados.
O parecer do Ministério Público [diz]: ´considerando que a situação em tela se trata de deficiência de ordem estrutural, que perdura de longa data, e as procedentes manifestações da senhora Dilma Vana Rousseff, somos da opinião que a mesma não pode ser responsabilizada´.
O voto do pleno do tribunal é pela aprovação das minhas contas.
Eu gostaria de saber onde está isso escrito nessa matéria? Onde essa matéria parcial, enviesada, colocou que as minhas contas foram aprovadas? Todas [as contas foram aprovadas]. Eu nunca tive uma conta rejeitada.
Me acusar? Sabe o que era a pesquisa da Meta [empresa de consultoria]? Sobre emprego e desemprego. Porque na época [a fundação] Seade/Dieese de São Paulo tinha feito uma apuração de emprego e desemprego. Contratamos por tomada de preço a empresa Meta.
Me acusar porque em 2009 a Secom [Secretaria de Comnicação Social da Presidência da República] contratou a Meta é de fato um absurdo. É prova absoluta de má fé. Pergunto outra vez: onde está na matéria que minhas contas foram aprovadas? Em que parte da matéria está isso?
No meu blog eu vou colocar todas as manifestações do tribunal para evitar essa distorção escandalosa cometida contra mim pelo jornal Folha de S. Paulo.
sábado, 18 de setembro de 2010
Onda vermelha avança nos estados
Na reta final das campanhas, pesa a influência do cabo eleitoral mais popular do Brasil, o presidente Lula, segundo as últimas pesquisas divulgadas pelos institutos Datafolha e Ibope para os governos dos 26 estados e do Distrito Federal. Os candidatos governistas lideram as pesquisas em 16 deles, e os de oposição, em oito, embora estejam vencendo em estados importantes, como São Paulo e Minas Gerais. Em quatro estados, as pesquisas mostram empate técnico: Paraná, Alagoas, Rondônia e Tocantins.
Entre as variações dos últimos dias, chama atenção o Paraná.
Pesquisa Datafolha mostra que o tucano Beto Richa, antes favorito, está tecnicamente empatado com o pedetista Osmar Dias. Richa ainda está numericamente à frente - 45% a 40%. Na capital e na região metropolitana, embora tenha 58% das intenções de voto, contra 28% de Dias, o tucano voltou a cair. No início de agosto, chegou a ter 68%. O pedetista já está numericamente à frente no interior: 45% contra 40%.
Aliados de Dias avaliam que houve uma "federalização da campanha" no Paraná, com a participação direta de Lula e a percepção do eleitorado de que ele apoia o candidato do PDT.
Há ainda a participação do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, na campanha da mulher, Gleisi Hoffman, ao Senado.
O governo entrou pesado na campanha. É compreensível o crescimento do Osmar. Lula também gravou para os candidatos e há o peso de sua imagem. disse o deputado Gustavo Fruet (PSDB), candidato ao Senado.
Para os governistas, o importante é que Dilma ainda está na frente em Curitiba. Eles contam com a ida de Lula ao estado na próxima semana.
- A curva de crescimento de Dias é consistente. O outro candidato está vivendo o isolamento político - disse Rocha Loures, candidato a vice de Dias.
Entre as variações dos últimos dias, chama atenção o Paraná.
Pesquisa Datafolha mostra que o tucano Beto Richa, antes favorito, está tecnicamente empatado com o pedetista Osmar Dias. Richa ainda está numericamente à frente - 45% a 40%. Na capital e na região metropolitana, embora tenha 58% das intenções de voto, contra 28% de Dias, o tucano voltou a cair. No início de agosto, chegou a ter 68%. O pedetista já está numericamente à frente no interior: 45% contra 40%.
Aliados de Dias avaliam que houve uma "federalização da campanha" no Paraná, com a participação direta de Lula e a percepção do eleitorado de que ele apoia o candidato do PDT.
Há ainda a participação do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, na campanha da mulher, Gleisi Hoffman, ao Senado.
O governo entrou pesado na campanha. É compreensível o crescimento do Osmar. Lula também gravou para os candidatos e há o peso de sua imagem. disse o deputado Gustavo Fruet (PSDB), candidato ao Senado.
Para os governistas, o importante é que Dilma ainda está na frente em Curitiba. Eles contam com a ida de Lula ao estado na próxima semana.
- A curva de crescimento de Dias é consistente. O outro candidato está vivendo o isolamento político - disse Rocha Loures, candidato a vice de Dias.
Histórico: Pela pimeira vez Lula critica Partido da Iprensa Golpista e diz que a revista Veja "destila ódio e mentira",
Notícia do G1 informa que Lula entrou na briga direta contra a parte serrista da imprensa e chegou a se referir abertamente à revista Veja, embora através do apelido "Óia" que circula na internet.
Para o bem ou para o mal (pois as consequências dessa atitude são motivo para debate), esse pronunciamento, nesse comício, tornou-se um dia histórico, no sentido de um marco importante para observar o futuro governo.
