– O Estado de S.Paulo
Auvers-sur-Oise é uma cidadezinha à beira do rio Oise, alguns quilômetros ao norte de Paris. Não chega a ser a “France profonde”. Com sua proximidade à capital é mais um lugar para casas de campo e escapadas de fim de semana dos parisienses. Mas Auvers é importante. Foi para lá que Vincent Van Gogh se mudou no fim da sua vida. Atormentado por problemas mentais, ele quis estar perto do dr. Gachet, um médico da região que lhe fora recomentado pelo pintor Pissarro. (Um retrato do dr. Gachet está entre as suas últimas obras, que também incluem uma pintura da igreja de Auvers.) Mas, principalmente, Van Gogh foi para Auvers para estar mais perto do seu irmão Theo.
***
A relação entre Vincent e Theo Van Gogh é das mais ricas e, finalmente, pungentes da história da arte. Não apenas porque a ajuda financeira de Theo permitiu a Vincent – que em toda a sua vida só vendeu um quadro – dedicar-se à pintura, mas porque tudo que se sabe sobre os pensamentos e os sentimentos de Van Gogh está nas suas cartas para o irmão mais velho, seu confidente e conselheiro. Sem Theo não haveria Vincent. Quando decidiu ir viver em Auvers, Van Gogh talvez estivesse inconscientemente se aproximando do irmão para morrer perto dele. No dia 27 de julho de 1890, Van Gogh se deu um tiro no peito. Morreu dois dias depois nos braços de Theo. Suas últimas palavras foram “La tristesse durera toujours”. A tristeza durará para sempre.
***
Há dias fomos ao cemitério de Auvers-sur-Oise onde estão enterrados Vincent e Theo, que morreu alguns meses depois do irmão. O cemitério fica numa colina em meio a um trigal. O trigo estava verde. Van Gogh poderia transformá-lo em amarelo, e acrescentar alguns redemoinhos ao azul daquele céu de primavera, mas o dia era irretocável. Os dois irmãos estão enterrados lado a lado. Sepulturas simples, com um quadrilátero de plantas na frente. As duas lápides são absolutamente iguais. Os nomes, as datas de nascimento e morte, e só. Com um pouco de imaginação você concluiria que, na morte como na vida, Theo estivesse ali para proteger seu desafortunado irmão. Mas nada nas lápides os diferencia. E Van Gogh tinha razão. A tristeza o perdurava. A tristeza durará para sempre.
Brod. Max Brod não era parente de Franz Kafka. Os dois só eram grandes amigos. E Kafka pediu a Max Brod que impedisse a publicação dos seus livros e queimasse todos os seus escritos, quando ele morresse. Não se sabe se Kafka pediu que Brod prometesse, solenemente, fazer o que ele pedia. Se fez o Brod jurar. O fato é que se deve à decisão de Brod de trair a confiança do amigo a existência literária de Kafka, que só foi publicado postumamente. Se a humanidade deve a Theo e sua dedicação ao irmão as grandes pinturas de Van Gogh, deve à infidelidade de Brod a obra impressa do Kafka. Sem Brod não haveria Kafka.
***
Sei pouco sobre a posteridade de Brod, que entrou para a história da literatura apenas como responsável pela posteridade de outro. Também não sei como foi sua escolha entre assegurar a posteridade de Kafka e honrar seu pedido. A fogueira já estaria acesa quando ele decidiu preservar os escritos? E o remorso? Alguma vez Brod se arrependeu de ter sido um amigo inconfiável, recusando a Kafka o esquecimento desejado? Seja como foi, obrigado Max. E você também, Theo.
Postado por Luis Favre
Comentários
Tags: crónicas, Luis Fernando Verissimo, Vincent Van Gogh
Nenhum comentário Link permanente Enviar por email Twitter Compartilhe
Facebook Delicious MySpace Yahoo Buzz Linkk Technorati Digg Voltar para o início 15/05/2011 - 12:31h
Lições do churrascão
A polêmica da estação Angélica parece indicar que os paulistanos se cansaram de projetos anunciados e desmentidos ao sabor das pressões de interesses
Raquel Rolnik – O Estado de S.Paulo
Em protesto contra a reação negativa de moradores de Higienópolis, um dos bairros mais nobres de São Paulo, à construção de uma estação de metrô na Avenida Angélica, internautas marcaram através do Facebook um churrascão em frente ao Shopping Higienópolis. A polêmica estourou na web a partir do anúncio, por parte da Companhia do Metrô, de que a nova estação da Linha 6 não seria mais localizada na Angélica. Na sexta-feira pela manhã, quando o proponente decidiu cancelar o churrasco, quase 50 mil pessoas já haviam aderido ao protesto e o assunto ganhara as páginas dos jornais, com discussões técnicas sobre a localização da estação, análises sociológicas sobre o comportamento dos moradores contra e a favor da estação e declarações de representantes do Metrô procurando negar qualquer motivação que não fosse “estritamente técnica” em sua decisão.
Para além do debate sobre a melhor localização da nova estação, e até mesmo da prioridade dessa estação (e dessa linha!) em relação às gigantescas demandas de transporte coletivo de qualidade na região metropolitana de São Paulo, a polêmica dos últimos dias finalmente desnudou dois temas da maior importância para o urbanismo brasileiro, cuja discussão esteve restrita até agora a pequenos círculos acadêmicos e, com esse debate, ganha as ruas da cidade.
