sexta-feira, 26 de novembro de 2010

fsp e mídia - Franklin defende "refundar" Ministério das Comunicações

Franklin defende "refundar" Ministério das Comunicações
Para ministro, pasta precisa se transformar em "centro formulador" de políticas

"Política nacional de comunicação" definiria rumo em temas como banda larga e regulação de mídia eletrônica

Moacyr Lopes Junior/Folhapress

O ministro-chefe da Comunicação Social, Franklin Martins, discursa em seminário sobre a liberdade de imprensa em SP

DE SÃO PAULO

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Franklin Martins, afirmou que o Ministério das Comunicações precisa ser refundado.
Para o ministro, que participou do seminário Cultura de Liberdade de Imprensa, o governo "ficou devendo" na área da comunicação por não ter dado ao ministério o status de "centro formulador" de políticas para o setor.
"[O Ministério das Comunicações precisa] passar a ser o centro formulador de uma política nacional de comunicação que entre nesses assuntos que estamos discutindo aqui [banda larga, regulação das comunicações eletrônicas]", disse o ministro.
De acordo com ele, o momento atual é "excepcional" para discutir aspectos relativos à mídia e, se não houver um "centro que formule e comande o processo, desperdiçaremos essas oportunidades, que não vão voltar".
Franklin defendeu que o Ministério das Comunicações passe por um processo semelhante ao que ocorreu "no Ministério das Minas e Energia no primeiro mandato do governo Lula".
Para o ministro, o país teria enfrentado uma série de apagões se a pasta de Minas e Energia não tivesse sido refundada para adquirir "condições de planejar, de acompanhar, estudar, elaborar políticas públicas", sem o que não haveria os investimentos "em grandes projetos de hidrelétricas no país".

AMÉRICA LATINA
Ao resumir o seminário promovido pela TV Cultura, Carlos Eduardo Lins da Silva afirmou que o Brasil está em melhor situação do que vizinhos latino-americanos quando o assunto é proteção à liberdade de imprensa.
Membro do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional da USP e ex-ombudsman da Folha, Lins da Silva disse que os debates de ontem mostraram que "a ameaça à liberdade de imprensa tem diferentes graus de sutileza na América Latina. No Brasil é mais sutil, na Argentina, menos, e na Venezuela, menos ainda".
Segundo ele, porém, o risco de a situação piorar existe, e é preciso estar atento para que a "hostilidade retórica entre governo e imprensa" não se agrave, nos aproximando da Venezuela.

NOVAS MÍDIAS
O seminário discutiu, entre outros temas, a regulação das novas mídias no Brasil.
O jornalista e professor Caio Túlio Costa afirma que existe "quase que uma adoração pelo controle", mas que ela não é privilégio dos governantes, é compartilhada por toda a sociedade.
Bob Fernandes, editor-chefe do "Terra Magazine", afirmou que a mídia não deveria se negar a discutir o tema, fazendo uma comparação entre regulação e controle. Para ele, já existe uma "censura patronal, interna". "Não vamos ser hipócritas", afirmou Fernandes.

PROGRAMAÇÃO
A programação de hoje do seminário começa às 9h, com palestra do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: "A liberdade de imprensa corre risco no Brasil?".
Às 10h30 os jornalistas Renata Lo Prete (Folha), Merval Pereira ("O Globo") e Ricardo Gandour ("O Estado de S. Paulo") debatem o tema.
Entre outros eventos, o seminário contará ainda com uma palestra de Carlos Ayres Britto, ministro do Supremo Tribunal Federal, que falará sobre a legislação brasileira.

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