Aqui vai a notícia:
'Vamos derrotar tucanos e alguns jornais e revistas', diz Lula em ato
Em comício de Dilma, presidente investe contra 'alguns jornais e revistas'.
Setores da imprensa 'não têm coragem de dizer que têm candidato', afirma.
Dois dias após a saída da ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, desgastada por denúncias de tráfico de influência reveladas pela imprensa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez neste sábado (18), durante comício em Campinas (SP), críticas severas ao que classificou como "alguns jornais e revistas que se comportam como partido político".
Em palanque da campanha de Dilma Rousseff à Presidência, Lula recomendou que a candidata não "perca o bom humor" por denúncias.
"Se mantenham tranquilos, porque outra vez, Dilma, nós não vamos derrotar apenas os nossos adversários tucanos. Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem partido político e não tem coragem de dizer que são partido político, que têm candidato e não têm coragem de dizer que têm candidato, que não são democratas e pensam que são", disse o presidente.
Lula fez referência jocosa à revista semanal "Veja", que publicou no dia 11 a primeira denúncia sobre suposto tráfico de influência na Casa Civil e voltou ao tema na edição deste sábado.
"Eu fico vendo algumas revistas que vão sair na semana, sobretudo uma que não sei o nome dela, parece 'olha', nordestino falaria 'óia' . Ela destila ódio e mentira", afirmou o presidente.
O advogado da "Veja" Alexandre Fidalgo afirmou que as declarações do presidente Lula devem ser comentadas pela assessoria de imprensa do Grupo Abril a partir de segunda-feira.
'Estava com coceira na língua' para falar, diz Lula
Ao início do discurso, Lula disse que estava com “coceira na língua” para falar. “A Dilma pediu para me conter, o presidente do partido pediu pra me conter, mas não vou me conter”, afirmou, seguido por gritos de "fala" do público.
“Estou com muita dúvida em relação ao que falar. Eu preciso ser um homem contido porque sou presidente da República e pelo fato de ser presidente eu preciso medir minhas palavras para que os nossos adversários não inventem coisas a meu respeito”, disse.
Ao longo do discurso vieram as críticas a "determinados setores" da imprensa.
"Tem dia em que determinados setores da imprensa brasileira chegam a ser uma vergonha. Se o dono do jornal lesse o seu jornal ou o dono da revista lesse a sua revista, eles ficariam com vergonha do que estão escrevendo exatamente neste momento. Eles falam em democracia, mas a democracia que eles não se conformam é ver o crescimento da economia. O que eles não se conformam é que um metalúrgico fez mais universidades do que os presidentes elitistas desse país", disse.
Duro nas críticas à imprensa, Lula optou por ironias e provocações nas referências ao PSDB e à candidatura de José Serra à Presidência.
Afirmou que, após eventual vitória de Aloizio Mercadante (PT) para o governo paulista, criaria um "Bolsa Famíia para tucanos não passarem fome em São Paulo".
"Você sabe que tucano come até o próprio filhote, eles são danados. Ninguém tem o bico daquele tamanho para nada. Não há colher que encha aquele bico de comida, então tem que ser um pessoal falador, prometedor. O pessoal está prometendo ate aumentar o salário mínimo", disse Lula, em referência à proposta de Serra de elevar o mínimo a R$ 600
Para o bem ou para o mal (pois as consequências dessa atitude são motivo para debate), esse pronunciamento, nesse comício, tornou-se um dia histórico, no sentido de um marco importante para observar o futuro governo.
Aqui vai a notícia:
'Vamos derrotar tucanos e alguns jornais e revistas', diz Lula em ato
Em comício de Dilma, presidente investe contra 'alguns jornais e revistas'.
Setores da imprensa 'não têm coragem de dizer que têm candidato', afirma.
Dois dias após a saída da ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, desgastada por denúncias de tráfico de influência reveladas pela imprensa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez neste sábado (18), durante comício em Campinas (SP), críticas severas ao que classificou como "alguns jornais e revistas que se comportam como partido político".
Em palanque da campanha de Dilma Rousseff à Presidência, Lula recomendou que a candidata não "perca o bom humor" por denúncias.
"Se mantenham tranquilos, porque outra vez, Dilma, nós não vamos derrotar apenas os nossos adversários tucanos. Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem partido político e não tem coragem de dizer que são partido político, que têm candidato e não têm coragem de dizer que têm candidato, que não são democratas e pensam que são", disse o presidente.
Lula fez referência jocosa à revista semanal "Veja", que publicou no dia 11 a primeira denúncia sobre suposto tráfico de influência na Casa Civil e voltou ao tema na edição deste sábado.
"Eu fico vendo algumas revistas que vão sair na semana, sobretudo uma que não sei o nome dela, parece 'olha', nordestino falaria 'óia' . Ela destila ódio e mentira", afirmou o presidente.
