quinta-feira, 4 de novembro de 2010

São Paulo não é tão azul assim

A votação na cidade de São Paulo, no segundo turno, expressa muito bem o significado da eleição para o necessário balanço eleitoral que a oposição estará obrigada a realizar sob pena de continuar declinando.

Em 2006, enfrentando Lula, o candidato tucano Geraldo Alckmin obteve na cidade de São Paulo 3.485.245 votos. Esse total representou 54,42% dos votos. Foram 566.249 votos a mais que o resultado obtido por Lula, que com 45,57%, recolheu 2.918.996 votos.

Em 2010, enfrentando Dilma, o candidato do PSDB, José Serra, atingiu 3.427.671 votos. Ou seja um pouco menos que Alckmin em 2006. Seu percentual ficou em 53,64%, enquanto Dilma foi para 46,36% com 2.961.897 (uma diferencia de 465.774 votos).

A comparação dos resultados mostra uma relativa estabilidade nas escolhas dos eleitores em São Paulo, com pequena melhora para a candidata do PT em relação ao PSDB.

Esse mesmo resultado do PSDB para presidente em 2010, foi o que obteve na cidade de São Paulo o próprio Serra em 2006, quando foi eleito governador (53,08%).

Podemos concluir que, independentemente do nome que representa o PSDB ou o PT, na cidade de São Paulo, a “dominação” do PSDB se sustenta em apenas um pouco mais de 3% dos eleitores. O eleitorado da cidade está dividido e não se sustenta o mito que considera a cidade de São Paulo como esmagadoramente favorável ao tucanato ou rejeitando o PT. Mesmo que esses elementos estejam presentes nos resultados obtidos, dando ao PSDB a vitória.

Já em Minas, Aécio permitiu um crescimento do voto tucano o que não é só mérito próprio, pois as divisões no PT contribuíram. Mas, diferentemente de São Paulo, o voto tucano aumentou 6% no Estado e de quase 26% na capital, Belo Horizonte. Mesmo perdendo para o voto Dilma, amplamente majoritário no Estado, não é pouca coisa para o cacife de Aécio ter obtido uma vitória para o PSDB na capital mineira.

Em termos gerais, a única real diferencia nesta eleição, em relação a 2006, foi o resultado do tucano no primeiro turno. Pois em 2006, Alckmin obteve no primeiro e no segundo turno resultados semelhantes (53,87% no 1º turno e 54,42% no 2º turno). Já Serra teve no primeiro turno de 2010, 40,33%. Ou seja, uma parte significativa do eleitorado tucano mostrou um incipiente afastamento das propostas e da campanha de Serra, votando em Marina Silva.

É esse balanço que Serra procura esconder, procurando bode expiatório em Minas Gerais (como disse José Roberto de Toledo, A resposta tem a ver com o futuro e não com o passado). A sua campanha levou a um recuo generalizado do voto PSDB no primeiro turno em todo o país, incluso nos lugares, como São Paulo, onde o PSDB é majoritário desde 2004. Recuperou no segundo turno o voto tucano com pouco crescimento em relação a Alckmin em 2006 e até com uma certa perda em São Paulo.

Só que segundo ele mesmo, Lula tinha enfrentado um candidato tucano fraco e ele derrotaria um “poste”.

O PSDB escolheu Serra e deu no que deu. Mas a questão vai bem além do candidato e concerne o conteúdo mesmo da política da oposição.

Luis Favre

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