O primeiro tem a ver com o modelo de cidade que tem orientado o desenvolvimento de São Paulo (e das cidades brasileiras) pelo menos desde o final do séc 19: um urbanismo segundo o qual “qualidade” é sinônimo de “exclusividade”. Sua produção e hegemonia na política urbana se sustentam por meio de uma coalizão de interesses econômicos com grande capacidade de influenciar as decisões políticas de investimentos e legislação na cidade.
O nascimento do bairro de Higienópolis no final do século 19, na sequência de empreendimentos semelhantes (Campos Elísios, Vila Buarque, Av. Paulista) revela este mecanismo: o abandono dos velhos sobrados de taipa no triângulo central por chateaux, chalets e cottages circundados por jardins nos novos bairros se beneficiou da construção do Viaduto do Chá, em um movimento que aliou uma reterritorialização das elites ao emergente negócio de terras – o loteamento. Foi essa a trajetória de d. Angélica, filha do Barão de Souza Queiroz, que, ao deixar de viver em sua fazenda, em 1874, fixou residência na Chácara das Palmeiras, onde mandou edificar na esquina da Angélica com a Al. Barros uma réplica do castelo de Charlottenburg, conforme planos, materiais e decoração encomendados na Alemanha.
O prestígio dessas nobres residências contribuiu indubitavelmente para o sucesso dos “loteamentos exclusivos”, abertos na cidade na década de 1890. Sua localização – a Chácara do Carvalho e o Palácio de Elias Chaves nos Campos Elísios, o palacete da Vila Maria na Vila Buarque e o palacete de d. Angélica em Higienópolis – coincidia exatamente com a dos primeiros empreendimentos desse tipo. A construção do Viaduto do Chá foi fundamental para essa marcha ao sudoeste que se seguiria. Sua instalação viabilizaria os mais importantes empreendimentos imobiliários do final do século 19: Higienópolis e Paulista. Neles se envolveram proprietários de terras, investidores potenciais, engenheiros e políticos.
Na esteira de investimentos urbanos (esses bairros já eram abertos contando com rede de água, esgoto, gás e bonde, quando seus contemporâneos bairros operários Brás e Mooca, por exemplo, demoraram décadas para receber a mesma infraestrutura), uma legislação urbanística garantia a exclusividade, definindo um padrão de grandes lotes, uso exclusivamente residencial e obrigatoriedade de recuos. A verticalização do bairro de Higienópolis, que se intensificou a partir dos anos 70, mudou esse perfil, mas não desconstruiu, simbolicamente, o projeto.
A resistência que o bairro tem hoje para receber uma estação de metrô está justamente relacionada com a sua possível popularização e, consequentemente, a desvalorização imobiliária – uma postura rejeitada por muitos, inclusive moradores do próprio bairro, como bem demonstram as manifestações dos internautas, que ao rejeitá-la, afirmam o desejo de uma cidade heterogênea, multiclassista, multiétnica e multifuncional.
A direção do Metrô afirmou em nota oficial que a decisão de mudar a localização da estação se deu por razões técnicas (excessiva proximidade entre as estações Angélica e Higienópolis/Mackenzie) e não para atender à solicitação de moradores insatisfeitos. Entretanto, os anúncios (e “desanúncios”) de linhas e estações, metrôs que viram monotrilhos e corredores de ônibus que aparecem e desaparecem dos “planos” do governo evidenciam um segundo ponto essencial que bloqueia o desenvolvimento de um urbanismo de qualidade para todos: o processo decisório dos investimentos da cidade.
Na ausência de um processo de planejamento estável – aliado a uma estratégia urbanística pactuada coletivamente na cidade -, os planos e projetos são anunciados e desmentidos ao sabor das pressões dos interesses que conseguem ter acesso à mesa de decisão. Aqui, mais uma vez, convergem de forma perversa coalizões de interesses econômicos enlaçados – por relações pessoais ou de classe – com interesses políticos.
O recado que a polêmica da estação Angélica parece dar é que os cidadãos paulistanos estão cada vez mais cansados desse modelo.
RAQUEL ROLNIK É URBANISTA, PROFESSORA DA FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO DA USP
Mostrando postagens com marcador LUIS FAVRE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador LUIS FAVRE. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 16 de maio de 2011
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
sexo - Períneo bem trabalhado garante vida sexual animada e postura firme
BIDERMAN – FOLHA.COM
DE SÃO PAULO
É um mistério: na era do culto ao corpo, quando tanta gente sabe nomes de músculos na ponta da língua, o períneo permanece desconhecido e mal aproveitado. Até por aqueles que adoram exibir bíceps, tríceps, quadríceps e glúteos sarados por aí.
Claro, não dá para exibir essa musculatura, mais profunda. Mas será preciso tanta sutileza para lidar com essa estrutura essencial a funções básicas como fazer xixi, sexo ou manter a postura?
“Pouca gente sabe onde é [o períneo]. Há um tabu enorme, já começa no reconhecimento de um lugar que pertence ao seu corpo”, diz a fisioterapeuta Betty Gervitz, especialista em dança e saúde e doutoranda em gerontologia pela Unifesp.
Um sinônimo para períneo é assoalho pélvico. Desse jeito, fica mais fácil imaginar sua localização no corpo. Mesmo assim, não é fácil encontrar esse “chão”. Afinal, ele se mexe, embora a maioria não se dê conta disso.
“O períneo é como qualquer outro músculo, tem que movimentar para não perder a força”, afirma Débora Padua, fisioterapeuta especialista em uroginecologia.
TRABALHO PESADO
Além de pouco usado em movimentos conscientes, o assoalho pélvico tem outra particularidade: é ele que sustenta os órgãos genitais.
