sexta-feira, 23 de julho de 2010

Dilma nega ter apoiado pontos polêmicos de programa

Dilma nega ter apoiado pontos polêmicos de programa
Petista disse ser contra controle da mídia e taxação de fortunas, que constavam de documento enviado ao TSE

MÁRCIO FALCÃO
DE BRASÍLIA

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, negou ontem ter endossado os principais pontos polêmicos retirados da primeira versão de seu programa de governo registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Em entrevista à TV Brasil, Dilma se posicionou contra o controle social da mídia e a taxação das grandes fortunas. A candidata afirmou também que a redução da jornada de trabalho deve ser negociada entre empregados e trabalhadores.
O controle social da mídia e a taxação das grandes fortunas foram os pontos mais polêmicos do primeiro programa apresentado ao TSE. Após críticas de aliados, Dilma apresentou uma segunda versão que omitia esses itens.
A candidata petista ainda prepara uma terceira versão do documento que estabelece as diretrizes de seu eventual governo.
Na entrevista, Dilma saiu em defesa da liberdade de imprensa. "O único controle que existe é o controle remoto. Sou contrária ao controle do conteúdo. No que se refere a controle social é impreciso. Não existe controle social que não seja público", disse.
Para ela, "é inadmissível a censura à imprensa, ao conteúdo, à critica". "Sou rigorosamente contrária ao controle da imprensa", completou.
A petista disse ainda que nunca um governo recebeu tantas críticas por parte da imprensa e insinuou que há políticos que interferem na mídia. Disse, porém, nunca ter ligado para qualquer veículo para reclamar.
Sobre taxação de grandes fortunas, a candidata afirmou que em vários países a medida não funcionou. "Na taxação das grandes fortunas, é inócuo. Já foi tentado fazer isso em vários lugares e isso não resulta em ganho para a sociedade", afirmou.
Quanto à redução da jornada de trabalho de 44h para 40h semanais, Dilma defendeu que seja tratada individualmente pelas categorias com os empresários.
"Tem setores no Brasil que podem ter jornada de 40h. É questão de negociar entre patrões e empregados. Tem setores mais atrasados, principalmente médios e pequenos, que não tem a mesma condição. A sociedade tem que amadurecer e caminhar para isso. Não tem como o governo legislar", disse

Novo texto evita conflitos com militares

DE BRASÍLIA

Além de retirar ou amenizar de texto original entregue à Justiça Eleitoral propostas consideradas radicais, o PT alterou na segunda versão do programa de governo de Dilma Rousseff questões sobre direitos humanos, fazendo concessão à área militar.
Na segunda versão, entregue horas depois de o PT apresentar o texto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), no dia 5 de julho, o partido mudou pontos polêmicos, como a questão da homossexualidade nas Forças Armadas e o esclarecimento de crimes ocorridos na ditadura.
O texto inicial pedia que as Forças combinassem disciplina militar com "relações democráticas que devem marcar a sociedade moderna", como relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. O novo excluiu o termo "diversidade homoafetiva".
O texto também aborda a abertura dos arquivos da ditadura e da instalação da Comissão da Verdade para apurar crimes políticos. O PT, no entanto, optou por não defender explicitamente o "esclarecimento público" de crimes do regime militar.
O coordenador do programa de governo de Dilma, Marco Aurélio Garcia, minimizou a retirada dos pontos.
Ele disse que não sabe se essas questões serão tratadas na terceira versão do programa, que será finalizada em agosto com os aliados. "Não há recuo porque o programa de governo ainda não está pronto", disse. (MÁRCIO FALCÃO)

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