GUILHERME GENESTRETI – FOLHA.COM
DE SÃO PAULO
O amor pode até doer. Mas a paixão é um analgésico poderoso, conclui um estudo feito pela Universidade de Stanford (EUA).
Os pesquisadores recrutaram 15 universitários que estavam vivendo a primeira fase de um relacionamento amoroso (no máximo nove meses) e analisaram a forma como reagiam à dor física.
Os alunos eram estimulados a olhar fotos das pessoas por quem estavam apaixonados, enquanto um aparelho térmico causava dores nas palmas de suas mãos. Eles sentiam menos dor quando as imagens eram exibidas.
Com a ressonância magnética, a pesquisa constatou que nesse momento era ativado o centro de recompensas do cérebro, mesma área em que atuam analgésicos.
O anestesista americano Jarred Younger, um dos autores do estudo, disse que a paixão libera dopamina, neurotransmissor que dá sensação de bem-estar, também estimulado por drogas que controlam a dor.
VÍCIO
“O comportamento de um apaixonado é semelhante ao de um viciado em drogas”, afirmou Younger em entrevista por telefone à Folha:
“Ficamos obcecados pela pessoa amada como um viciado fica pela droga: só pensamos naquilo e no prazer. Depois, a paixão diminui assim como o viciado passa a ficar mais tolerante à droga.”
O psicoterapeuta João Augusto Figueiró, do Centro de Dor do Hospital das Clínicas, reforça: “Essa euforia causada pela paixão e as drogas inibe a sensação dolorosa.”
Segundo Younger, o estudo abre uma perspectiva para novas formas de tratar crises de dor:
“Formas simples de incentivar a afetividade, como um toque de mãos com a pessoa amada, podem ser tão eficazes quanto as medicações de controle da dor. A paixão é realmente um analgésico.”
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010
domingo, 3 de outubro de 2010
Dois pesos…Maria Rita Kehl
– O Estado de S.Paulo
Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos
Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos
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sábado, 7 de agosto de 2010
O problema do fetichismo está na manutenção de um "mito individual" em sociedades desencantadas
CRÍTICA PSICANÁLISE
Livro sobre Freud entrelaça psicanálise e teoria social
Safatle aborda teoria do fetichismo à luz da atualidade e do "mito individual"
UIRÁ MACHADO
DE SÃO PAULO
A ideia de "fetichismo" apareceu pela primeira vez em 1756 como crítica de sociedades primitivas, migrou para a psicologia em 1887 dentro de estudos sobre a perversão e, hoje, torna-se conceito importante para a compreensão de certos traços ordinários da sociedade.
O argumento é de Vladimir Safatle, professor de filosofia da USP, e serve de guia para o livro "Fetichismo: Colonizar o Outro", que a Civilização Brasileira lança dentro da coleção "Para Ler Freud".
Segundo Nina Saroldi, coordenadora da coleção, a ideia é apresentar textos de Freud de forma didática, fazendo a ponte entre o contexto original e temas atuais. Quem buscar nas 154 páginas sobre o fetichismo uma leitura fácil vai se frustrar logo na introdução. Mas também ali vai perceber que o livro que tem em mãos oferece muito mais do que uma simples apresentação de um conceito utilizado por Freud.
O projeto de Safatle, na verdade, ultrapassa o livro. Como afirma na conclusão, "este pequeno livro" é "apenas um momento de um estudo mais amplo sobre a recuperação da relação entre psicanálise e teoria social". Daí por que Safatle olha para as elaborações do fetichismo em Freud como "sintoma de uma outra teoria geral da mente que aos poucos procurava firmar-se", mais do que como uma teoria psicanalítica das perversões.
O texto central do livro é "O Fetichismo", de 1927, mas as outras (poucas) obras em que Freud toca no tema também são analisadas. Mais que isso, Safatle busca o primeiro uso de "fetichismo" pelo francês Charles de Brosses, em cuja obra o conceito aparecia como elemento definidor de limites entre sociedades esclarecidas e sociedades primitivas.
Esse resgate é fundamental, pois permitirá compreender em que sentido "o fetichismo nos lembra que é possível dissociar crença e saber, criando uma estrutura dual de organização psíquica". Safatle defende, como fizera em outro livro de sua autoria ("Cinismo e Falência da Crítica"), que talvez tenha se tornado ordinária a situação em que o indivíduo mantém na mente duas ideias opostas sem deixar de funcionar.