O fisioterapeuta Gustavo Sutter Latorre, editor do portal Perineo.net, compara o assoalho pélvico a uma cama elástica que vai do osso púbico ao cóccix. “Só que essa cama não cede ao peso simplesmente, ela faz uma força contrária, empurrando [os órgãos] para cima.”
Na mulher, o trabalho é mais pesado: o assoalho pélvico sustenta mais órgãos (útero, ovários) e, frequentemente, o peso da gravidez.
Exercitar o períneo é bom para homens e mulheres de qualquer idade, mas é um cuidado mais importante para a mulher que já teve filhos, segundo Ana Carolina Basso Schmitt, doutora em saúde pública e fisioterapeuta,
Fazer um treino de força regular é a melhor forma de prevenir problemas futuros, como a incontinência urinária na velhice.
E de ganhar muito no curto prazo. “Exercícios para o períneo deixam a região genital mais bem irrigada, forte, viva”, afirma Latorre.
Todas as práticas de ioga incluem exercícios para o períneo, lembra Anderson Allegro, professor da escola Aruna Yoga, em São Paulo. “O mula bandha, contração sustentada do períneo, é ensinado desde as primeiras aulas. Ele dá o chão para a realização das posturas.”
Na ioga, a base da coluna, onde o períneo se insere, está ligada à kundalini, energia de vida, do despertar, da sexualidade.
“Contrair o períneo regularmente devolve o prazer pela vida. Sexual, sim, mas não é o foco. É vitalidade em geral, para mulheres e homens”, afirma Allegro.
Os exercícios que contraem a região da pelve preservam a saúde dos testículos e da próstata. E podem ajudar a função erétil.
“A musculatura do períneo ajuda o músculo eretor do pênis a atingir o grau máximo de ereção”, diz Latorre.
Nas mulheres, o treino aumenta a lubrificação e a sensibilidade do canal vaginal.
POMPOARISMO
A agente de turismo Júlia, 28, aprendeu a contrair conscientemente o períneo em um curso de pompoarismo. Na técnica, originária da Ásia, bolinhas de metal ou plástico são introduzidas na vagina com a função de halteres, para o desenvolvimento da força e do controle motor dos músculos.
No Brasil, o pompoarismo é mais associado à pornografia ou a “sexo de resultados” (tipo “agarre seu homem”). Mas sua base é a mesma dos exercícios usados em tratamentos fisioterápicos ou em protocolos médicos, como o que o ginecologista norte-americano Arnold Kegel criou nos anos 1940 (os “exercícios de Kegel”).
Bolinhas tailandesas (ben wa) ou cones são usados para praticar contrações e “manobras” –que podem depois ser reproduzidas com o parceiro. “No começo, é difícil contrair, respirar e ainda curtir. Depois, fica gostoso e você quer praticar sempre”, afirma Júlia.
Para quem prefere uma técnica menos “invasiva”, algumas atividades físicas ajudam tanto quanto a arte do pompoarismo no fortalecimento do assoalho pélvico.
CAPA
No pilates, por exemplo, a contração do períneo é sempre solicitada para estabilizar a coluna, segundo Isaías Vieira, coordenador de pilates da academia Bio Ritmo.
“Quando você vai fazer a organização do quadril, contrai o períneo para aproximar os dois ísqueos (ossinhos na parte inferior do quadril) e, depois, o cóccix do osso do púbis. A coluna lombar fica bem posicionada e dá uma base sólida para a organização das outras articulações”, explica Gervitz.
Nas aulas de pilates, além desse acionamento sutil do assoalho pélvico, a contração interna é realizada junto com movimentos maiores, que envolvem outros músculos, como os de elevação da coluna lombar, diz Vieira.
Fazer a báscula do quadril (um balanço para frente) é uma das formas mais fáceis de contrair o períneo. É por isso que a dança do ventre é uma boa atividade para fortalecer o assoalho pélvico.
“Não é só a dança do ventre. O balé também trabalha muito esse encaixe do quadril”, lembra Débora Sabongi, bailarina e professora de dança do ventre.
COORDENAÇÃO FINA
Mesmo assim, a dança oriental é uma das mais indicadas, segundo o fisioterapeuta Latorre. “Ela mobiliza a pelve e desenvolve uma coordenação motora muito fina da região do quadril.”
Já a musculação tradicional, em aparelhos, pouco ou nada faz por essa área do nosso corpo, segundo Luciano D’Elia, educador físico especialista em treinamento funcional. “No treino funcional, ao contrário, a musculatura pélvica, a lombar e a abdominal são o ponto de partida dos exercícios”, diz.
Postado por Luis Favre
DE SÃO PAULO
É um mistério: na era do culto ao corpo, quando tanta gente sabe nomes de músculos na ponta da língua, o períneo permanece desconhecido e mal aproveitado. Até por aqueles que adoram exibir bíceps, tríceps, quadríceps e glúteos sarados por aí.
Claro, não dá para exibir essa musculatura, mais profunda. Mas será preciso tanta sutileza para lidar com essa estrutura essencial a funções básicas como fazer xixi, sexo ou manter a postura?
“Pouca gente sabe onde é [o períneo]. Há um tabu enorme, já começa no reconhecimento de um lugar que pertence ao seu corpo”, diz a fisioterapeuta Betty Gervitz, especialista em dança e saúde e doutoranda em gerontologia pela Unifesp.
Um sinônimo para períneo é assoalho pélvico. Desse jeito, fica mais fácil imaginar sua localização no corpo. Mesmo assim, não é fácil encontrar esse “chão”. Afinal, ele se mexe, embora a maioria não se dê conta disso.