O advogado da "Veja" Alexandre Fidalgo afirmou que as declarações do presidente Lula devem ser comentadas pela assessoria de imprensa do Grupo Abril a partir de segunda-feira.
'Estava com coceira na língua' para falar, diz Lula
Ao início do discurso, Lula disse que estava com “coceira na língua” para falar. “A Dilma pediu para me conter, o presidente do partido pediu pra me conter, mas não vou me conter”, afirmou, seguido por gritos de "fala" do público.
“Estou com muita dúvida em relação ao que falar. Eu preciso ser um homem contido porque sou presidente da República e pelo fato de ser presidente eu preciso medir minhas palavras para que os nossos adversários não inventem coisas a meu respeito”, disse.
Ao longo do discurso vieram as críticas a "determinados setores" da imprensa.
"Tem dia em que determinados setores da imprensa brasileira chegam a ser uma vergonha. Se o dono do jornal lesse o seu jornal ou o dono da revista lesse a sua revista, eles ficariam com vergonha do que estão escrevendo exatamente neste momento. Eles falam em democracia, mas a democracia que eles não se conformam é ver o crescimento da economia. O que eles não se conformam é que um metalúrgico fez mais universidades do que os presidentes elitistas desse país", disse.
Duro nas críticas à imprensa, Lula optou por ironias e provocações nas referências ao PSDB e à candidatura de José Serra à Presidência.
Afirmou que, após eventual vitória de Aloizio Mercadante (PT) para o governo paulista, criaria um "Bolsa Famíia para tucanos não passarem fome em São Paulo".
"Você sabe que tucano come até o próprio filhote, eles são danados. Ninguém tem o bico daquele tamanho para nada. Não há colher que encha aquele bico de comida, então tem que ser um pessoal falador, prometedor. O pessoal está prometendo ate aumentar o salário mínimo", disse Lula, em referência à proposta de Serra de elevar o mínimo a R$ 600
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sábado, 11 de setembro de 2010
A economia arrumada e a surra dos fatos
Rodrigo Vianna, do blog Escrevinhador:
Nos anos 70, o Brasil crescia num ritmo que hoje qualificaríamos como “chinês”. Só que não distribuía renda. Sob ditadura militar, os czares da economia (como o professor Delfim Neto) diziam que era preciso “fazer o bolo crescer, para depois dividi-lo”. Na oposição, a turma de economistas do MDB (Maria Conceição Tavares e Celso Furtado eram as bússolas dessa turma) dizia que era possível, sim, crescer e distribuir renda – ao mesmo tempo. Não foram ouvidos.
O modelo de concentração dos militares deixou o Brasil mais injusto, e ainda nos legou a hiperinflação, que explodiu no colo de Sarney. Quando o MDB chegou ao poder, a casa estava tão desarrumada que eles não conseguiram dar jeito: Planos Cruzado 1 e 2, Bresser… E nada. O caldo entornou, e o liberalismo à moda Margareth Tatcher parecia a única receita à mão.
Nos anos 90, sob FHC, o Brasil controlou a inflação mas esqueceu de crescer. Limitações estruturais, diziam os tucanos, impediam o país de ter uma economia equilibrada e forte ao mesmo tempo. Parecia maldição.
Sob Lula, finalmente, a equação fechou. Hoje, temos crescimento semelhante ao da época da ditadura, distribuição de renda e inflação sob controle. Não é à toa que Conceição Tavares (que também foi professora de Serra) escolheu votar em Dilma. O governo petista botou em prática a receita dos economistas do MDB. Lula expandiu o mercado interno, transformou o capitalismo para poucos (marca brasileira) num capitalismo para muitos. É um governo social-democrata, com tinturas brasileiras. Mercado relativamente livre, mas com a mão do Estado sempre pronta para agir. Estado democrático, aberto e plural – diga-se, nesse momento em que os tucanos desesperados apelam e tentam vender a imagem de que o país caminha para a ditadura. Só rindo muito…
O Banco Central acaba de sinalizar que os juros devem voltar a cair no Brasil. O “Estadão” até deu um tempo nas manchetes sobre o “escândalo” da receita, para reconhecer o óbvio. E por que os juros caem? Porque a inflação voltou pra perto de zero (pelo terceiro mês seguido). No acumulado de 12 meses, a taxa está abaixo da meta de 4,5%. Ao mesmo tempo, a economia cresce em torno de 7% a 8%. E a miséria se reduz.
Ah, o Lula tem sorte, diziam meus amigos tucanos durante o primeiro mandato. “Ele não pegou crises bravas, como o FHC”.
Aí veio 2008, os EUA desmancharam (a tal ponto que brasileiros compram até o Burger King), e a Europa ameaçou ruir…
E o Brasil?
O Brasil cresce, com inflação sob controle e distribuição de renda. Isso é sorte? Ou é escolha e ação?