A última ponte que Safatle faz é com o fetichismo da mercadoria, de Marx, como que para arrematar o argumento de que o verdadeiro problema do fetichismo está na manutenção de um "mito individual" em sociedades desencantadas.
Como se fôssemos todos um pouco fetichistas
Livro sobre Freud entrelaça psicanálise e teoria social
Safatle aborda teoria do fetichismo à luz da atualidade e do "mito individual"
UIRÁ MACHADO
DE SÃO PAULO
A ideia de "fetichismo" apareceu pela primeira vez em 1756 como crítica de sociedades primitivas, migrou para a psicologia em 1887 dentro de estudos sobre a perversão e, hoje, torna-se conceito importante para a compreensão de certos traços ordinários da sociedade.
O argumento é de Vladimir Safatle, professor de filosofia da USP, e serve de guia para o livro "Fetichismo: Colonizar o Outro", que a Civilização Brasileira lança dentro da coleção "Para Ler Freud".
Segundo Nina Saroldi, coordenadora da coleção, a ideia é apresentar textos de Freud de forma didática, fazendo a ponte entre o contexto original e temas atuais. Quem buscar nas 154 páginas sobre o fetichismo uma leitura fácil vai se frustrar logo na introdução. Mas também ali vai perceber que o livro que tem em mãos oferece muito mais do que uma simples apresentação de um conceito utilizado por Freud.
O projeto de Safatle, na verdade, ultrapassa o livro. Como afirma na conclusão, "este pequeno livro" é "apenas um momento de um estudo mais amplo sobre a recuperação da relação entre psicanálise e teoria social". Daí por que Safatle olha para as elaborações do fetichismo em Freud como "sintoma de uma outra teoria geral da mente que aos poucos procurava firmar-se", mais do que como uma teoria psicanalítica das perversões.
O texto central do livro é "O Fetichismo", de 1927, mas as outras (poucas) obras em que Freud toca no tema também são analisadas. Mais que isso, Safatle busca o primeiro uso de "fetichismo" pelo francês Charles de Brosses, em cuja obra o conceito aparecia como elemento definidor de limites entre sociedades esclarecidas e sociedades primitivas.
Esse resgate é fundamental, pois permitirá compreender em que sentido "o fetichismo nos lembra que é possível dissociar crença e saber, criando uma estrutura dual de organização psíquica". Safatle defende, como fizera em outro livro de sua autoria ("Cinismo e Falência da Crítica"), que talvez tenha se tornado ordinária a situação em que o indivíduo mantém na mente duas ideias opostas sem deixar de funcionar.
A última ponte que Safatle faz é com o fetichismo da mercadoria, de Marx, como que para arrematar o argumento de que o verdadeiro problema do fetichismo está na manutenção de um "mito individual" em sociedades desencantadas.
Como se fôssemos todos um pouco fetichistas
segunda-feira, 25 de maio de 2009
DILMA NO NYT
Ou: Quanto mais batem,
mais sobe nas pesquisas.
O New York Times critica a grande mídia brasileira
por insistir de forma meio terrorista sobre o câncer da ministra Dilma Roussef.
Mas é assim mesmo, a mídia pensa
que o debate político é uma luta de box,
só pensa em acertar abaixo da cintura.
Nesta reportagem aqui, o NYT diz que a
mídia quer acertar as pernas e até a peruca da ministra.
The Health of a Likely Presidential Candidate Comes Under Brazil’s Microscope
They call her the Iron Lady, the woman political analysts credit with helping rescue Luiz Inácio Lula da Silva’s second term as president of Brazil. Dilma Rousseff, Mr. da Silva’s chief of staff, is also his chosen successor, expected to carry the banner of the hugely popular president into next year’s election.
But the news that she is being treated for cancer has thrown a wild card into the presidential race, renewing speculation that Mr. da Silva would seek to change the Constitution and run for a third term himself.
It has also transformed Ms. Rousseff into a media obsession, with breathless updates on every development of her cancer treatment, from the wig she acknowledged wearing to the leg pains that forced her to check into a hospital in São Paulo early last week.