“O períneo é como qualquer outro músculo, tem que movimentar para não perder a força”, afirma Débora Padua, fisioterapeuta especialista em uroginecologia.
TRABALHO PESADO
Além de pouco usado em movimentos conscientes, o assoalho pélvico tem outra particularidade: é ele que sustenta os órgãos genitais.
O fisioterapeuta Gustavo Sutter Latorre, editor do portal Perineo.net, compara o assoalho pélvico a uma cama elástica que vai do osso púbico ao cóccix. “Só que essa cama não cede ao peso simplesmente, ela faz uma força contrária, empurrando [os órgãos] para cima.”
Na mulher, o trabalho é mais pesado: o assoalho pélvico sustenta mais órgãos (útero, ovários) e, frequentemente, o peso da gravidez.
Exercitar o períneo é bom para homens e mulheres de qualquer idade, mas é um cuidado mais importante para a mulher que já teve filhos, segundo Ana Carolina Basso Schmitt, doutora em saúde pública e fisioterapeuta,
Fazer um treino de força regular é a melhor forma de prevenir problemas futuros, como a incontinência urinária na velhice.
E de ganhar muito no curto prazo. “Exercícios para o períneo deixam a região genital mais bem irrigada, forte, viva”, afirma Latorre.
Todas as práticas de ioga incluem exercícios para o períneo, lembra Anderson Allegro, professor da escola Aruna Yoga, em São Paulo. “O mula bandha, contração sustentada do períneo, é ensinado desde as primeiras aulas. Ele dá o chão para a realização das posturas.”
Na ioga, a base da coluna, onde o períneo se insere, está ligada à kundalini, energia de vida, do despertar, da sexualidade.
“Contrair o períneo regularmente devolve o prazer pela vida. Sexual, sim, mas não é o foco. É vitalidade em geral, para mulheres e homens”, afirma Allegro.
Os exercícios que contraem a região da pelve preservam a saúde dos testículos e da próstata. E podem ajudar a função erétil.
“A musculatura do períneo ajuda o músculo eretor do pênis a atingir o grau máximo de ereção”, diz Latorre.
Nas mulheres, o treino aumenta a lubrificação e a sensibilidade do canal vaginal.
POMPOARISMO
A agente de turismo Júlia, 28, aprendeu a contrair conscientemente o períneo em um curso de pompoarismo. Na técnica, originária da Ásia, bolinhas de metal ou plástico são introduzidas na vagina com a função de halteres, para o desenvolvimento da força e do controle motor dos músculos.
No Brasil, o pompoarismo é mais associado à pornografia ou a “sexo de resultados” (tipo “agarre seu homem”). Mas sua base é a mesma dos exercícios usados em tratamentos fisioterápicos ou em protocolos médicos, como o que o ginecologista norte-americano Arnold Kegel criou nos anos 1940 (os “exercícios de Kegel”).
Bolinhas tailandesas (ben wa) ou cones são usados para praticar contrações e “manobras” –que podem depois ser reproduzidas com o parceiro. “No começo, é difícil contrair, respirar e ainda curtir. Depois, fica gostoso e você quer praticar sempre”, afirma Júlia.
Para quem prefere uma técnica menos “invasiva”, algumas atividades físicas ajudam tanto quanto a arte do pompoarismo no fortalecimento do assoalho pélvico.
CAPA
No pilates, por exemplo, a contração do períneo é sempre solicitada para estabilizar a coluna, segundo Isaías Vieira, coordenador de pilates da academia Bio Ritmo.
“Quando você vai fazer a organização do quadril, contrai o períneo para aproximar os dois ísqueos (ossinhos na parte inferior do quadril) e, depois, o cóccix do osso do púbis. A coluna lombar fica bem posicionada e dá uma base sólida para a organização das outras articulações”, explica Gervitz.
Nas aulas de pilates, além desse acionamento sutil do assoalho pélvico, a contração interna é realizada junto com movimentos maiores, que envolvem outros músculos, como os de elevação da coluna lombar, diz Vieira.
Fazer a báscula do quadril (um balanço para frente) é uma das formas mais fáceis de contrair o períneo. É por isso que a dança do ventre é uma boa atividade para fortalecer o assoalho pélvico.
“Não é só a dança do ventre. O balé também trabalha muito esse encaixe do quadril”, lembra Débora Sabongi, bailarina e professora de dança do ventre.
COORDENAÇÃO FINA
Mesmo assim, a dança oriental é uma das mais indicadas, segundo o fisioterapeuta Latorre. “Ela mobiliza a pelve e desenvolve uma coordenação motora muito fina da região do quadril.”
Já a musculação tradicional, em aparelhos, pouco ou nada faz por essa área do nosso corpo, segundo Luciano D’Elia, educador físico especialista em treinamento funcional. “No treino funcional, ao contrário, a musculatura pélvica, a lombar e a abdominal são o ponto de partida dos exercícios”, diz.
Postado por Luis Favre
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
São Paulo não é tão azul assim
A votação na cidade de São Paulo, no segundo turno, expressa muito bem o significado da eleição para o necessário balanço eleitoral que a oposição estará obrigada a realizar sob pena de continuar declinando.
Em 2006, enfrentando Lula, o candidato tucano Geraldo Alckmin obteve na cidade de São Paulo 3.485.245 votos. Esse total representou 54,42% dos votos. Foram 566.249 votos a mais que o resultado obtido por Lula, que com 45,57%, recolheu 2.918.996 votos.