Quando a crise veio, há dois anos, os “consultores” liberais diziam que Mantega/Lula estavam errados por expandir o gasto público e usar os bancos estatais na reação ao tumulto financeiro mundial. A velha receita dos consultores e economistas atucanados era: apertar o cinto, reduzir gastos. Isso teria lançado o Brasil numa espiral invertida, de estagnação e desemprego.
Lula/Mantega fizeram a escolha oposta: gastar, e colocar os bancos estatais pra emprestar. Ajudaram a economia a reagir, não com dinheiro público a fundo perdido na mão de banqueiros e empresário privados (como fizeram Obama e Merkel, por exemplo). Mas com empréstimos, que serão pagos.
Por que o Brasil pode reagir à crise? Porque não privatizou seus bancos públicos. Caixa Economica Federal, Banco do Brasil e BNDES cumpriram um papel decisivo. O programa tucano incluía privatizar tudo, como se fez na Argentina – sob Menem.
O desafio de Dilma é manter tudo isso, e recuperar a capacidade de inovação da Indústria brasileira. O país não pode mais assistir sua balança comercial ser engordada quase que apenas com produtos primários. O Brasil precisa escolher alguns setores-chave e fortalecer sua indúsria nessas áreas. O Brasil precisa ter montadora nacional de carros, fábricas de computadores (ou, ao menos, de componentes para computadores). Esse é o desafio. Não podemos andar pra trás e virar uma fazenda pra alimentar chinês!
Poucos países no Mundo possuem a estrutura pública para crédito que o Brasil conseguiu manter. Os EUA não tem um BNDES. A China tem ferramentas parecidas com as brasileiras. Mas sob partido único, e sem liberdade.
Não se trata de discurso de “jornalista petralha”, como dizem por aí blogueiros (eles, sim) apedeutas e sujos.
Não é à toa que economistas não-alinhados com os velhos liberais brazucas reconhecem os avanços. Como fez o italiano Pier Carlo Padoan, nessa entrevista à BBC.
E não é à toa que a Ana – a moça que faz a limpeza e a arrumação lá em casa – chegou outro dia para trabalhar dirigindo o carro que comprou – financiado.
Perguntei para a Ana o que ela acha das denúncias contra o Lula. “No meu bairro, lá na periferia da zona leste, ou na minha terra, lá na Bahia, se o sujeito falar mal do Lula e da turma do Lula, ele corre o risco de apanhar.”
Bem, de certa forma, é o que os tucanos estão aprendendo agora. Estão levando uma surra. Quanto mais usam a velha mídia para bater no PT e em Lula, maior é a pancada que lhes volta na testa.
É uma surra dos fatos, dos números da economia. E vai virar uma surra de votos.
Nos anos 70, o Brasil crescia num ritmo que hoje qualificaríamos como “chinês”. Só que não distribuía renda. Sob ditadura militar, os czares da economia (como o professor Delfim Neto) diziam que era preciso “fazer o bolo crescer, para depois dividi-lo”. Na oposição, a turma de economistas do MDB (Maria Conceição Tavares e Celso Furtado eram as bússolas dessa turma) dizia que era possível, sim, crescer e distribuir renda – ao mesmo tempo. Não foram ouvidos.
O modelo de concentração dos militares deixou o Brasil mais injusto, e ainda nos legou a hiperinflação, que explodiu no colo de Sarney. Quando o MDB chegou ao poder, a casa estava tão desarrumada que eles não conseguiram dar jeito: Planos Cruzado 1 e 2, Bresser… E nada. O caldo entornou, e o liberalismo à moda Margareth Tatcher parecia a única receita à mão.
Nos anos 90, sob FHC, o Brasil controlou a inflação mas esqueceu de crescer. Limitações estruturais, diziam os tucanos, impediam o país de ter uma economia equilibrada e forte ao mesmo tempo. Parecia maldição.
Sob Lula, finalmente, a equação fechou. Hoje, temos crescimento semelhante ao da época da ditadura, distribuição de renda e inflação sob controle. Não é à toa que Conceição Tavares (que também foi professora de Serra) escolheu votar em Dilma. O governo petista botou em prática a receita dos economistas do MDB. Lula expandiu o mercado interno, transformou o capitalismo para poucos (marca brasileira) num capitalismo para muitos. É um governo social-democrata, com tinturas brasileiras. Mercado relativamente livre, mas com a mão do Estado sempre pronta para agir. Estado democrático, aberto e plural – diga-se, nesse momento em que os tucanos desesperados apelam e tentam vender a imagem de que o país caminha para a ditadura. Só rindo muito…
O Banco Central acaba de sinalizar que os juros devem voltar a cair no Brasil. O “Estadão” até deu um tempo nas manchetes sobre o “escândalo” da receita, para reconhecer o óbvio. E por que os juros caem? Porque a inflação voltou pra perto de zero (pelo terceiro mês seguido). No acumulado de 12 meses, a taxa está abaixo da meta de 4,5%. Ao mesmo tempo, a economia cresce em torno de 7% a 8%. E a miséria se reduz.