“Dilma’s disease upsets the whole electoral game in Brazil,” said Amaury de Souza, a political analyst in Rio de Janeiro. “Politicians of all stripes and better informed voters are really having second thoughts about her candidacy.”
He cites what he calls “Tancredo Neves syndrome,” the post-election trauma of Tancredo Neves, a beloved Brazilian politician who became severely ill the day before he was to take office in 1985 and died without being sworn in.
Ms. Rousseff’s very public health crisis began last month, when she revealed that doctors had removed a cancerous tumor from her chest. She began chemotherapy for lymphoma this month, and her oncologist has put her chances of complete recovery at 90 percent.
Mr. da Silva, whose job approval rating hovers around 75 percent, has stood by Ms. Rousseff, telling reporters in Beijing on Wednesday that he had talked to her doctors and remained convinced that she would be “totally cured.”
Nevertheless, he has been forced to parry daily questions about whether he has a Plan B candidate, or whether he would pursue the constitutional change that would allow him to run again.
He has repeatedly said he would not, a point he said Wednesday did not even merit discussion. “First, because there is no third term,” he said, “and second, because Dilma is fine.”
But such denials have done little to quiet conjecture.
Nor would he be alone if he changed his mind. Many Latin countries adopted strict term limits in the 1970s and ’80s to check authoritarian impulses after years of dictatorships. But lately the trend has been to loosen those laws.
Presidents Hugo Chávez of Venezuela and Rafael Correa of Ecuador have changed their Constitutions to allow them to run for additional terms. Supporters of President Álvaro Uribe in Colombia are pushing a measure to let him seek a third term.
Brazil already changed its Constitution in 1997 to allow President Fernando Henrique Cardoso to run for and win a second term.
Mr. da Silva has vowed to be different.
“If Lula says he is interested in a third term, then he loses the specialness of being a fresh, new kind of politician in Brazil,” said Peter Hakim, the president of the Inter-American Dialogue, a Washington research group.
With the memories of a dictatorship that ended in 1985 still vivid here, an attempt to run again “would be seen by the people as a coup attempt,” said Bolivar Lemounier, a political analyst in São Paulo.
As a practical matter it may be too late to change the Constitution, which would require four rounds of congressional voting. The amendment would have to be passed before Sept. 30 in order to be law one year before the election on Oct. 3, 2010.
Ms. Rousseff, 61, a former economist and oil minister who has never held an elected office, was little known outside the capital before cancer turned her into a celebrity. Most polls show her with less than 16 percent support, compared with her likely opposition candidate, Gov. José Serra of São Paulo, who commands more than 40 percent.
But her anointment by Mr. da Silva, who has steered Brazil through one of its greatest periods of prosperity, automatically made her a contender.
She became Mr. da Silva’s chief of staff after her predecessor, José Dirceu, was accused in 2005 of leading a scheme to buy votes in Congress. She has proved an able administrator, helping Mr. da Silva carry out his poverty-relief programs, manage the windfall from the commodities boom and oversee billions of dollars in large infrastructure projects.
In an interview here, she refused to discuss her prospective candidacy, saying it was too early, though she said whoever was allied with the president stood the best chance of winning.
The daughter of a Brazilian mother and a Bulgarian immigrant father, Ms. Rousseff was active in armed militant organizations in the 1960s fighting to oust the military dictatorship.
She said she regretted nothing of her militant past. But she said she never participated in an armed action against the government, despite Brazilian news reports claiming otherwise. She denied being involved in the most notorious episode tied to her, the 1969 armed robbery of $2.5 million from the São Paulo governor’s safe.
She was captured and imprisoned in 1970 on charges of participating in an armed militant group. Sentenced to two years and one month, she ended up spending three years behind bars where, she said, she was tortured repeatedly with electric shocks.
In the interview, on May 12, she said that the cancer treatment was not affecting her work schedule. “A flu is more inconvenient,” she said. “I feel fine.”
Since then, however, she has cut back her travel and failed to make at least four planned appearances.
Her illness could cut both ways.
If she gets a clean bill of health, the media attention could elevate her name recognition and standing in opinion polls, said Christopher Garman, an analyst at Eurasia Group in Washington.
“The impact of greater media coverage will probably trump” the stigma of cancer, he said.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
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