Em 2010, enfrentando Dilma, o candidato do PSDB, José Serra, atingiu 3.427.671 votos. Ou seja um pouco menos que Alckmin em 2006. Seu percentual ficou em 53,64%, enquanto Dilma foi para 46,36% com 2.961.897 (uma diferencia de 465.774 votos).
A comparação dos resultados mostra uma relativa estabilidade nas escolhas dos eleitores em São Paulo, com pequena melhora para a candidata do PT em relação ao PSDB.
Esse mesmo resultado do PSDB para presidente em 2010, foi o que obteve na cidade de São Paulo o próprio Serra em 2006, quando foi eleito governador (53,08%).
Podemos concluir que, independentemente do nome que representa o PSDB ou o PT, na cidade de São Paulo, a “dominação” do PSDB se sustenta em apenas um pouco mais de 3% dos eleitores. O eleitorado da cidade está dividido e não se sustenta o mito que considera a cidade de São Paulo como esmagadoramente favorável ao tucanato ou rejeitando o PT. Mesmo que esses elementos estejam presentes nos resultados obtidos, dando ao PSDB a vitória.
Já em Minas, Aécio permitiu um crescimento do voto tucano o que não é só mérito próprio, pois as divisões no PT contribuíram. Mas, diferentemente de São Paulo, o voto tucano aumentou 6% no Estado e de quase 26% na capital, Belo Horizonte. Mesmo perdendo para o voto Dilma, amplamente majoritário no Estado, não é pouca coisa para o cacife de Aécio ter obtido uma vitória para o PSDB na capital mineira.
Em termos gerais, a única real diferencia nesta eleição, em relação a 2006, foi o resultado do tucano no primeiro turno. Pois em 2006, Alckmin obteve no primeiro e no segundo turno resultados semelhantes (53,87% no 1º turno e 54,42% no 2º turno). Já Serra teve no primeiro turno de 2010, 40,33%. Ou seja, uma parte significativa do eleitorado tucano mostrou um incipiente afastamento das propostas e da campanha de Serra, votando em Marina Silva.
É esse balanço que Serra procura esconder, procurando bode expiatório em Minas Gerais (como disse José Roberto de Toledo, A resposta tem a ver com o futuro e não com o passado). A sua campanha levou a um recuo generalizado do voto PSDB no primeiro turno em todo o país, incluso nos lugares, como São Paulo, onde o PSDB é majoritário desde 2004. Recuperou no segundo turno o voto tucano com pouco crescimento em relação a Alckmin em 2006 e até com uma certa perda em São Paulo.
Só que segundo ele mesmo, Lula tinha enfrentado um candidato tucano fraco e ele derrotaria um “poste”.
O PSDB escolheu Serra e deu no que deu. Mas a questão vai bem além do candidato e concerne o conteúdo mesmo da política da oposição.
Luis Favre
Em 2006, enfrentando Lula, o candidato tucano Geraldo Alckmin obteve na cidade de São Paulo 3.485.245 votos. Esse total representou 54,42% dos votos. Foram 566.249 votos a mais que o resultado obtido por Lula, que com 45,57%, recolheu 2.918.996 votos.
Em 2010, enfrentando Dilma, o candidato do PSDB, José Serra, atingiu 3.427.671 votos. Ou seja um pouco menos que Alckmin em 2006. Seu percentual ficou em 53,64%, enquanto Dilma foi para 46,36% com 2.961.897 (uma diferencia de 465.774 votos).
A comparação dos resultados mostra uma relativa estabilidade nas escolhas dos eleitores em São Paulo, com pequena melhora para a candidata do PT em relação ao PSDB.
Esse mesmo resultado do PSDB para presidente em 2010, foi o que obteve na cidade de São Paulo o próprio Serra em 2006, quando foi eleito governador (53,08%).
Podemos concluir que, independentemente do nome que representa o PSDB ou o PT, na cidade de São Paulo, a “dominação” do PSDB se sustenta em apenas um pouco mais de 3% dos eleitores. O eleitorado da cidade está dividido e não se sustenta o mito que considera a cidade de São Paulo como esmagadoramente favorável ao tucanato ou rejeitando o PT. Mesmo que esses elementos estejam presentes nos resultados obtidos, dando ao PSDB a vitória.
Já em Minas, Aécio permitiu um crescimento do voto tucano o que não é só mérito próprio, pois as divisões no PT contribuíram. Mas, diferentemente de São Paulo, o voto tucano aumentou 6% no Estado e de quase 26% na capital, Belo Horizonte. Mesmo perdendo para o voto Dilma, amplamente majoritário no Estado, não é pouca coisa para o cacife de Aécio ter obtido uma vitória para o PSDB na capital mineira.
Em termos gerais, a única real diferencia nesta eleição, em relação a 2006, foi o resultado do tucano no primeiro turno. Pois em 2006, Alckmin obteve no primeiro e no segundo turno resultados semelhantes (53,87% no 1º turno e 54,42% no 2º turno). Já Serra teve no primeiro turno de 2010, 40,33%. Ou seja, uma parte significativa do eleitorado tucano mostrou um incipiente afastamento das propostas e da campanha de Serra, votando em Marina Silva.
É esse balanço que Serra procura esconder, procurando bode expiatório em Minas Gerais (como disse José Roberto de Toledo, A resposta tem a ver com o futuro e não com o passado). A sua campanha levou a um recuo generalizado do voto PSDB no primeiro turno em todo o país, incluso nos lugares, como São Paulo, onde o PSDB é majoritário desde 2004. Recuperou no segundo turno o voto tucano com pouco crescimento em relação a Alckmin em 2006 e até com uma certa perda em São Paulo.