Ah, o Lula tem sorte, diziam meus amigos tucanos durante o primeiro mandato. “Ele não pegou crises bravas, como o FHC”.
Aí veio 2008, os EUA desmancharam (a tal ponto que brasileiros compram até o Burger King), e a Europa ameaçou ruir…
E o Brasil?
O Brasil cresce, com inflação sob controle e distribuição de renda. Isso é sorte? Ou é escolha e ação?
Quando a crise veio, há dois anos, os “consultores” liberais diziam que Mantega/Lula estavam errados por expandir o gasto público e usar os bancos estatais na reação ao tumulto financeiro mundial. A velha receita dos consultores e economistas atucanados era: apertar o cinto, reduzir gastos. Isso teria lançado o Brasil numa espiral invertida, de estagnação e desemprego.
Lula/Mantega fizeram a escolha oposta: gastar, e colocar os bancos estatais pra emprestar. Ajudaram a economia a reagir, não com dinheiro público a fundo perdido na mão de banqueiros e empresário privados (como fizeram Obama e Merkel, por exemplo). Mas com empréstimos, que serão pagos.
Por que o Brasil pode reagir à crise? Porque não privatizou seus bancos públicos. Caixa Economica Federal, Banco do Brasil e BNDES cumpriram um papel decisivo. O programa tucano incluía privatizar tudo, como se fez na Argentina – sob Menem.
O desafio de Dilma é manter tudo isso, e recuperar a capacidade de inovação da Indústria brasileira. O país não pode mais assistir sua balança comercial ser engordada quase que apenas com produtos primários. O Brasil precisa escolher alguns setores-chave e fortalecer sua indúsria nessas áreas. O Brasil precisa ter montadora nacional de carros, fábricas de computadores (ou, ao menos, de componentes para computadores). Esse é o desafio. Não podemos andar pra trás e virar uma fazenda pra alimentar chinês!
Poucos países no Mundo possuem a estrutura pública para crédito que o Brasil conseguiu manter. Os EUA não tem um BNDES. A China tem ferramentas parecidas com as brasileiras. Mas sob partido único, e sem liberdade.
Não se trata de discurso de “jornalista petralha”, como dizem por aí blogueiros (eles, sim) apedeutas e sujos.
Não é à toa que economistas não-alinhados com os velhos liberais brazucas reconhecem os avanços. Como fez o italiano Pier Carlo Padoan, nessa entrevista à BBC.
E não é à toa que a Ana – a moça que faz a limpeza e a arrumação lá em casa – chegou outro dia para trabalhar dirigindo o carro que comprou – financiado.
Perguntei para a Ana o que ela acha das denúncias contra o Lula. “No meu bairro, lá na periferia da zona leste, ou na minha terra, lá na Bahia, se o sujeito falar mal do Lula e da turma do Lula, ele corre o risco de apanhar.”
Bem, de certa forma, é o que os tucanos estão aprendendo agora. Estão levando uma surra. Quanto mais usam a velha mídia para bater no PT e em Lula, maior é a pancada que lhes volta na testa.
É uma surra dos fatos, dos números da economia. E vai virar uma surra de votos.
Boas-vindas à normalidade
RENATO JANINE RIBEIRO
Em qualquer democracia parlamentar -isto é, em quase toda a União Europeia, Japão, Índia, Canadá, Austrália e Nova Zelândia-, essa pergunta não faria sentido.
No parlamentarismo, o governo só é governo porque tem maioria no Legislativo. Este geralmente tem uma Câmara baixa, eleita pelo povo, que é a mais importante. Mas, com frequência, dispõe também de uma "outra Casa", que alguns chamam de Senado, com menos poderes, porém, ainda assim, capaz de interferir na vida política.
A pergunta só cabe, então, no presidencialismo, forma típica do continente americano, mas presente em versões "semi", que produzem parlamentarismo atenuado, na França, Portugal e outros países.
O modelo do presidencialismo democrático são os Estados Unidos. Até acontece que seu presidente não tenha maioria numa ou nas duas Casas. Mas tal situação tende a ser traumática, como se viu nas tentativas de inviabilizar a administração Clinton. Portanto, o normal é o povo dar maioria ao mesmo partido no Executivo e nas duas Casas, e não o contrário.
Aliás, ter maioria no Executivo e no Legislativo também é regra em nosso país. Deve ser raro o Estado ou cidade em que o governador não conte com uma maioria tranquila na Assembleia, ou o prefeito na Câmara Municipal.
Isso talvez seja mais fácil porque, em nosso país multipartidário, nem todos os maiores partidos estão presentes em todos os cantos, e, por isso, o mandatário local lida com menos agremiações que o presidente da República; mas a principal razão é que o poder atrai.