Só que segundo ele mesmo, Lula tinha enfrentado um candidato tucano fraco e ele derrotaria um “poste”.
O PSDB escolheu Serra e deu no que deu. Mas a questão vai bem além do candidato e concerne o conteúdo mesmo da política da oposição.
Luis Favre
Marcadores:
LUIS FAVRE,
pesquisa eleitoral,
SEGUNDO TURNO
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Luis Favre - Curiosidade
Em 2006, na data de 19 de outubro, pesquisa Vox Populi da disputa presidencial entre Lula e Alckmin indicava vitória de Lula com 61% dos votos válidos, Alckmin 39%. O resultado da eleição foi Lula 60,83% e Alckmin 39,17%.
Hoje, Vox Populi indica Dilma com 57% e Serra com 43%.
Em ambas as pesquisas a margem de erro era de 2 pontos para mais ou para menos.
Dilma está 4 pontos abaixo dos resultados obtidos por Lula e Serra 4 pontos acima dos resultados de Alckmin.
O mapa da pesquisas é semelhante ao de 2006, mas os pontos de diferencia indicam por enquanto uma eleição mais acirrada.
O favoritismo de Dilma é evidente, mas a situação não é tranquila. Ao mesmo tempo, Serra em melhor posição que Alckmin, a diferença com 2006 não é tão grande assim como para considerar que definitivamente obterá um resultado diferente do obtido pelo seu colega de partido.
O comparativo aqui só serve para destacar relações de forças, comparativas no plano das pesquisas eleitorais, sem evidentemente qualquer projeção sobre os resultados definitivos do pleito em 2010.
O fato da pesquisa Vox Populi indicar na mesma data, com 4 anos de distancia, a vitória de Dilma não serve para qualquer prognóstico, mas representa uma interessante curiosidade LF
Hoje, Vox Populi indica Dilma com 57% e Serra com 43%.
Em ambas as pesquisas a margem de erro era de 2 pontos para mais ou para menos.
Dilma está 4 pontos abaixo dos resultados obtidos por Lula e Serra 4 pontos acima dos resultados de Alckmin.
O mapa da pesquisas é semelhante ao de 2006, mas os pontos de diferencia indicam por enquanto uma eleição mais acirrada.
O favoritismo de Dilma é evidente, mas a situação não é tranquila. Ao mesmo tempo, Serra em melhor posição que Alckmin, a diferença com 2006 não é tão grande assim como para considerar que definitivamente obterá um resultado diferente do obtido pelo seu colega de partido.
O comparativo aqui só serve para destacar relações de forças, comparativas no plano das pesquisas eleitorais, sem evidentemente qualquer projeção sobre os resultados definitivos do pleito em 2010.
O fato da pesquisa Vox Populi indicar na mesma data, com 4 anos de distancia, a vitória de Dilma não serve para qualquer prognóstico, mas representa uma interessante curiosidade LF
Marcadores:
LUIS FAVRE,
pesquisa eleitoral,
SEGUNDO TURNO,
vox
Luis Favre - Curiosidade
Em 2006, na data de 19 de outubro, pesquisa Vox Populi da disputa presidencial entre Lula e Alckmin indicava vitória de Lula com 61% dos votos válidos, Alckmin 39%. O resultado da eleição foi Lula 60,83% e Alckmin 39,17%.
Hoje, Vox Populi indica Dilma com 57% e Serra com 43%.
Em ambas as pesquisas a margem de erro era de 2 pontos para mais ou para menos.
Dilma está 4 pontos abaixo dos resultados obtidos por Lula e Serra 4 pontos acima dos resultados de Alckmin.
O mapa da pesquisas é semelhante ao de 2006, mas os pontos de diferencia indicam por enquanto uma eleição mais acirrada.
O favoritismo de Dilma é evidente, mas a situação não é tranquila. Ao mesmo tempo, Serra em melhor posição que Alckmin, a diferença com 2006 não é tão grande assim como para considerar que definitivamente obterá um resultado diferente do obtido pelo seu colega de partido.
O comparativo aqui só serve para destacar relações de forças, comparativas no plano das pesquisas eleitorais, sem evidentemente qualquer projeção sobre os resultados definitivos do pleito em 2010.
O fato da pesquisa Vox Populi indicar na mesma data, com 4 anos de distancia, a vitória de Dilma não serve para qualquer prognóstico, mas representa uma interessante curiosidade LF
Hoje, Vox Populi indica Dilma com 57% e Serra com 43%.
Em ambas as pesquisas a margem de erro era de 2 pontos para mais ou para menos.
Dilma está 4 pontos abaixo dos resultados obtidos por Lula e Serra 4 pontos acima dos resultados de Alckmin.
O mapa da pesquisas é semelhante ao de 2006, mas os pontos de diferencia indicam por enquanto uma eleição mais acirrada.
O favoritismo de Dilma é evidente, mas a situação não é tranquila. Ao mesmo tempo, Serra em melhor posição que Alckmin, a diferença com 2006 não é tão grande assim como para considerar que definitivamente obterá um resultado diferente do obtido pelo seu colega de partido.
O comparativo aqui só serve para destacar relações de forças, comparativas no plano das pesquisas eleitorais, sem evidentemente qualquer projeção sobre os resultados definitivos do pleito em 2010.
O fato da pesquisa Vox Populi indicar na mesma data, com 4 anos de distancia, a vitória de Dilma não serve para qualquer prognóstico, mas representa uma interessante curiosidade LF
Marcadores:
LUIS FAVRE,
pesquisa eleitoral,
SEGUNDO TURNO,
vox
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Escolhendo o presidente neste domingo, o eleitor estará indicando também o caminho da renovação da oposição
blog favre
As vésperas de votar, o eleitorado que se identifica com o PSDB e a oposição já esta confrontado com a disputa aberta entre os diversos componentes do campo oposicionista, sobre o futuro da aliança PSDB-DEM-PPS.
Pelas projeções das pesquisas o DEM será reduzido quase à dimensão do PPS, a verdadeira questão do futuro desse campo passa mais que nunca pelo desfecho da disputa no interior do PSDB.
A renovação partidária bate na porta como exigência de sobrevivência e não só como necessidade geracional. José Serra terá disputado dois eleições presidenciais e se confirmadas as previsões, perdido ambas. Mas essas derrotas acompanharam um processo de declínio e não de construção ou progresso da formação tucana. Por isso não serão comparadas com as que acompanharam e pavimentaram a subida de Lula e o PT até o Planalto. No caso de Serra fecham um período e abrem uma interrogação sobre o futuro.
As chaves para entender esse processo de declínio estavam certamente inscritas na experiência dos oito anos da presidência de FHC, mas não é essencialmente esse fator o responsável do impasse atual. A impopularidade de FHC, que serviu de argumento para esconder-lo nas campanhas de 2006 e 2010, ofuscou o necessário balanço crítico daquele período. Nenhuma voz se elevou na liderança partidária tucana para defender um questionamento dos elementos centrais que marcaram essa experiência e expor a possibilidade de uma superação crítica do passado, uma verdadeira renovação.
Ao mesmo tempo, a oposição manifestada durante estes oito anos de governo Lula, foi marcada pela ausência de programa alternativo e um denuncismo hipócrita, alimentado por uma parte da mídia, que ocultou a ausência de programa e propostas alternativas de poder. Uma oposição com imagem raivosa e sem programa alternativo, aguardando um improvável desgaste do governo Lula que fizesse cair no seu colo novamente o governo. Tentada permanentemente pelo questionamento institucional, pela procura de crises e por saídas pouco democráticas.
A campanha Serra foi a expressão mais acabada dessa ausência de renovação programática e rapidamente apresentou sua face udenista mais raivosa. Ela posicionou claramente o seu candidato, como o candidato do revanchismo e da direita mais troglodita. Ela aponta para um caminho que faz cada vez mais do PSDB, um agrupamento de um setor das elites paulistas com um perfil de direita e conservador. Para esse setor, representado também por uma certa mídia, o PT é uma força política ilegítima e antidemocrática que deve ser destruída, banida do espaço democrático e tratada como caso de polícia.
Esse conservadorismo de direita, averso ao dialogo e em ruptura com o que foi a própria origem da formação peessedebista, ganhou corpo e encontra na figura de Geraldo Alckmin sua melhor representação. Foi essa a cara na disputa de 2006 e acabou sendo a cara na disputa de 2010, pelo desespero que ganhou conta do próprio Serra e pelo conteúdo social da sua candidatura. Essa “cara”, guarda um certo apoio no eleitorado paulista, herdando uma parte da tradicional escola da direita populista – conservadora, que acompanhou o ademarismo, o janismo e o malufismo. Recuperado precisamente na sua comum aversão à esquerda e ao PT hoje.
Mas o Brasil mudou. O empresariado não é mais aquele que proclamava sua fuga em massa, caso Lula vencesse às eleições. Hoje uma parte significativa do empresariado nacional vota abertamente em Dilma. Um setor majoritário das classes médias fora de São Paulo e até no Estado bastião do tucanato, vota pelos candidatos do PT ao Senado, para deputados e governadores. Ou em candidatos de formações políticas aliadas ao PT no governo, como é o caso de Sérgio Cabral (PMDB) no Rio, Eduardo Campos (PSB) em Pernambuco, para falar só em dois deles.
Mas talvez o mais emblemático seja o resultado da eleição para presidente, no próprio Estado de São Paulo. As pesquisas indicam um favoritismo de Dilma, que não deixa dúvidas sobre o impasse da candidatura presidencial tucana. Onde Serra pretendia ganhar com 6 milhões de votos de vantagem, onde governou antes de se lançar candidato, hoje disputa para evitar sua derrota.
Em essas circunstâncias, qual vai ser o significado da votação de domingo para o futuro do PSDB?
Os eleitores, da situação e da oposição, vão determinar também em grande medida o caminho que será percorrido pelo PSDB, a partir do “day after”.
Dois atores, aliás, já se posicionam para encarnar esse momento de questionamento, que se abrirá após as eleições,. E é o voto que determinará, em certa medida, o peso que terão no futuro.
O eleitorado do PSDB tem ainda a possibilidade de dar um conteúdo político ao seu voto, direcionado a escolher qual é o caminho que deseja para seu partido e para a oposição ao governo e ao PT.
Um desses atores é o que poderíamos denominar o PSDB paulista, ou mais adequadamente o “serrismo-alckminismo”, hoje agindo de conserto na orientação udenista descrita acima.