Já na esfera federal, dos nossos presidentes eleitos após 1985, FHC conseguiu do Congresso tudo o que queria, até a reeleição, desfrutando de confortável maioria. Collor só teve problemas no Parlamento quando o povo exigiu sua saída. Lula sofreu uma derrota maior, ao não aprovar a renovação da CPMF.
Penso que a questão exige uma distinção importante. Geralmente, o Executivo governa com uma maioria definida após as eleições, por mecanismos que a elegância sugere chamar de "cooptação" ou atração, mas que por vezes não têm elegância nenhuma.
O que aqui se pergunta é outra coisa: e se a maioria for definida não depois das eleições, por parlamentares que terão mais ou menos traído seus eleitores, passando para o lado do vencedor, mas antes dela, por candidatos que terão sido eleitos prometendo apoiar a candidatura vitoriosa?
Eticamente, é muito melhor assim. Prefiro uma maioria gestada nas urnas a uma consagrada pelo Tesouro Público -isto é, pelo dinheiro meu, seu, nosso. E nossa experiência indica que, seja como for, o presidente terá maioria parlamentar; a questão é se ela virá do voto ou a despeito do voto.
Mas uma Presidência com clara maioria parlamentar ameaçaria as liberdades? Ora, Dilma é, de todos os possíveis candidatos petistas à Presidência, talvez a mais pró-empresas. E devemos notar que a atual oposição provavelmente ganhará em São Paulo, talvez em Minas, em vários Estados. Continuará com o apoio da maior parte da mídia.
Finalmente, pelo menos parte de um futuro bloco parlamentar dilmista, como o PMDB, exigirá da eventual presidente concessões constantes. Por isso, se se teme uma excessiva concentração de poder, creio que ela será menor do que no governo FHC, quando quase todos os atores políticos estavam de um só lado e, mesmo assim, a democracia não foi ameaçada.
--------------------------------------------------------------------------------
RENATO JANINE RIBEIRO é professor titular de Ética e Filosofia Política do Departamento de Filosofia da USP. Foi diretor de Avaliação da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), do Ministério da Educação (2004-08), no governo Lula
Em qualquer democracia parlamentar -isto é, em quase toda a União Europeia, Japão, Índia, Canadá, Austrália e Nova Zelândia-, essa pergunta não faria sentido.
No parlamentarismo, o governo só é governo porque tem maioria no Legislativo. Este geralmente tem uma Câmara baixa, eleita pelo povo, que é a mais importante. Mas, com frequência, dispõe também de uma "outra Casa", que alguns chamam de Senado, com menos poderes, porém, ainda assim, capaz de interferir na vida política.
A pergunta só cabe, então, no presidencialismo, forma típica do continente americano, mas presente em versões "semi", que produzem parlamentarismo atenuado, na França, Portugal e outros países.
O modelo do presidencialismo democrático são os Estados Unidos. Até acontece que seu presidente não tenha maioria numa ou nas duas Casas. Mas tal situação tende a ser traumática, como se viu nas tentativas de inviabilizar a administração Clinton. Portanto, o normal é o povo dar maioria ao mesmo partido no Executivo e nas duas Casas, e não o contrário.
Aliás, ter maioria no Executivo e no Legislativo também é regra em nosso país. Deve ser raro o Estado ou cidade em que o governador não conte com uma maioria tranquila na Assembleia, ou o prefeito na Câmara Municipal.
Isso talvez seja mais fácil porque, em nosso país multipartidário, nem todos os maiores partidos estão presentes em todos os cantos, e, por isso, o mandatário local lida com menos agremiações que o presidente da República; mas a principal razão é que o poder atrai.
Já na esfera federal, dos nossos presidentes eleitos após 1985, FHC conseguiu do Congresso tudo o que queria, até a reeleição, desfrutando de confortável maioria. Collor só teve problemas no Parlamento quando o povo exigiu sua saída. Lula sofreu uma derrota maior, ao não aprovar a renovação da CPMF.
Penso que a questão exige uma distinção importante. Geralmente, o Executivo governa com uma maioria definida após as eleições, por mecanismos que a elegância sugere chamar de "cooptação" ou atração, mas que por vezes não têm elegância nenhuma.
O que aqui se pergunta é outra coisa: e se a maioria for definida não depois das eleições, por parlamentares que terão mais ou menos traído seus eleitores, passando para o lado do vencedor, mas antes dela, por candidatos que terão sido eleitos prometendo apoiar a candidatura vitoriosa?
Eticamente, é muito melhor assim. Prefiro uma maioria gestada nas urnas a uma consagrada pelo Tesouro Público -isto é, pelo dinheiro meu, seu, nosso. E nossa experiência indica que, seja como for, o presidente terá maioria parlamentar; a questão é se ela virá do voto ou a despeito do voto.
Mas uma Presidência com clara maioria parlamentar ameaçaria as liberdades? Ora, Dilma é, de todos os possíveis candidatos petistas à Presidência, talvez a mais pró-empresas. E devemos notar que a atual oposição provavelmente ganhará em São Paulo, talvez em Minas, em vários Estados. Continuará com o apoio da maior parte da mídia.
Finalmente, pelo menos parte de um futuro bloco parlamentar dilmista, como o PMDB, exigirá da eventual presidente concessões constantes. Por isso, se se teme uma excessiva concentração de poder, creio que ela será menor do que no governo FHC, quando quase todos os atores políticos estavam de um só lado e, mesmo assim, a democracia não foi ameaçada.
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RENATO JANINE RIBEIRO é professor titular de Ética e Filosofia Política do Departamento de Filosofia da USP. Foi diretor de Avaliação da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), do Ministério da Educação (2004-08), no governo Lula
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
O que explica a futura vitória de Dilma Rousseff?
Paulo Daniel
carta apital
10 de setembro de 2010 às 11:05h
A atual situação da economia brasileira é um fator objetivo que deverá refletir-se nas urnas
Como diria um velho ditado; mineração e eleição só depois da apuração, mas existem fatos objetivos que se pode “prever” o que acontecerá num processo eleitoral.
É claro que em um processo eleitoral existem dois fatos que são importantes para a definição do eleitorado; os fatos subjetivos e objetivos. Pode-se conceituar os fatos subjetivos como sendo aqueles que mexem com os sonhos, com as esperanças, com a mudança, com a transparência.
Os fatos objetivos são aqueles que mexem diretamente com a realidade do povo, como por exemplo, a alimentação, o consumo de bens e serviços, o emprego, a qualidade de vida.
Entretanto, é bom destacar, que os fatos subjetivos só irão ter importância a partir do momento em que os fatos objetivos não estiverem mudando para melhor a realidade de um povo.
Portanto, o que definirá a eleição presidencial? Serão os fatos objetivos. Nesses pouco mais de 7 anos de governo, principalmente a partir do segundo mandato, o Presidente Lula mexeu com os fatos objetivos das pessoas, ou seja, a economia brasileira, daí então, deriva a sua alta popularidade.
Analisemos alguns dados: Houve uma evolução significativa do crédito, em particular do crédito consignado, representando em 2009, um ano de crise, 60% do total das operações de financiamento pessoal.
No Brasil, geralmente para se ter algum tipo de financiamento é necessário comprovar renda e que a mesma preferencialmente seja formal, entre 2003 e agosto/2010 houve a geração de praticamente 14 milhões de empregos formais.
Uma política pouco alardeada pela mídia e que representa muito aos trabalhadores são aumentos reais e consecutivos do salário mínimo (entre 2003 e 2010 houve aumento nominal de 95% e real de 75%, considerando o INPC/IBGE). Com o novo salário mínimo que está em vigor desde janeiro/2010 já injetou no mercado interno R$ 25 bilhões e que está contribuindo amplamente no crescimento econômico brasileiro deste ano.
A economia brasileira está melhor e mais respeitada internacionalmente, porque dentro do governo a disputa foi vencida por aqueles que defendiam e defendem o Estado enquanto indutor e regulador do processo econômico e nesse processo, Dilma Rousseff além de ter sido uma das idealizadoras foi extremamente decisiva.
Haja vista a criação do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), de acordo com o último relatório divulgado pelo comitê-gestor do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o valor investido neste programa desde 2007 até dezembro de 2009 foi de R$ 403,8 bilhões, correspondendo a 63,3% do total orçado. Como consequência, a taxa de investimento da economia se elevou de 16,4% do PIB, em 2006, para 18,7%, em 2008.
O PAC contribuiu, ainda, para a geração de novos postos de trabalho formais. Entre janeiro de 2007 e fevereiro de 2010 foram criados 5,67 milhões de empregos. As desonerações tributárias oriundas de medidas do PAC alcançaram R$ 42 bilhões, entre 2007 e 2009, com previsão de atingir mais R$ 24,1 bilhões em 2010. As liberações de financiamento do BNDES para obras do PAC, incluindo as da Petrobras, cresceram em 468% entre 2007 e 2009.
Queiram ou não, Dilma Rousseff participou ativamente dessas mudanças objetivas na vida dos(as) brasileiros(as). Portanto, a sua futura vitória está diretamente ligada, não só a popularidade de Lula, mas sim, ao otimismo e a melhoria econômica pela qual o país atravessa. Isso é um componente essencial para entender o atual processo eleitoral.
Neste sentido, a vitória de Dilma se consolida, pois os(as) eleitores(as) estão preocupados com seu presente e com seu futuro imediato. O grande desafio será ampliar as conquistas sociais e econômicas, para isso, o Estado será imprescindível.
carta apital
10 de setembro de 2010 às 11:05h
A atual situação da economia brasileira é um fator objetivo que deverá refletir-se nas urnas
Como diria um velho ditado; mineração e eleição só depois da apuração, mas existem fatos objetivos que se pode “prever” o que acontecerá num processo eleitoral.
É claro que em um processo eleitoral existem dois fatos que são importantes para a definição do eleitorado; os fatos subjetivos e objetivos. Pode-se conceituar os fatos subjetivos como sendo aqueles que mexem com os sonhos, com as esperanças, com a mudança, com a transparência.
Os fatos objetivos são aqueles que mexem diretamente com a realidade do povo, como por exemplo, a alimentação, o consumo de bens e serviços, o emprego, a qualidade de vida.
Entretanto, é bom destacar, que os fatos subjetivos só irão ter importância a partir do momento em que os fatos objetivos não estiverem mudando para melhor a realidade de um povo.
Portanto, o que definirá a eleição presidencial? Serão os fatos objetivos. Nesses pouco mais de 7 anos de governo, principalmente a partir do segundo mandato, o Presidente Lula mexeu com os fatos objetivos das pessoas, ou seja, a economia brasileira, daí então, deriva a sua alta popularidade.
Analisemos alguns dados: Houve uma evolução significativa do crédito, em particular do crédito consignado, representando em 2009, um ano de crise, 60% do total das operações de financiamento pessoal.
No Brasil, geralmente para se ter algum tipo de financiamento é necessário comprovar renda e que a mesma preferencialmente seja formal, entre 2003 e agosto/2010 houve a geração de praticamente 14 milhões de empregos formais.
Uma política pouco alardeada pela mídia e que representa muito aos trabalhadores são aumentos reais e consecutivos do salário mínimo (entre 2003 e 2010 houve aumento nominal de 95% e real de 75%, considerando o INPC/IBGE). Com o novo salário mínimo que está em vigor desde janeiro/2010 já injetou no mercado interno R$ 25 bilhões e que está contribuindo amplamente no crescimento econômico brasileiro deste ano.
A economia brasileira está melhor e mais respeitada internacionalmente, porque dentro do governo a disputa foi vencida por aqueles que defendiam e defendem o Estado enquanto indutor e regulador do processo econômico e nesse processo, Dilma Rousseff além de ter sido uma das idealizadoras foi extremamente decisiva.
Haja vista a criação do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), de acordo com o último relatório divulgado pelo comitê-gestor do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o valor investido neste programa desde 2007 até dezembro de 2009 foi de R$ 403,8 bilhões, correspondendo a 63,3% do total orçado. Como consequência, a taxa de investimento da economia se elevou de 16,4% do PIB, em 2006, para 18,7%, em 2008.
O PAC contribuiu, ainda, para a geração de novos postos de trabalho formais. Entre janeiro de 2007 e fevereiro de 2010 foram criados 5,67 milhões de empregos. As desonerações tributárias oriundas de medidas do PAC alcançaram R$ 42 bilhões, entre 2007 e 2009, com previsão de atingir mais R$ 24,1 bilhões em 2010. As liberações de financiamento do BNDES para obras do PAC, incluindo as da Petrobras, cresceram em 468% entre 2007 e 2009.
Queiram ou não, Dilma Rousseff participou ativamente dessas mudanças objetivas na vida dos(as) brasileiros(as). Portanto, a sua futura vitória está diretamente ligada, não só a popularidade de Lula, mas sim, ao otimismo e a melhoria econômica pela qual o país atravessa. Isso é um componente essencial para entender o atual processo eleitoral.
Neste sentido, a vitória de Dilma se consolida, pois os(as) eleitores(as) estão preocupados com seu presente e com seu futuro imediato. O grande desafio será ampliar as conquistas sociais e econômicas, para isso, o Estado será imprescindível.
NASCE GABRIEL, O NETO: É O DIA MAIS FELIZ DA MINHA VIDA, DIZ DILMA
Em entrevista coletiva nesta sexta-feira no hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, onde nasceu o neto Gabriel, a presidenciável petista Dilma Rousseff falou sobre a alegria de ser avó.
— Hoje estou meio boba — relatou a candidata ao afirmar que este é o momento mais feliz de sua vida.
Dilma encerrou a coletiva por volta das 12h40min. A candidata ainda fez brincadeiras durante a entrevista e disse que poderia falar somente de fraldas e sobre o recém-nascido.
Até que a filha Paula tenha alta do hospital, onde passou por uma cesariana na quinta-feira, Dilma permanecerá no Estado. A previsão é que Paula deixe a instituição até este sába
— Hoje estou meio boba — relatou a candidata ao afirmar que este é o momento mais feliz de sua vida.
Dilma encerrou a coletiva por volta das 12h40min. A candidata ainda fez brincadeiras durante a entrevista e disse que poderia falar somente de fraldas e sobre o recém-nascido.
Até que a filha Paula tenha alta do hospital, onde passou por uma cesariana na quinta-feira, Dilma permanecerá no Estado. A previsão é que Paula deixe a instituição até este sába
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