O jornal Valor descreve assim o processo pelo qual Alckmin se prepara para recuperar e unificar esse conglomerado:
“Acusado de rachar o partido nas eleições de 2006 e 2008, quando insistiu em disputar a Presidência da República e a prefeitura de São Paulo, respectivamente, chocando-se com os interesses da ala do partido fiel a José Serra, Alckmin quase não foi o candidato escolhido para a disputa estadual este ano. Apesar de, desde as primeiras pesquisas de intenção de voto, aparecer como provável vencedor já no primeiro turno, quaisquer que fossem os adversários, Alckmin não era o preferido de um bom pedaço do PSDB, incluindo boa parte dos 205 prefeitos tucanos no Estado e dos deputados estaduais do partido na Assembleia Legislativa. Aloysio Nunes Ferreira, secretário da Casa Civil no governo Serra, era o outro nome cotado.
Alckmin foi o escolhido, mas teve de se submeter ao crivo da ala serrista. Sua campanha é toda cercada de pessoas da confiança de Serra. O marqueteiro, Luiz González, cuida das duas campanhas. Roger Ferreira, assessor de imprensa, que já havia trabalhado com Alckmin e pulou para a campanha de Gilberto Kassab (DEM) em 2008 (como boa parte do tucanato), está de volta. Sidney Beraldo, coordenador-geral, foi secretário de Gestão Pública no governo Serra. Escolhido por transitar nas duas alas do tucanato paulista, Beraldo teve ainda outra missão: trazer Kassab, seu amigo, a quem Alckmin chamara de “dissimulado” em 2008, para a campanha estadual.
Se a ideia era monitorar a fidelidade de Alckmin, este foi além. Disposto a reaver a confiança da ala serrista, tornou-se o mais fiel cabo eleitoral de Serra. Mesmo quando a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disparou nas pesquisas e Serra caiu, Alckmin foi dos únicos que se mantiveram, a cada evento público, a pedir votos ao presidenciável. “Geraldo sabe que será o grande nome do partido no Estado se o Serra perder. Mas só será um nome de expressão nacional se conquistar a parte do PSDB que hoje está com Serra”, avalia um integrante da campanha”. (Em SP, Alckmin aposta na unidade do PSDB para virar liderança nacional – VALOR 1/10/2010).
Desse lado é a continuidade da mesmice que levou a oposição ao impasse atual. Ela se beneficiaria da vitória de Alckmin ou de uma eventual ida de Serra para o segundo turno, para adiar qualquer processo de renovação que implique a ruptura com o denuncismo e a oposição raivosa. Manteria o governo estadual como um bunker fechado, não só para poder acolher os quadros partidários e se beneficiar da poderosa máquina de poder estadual, mas para alimentar a persistência de uma orientação conservadora.
O outro ator é representado pela força emergente de Aécio Neves, que marcou posição ao longo do último período, procurando representar a renovação do discurso social-democrata. Lançou pontes em direção a Ciro Gomes e não recusou o dialogo e os acordos até com setores do próprio PT. Ele foi escanteado pelo rolo compressor do serrismo e será mantido nessa situação provinciana, caso o bloco paulista do tucanato ganhe sobrevida na eleição nacional e estadual.
Chegou-se a afirmar que Aécio estaria de malas prontas para abandonar o PSDB, o que ele nega. Mas a verdade é que será o desfecho das urnas que determinará o caminho dessa importante liderança tucana.
Em momentos em que o eleitor estará teclando a urna eletrônica no domingo, ele estará escolhendo ao mesmo tempo qual será o caminho que percorrerão os atuais atores do tucanato e mais importante, estará escolhendo qual é o caminho que ele deseja para a oposição.
Votando Dilma e descartando um segundo turno na disputa presidencial, os eleitores tucanos contribuirão para derrotar a continuidade do udenismo raivoso no próprio tucanato. Estarão reforçando o caminho da renovação. A liderança de Dilma nos Estados governados pelo PSDB já manifesta essa disposição do eleitorado que se identifica com o tucanato. Particularmente no Estado de São Paulo, se Dilma derrotar Serra no primeiro turno, essa mensagem será avassaladora para o futuro nacional do PSDB.
A vitória de Dilma aparece como inelutável em todos os cenários projetados pelos institutos de pesquisas e pelos analistas políticos, no primeiro ou no segundo turno. Mas a derrota de Serra no primeiro turno é a garantia de um primeiro passo no caminho da renovação do próprio PSDB, eliminando e debilitando o polo conservador.
O voto Dilma é um voto útil, incluso para o eleitorado que não se identifica com ela e com o governo do presidente Lula, permitindo que esse processo de consolidação democrática – decantando e renovando a oposição – possa florescer no interior do PSDB
As vésperas de votar, o eleitorado que se identifica com o PSDB e a oposição já esta confrontado com a disputa aberta entre os diversos componentes do campo oposicionista, sobre o futuro da aliança PSDB-DEM-PPS.
Pelas projeções das pesquisas o DEM será reduzido quase à dimensão do PPS, a verdadeira questão do futuro desse campo passa mais que nunca pelo desfecho da disputa no interior do PSDB.
A renovação partidária bate na porta como exigência de sobrevivência e não só como necessidade geracional. José Serra terá disputado dois eleições presidenciais e se confirmadas as previsões, perdido ambas. Mas essas derrotas acompanharam um processo de declínio e não de construção ou progresso da formação tucana. Por isso não serão comparadas com as que acompanharam e pavimentaram a subida de Lula e o PT até o Planalto. No caso de Serra fecham um período e abrem uma interrogação sobre o futuro.
As chaves para entender esse processo de declínio estavam certamente inscritas na experiência dos oito anos da presidência de FHC, mas não é essencialmente esse fator o responsável do impasse atual. A impopularidade de FHC, que serviu de argumento para esconder-lo nas campanhas de 2006 e 2010, ofuscou o necessário balanço crítico daquele período. Nenhuma voz se elevou na liderança partidária tucana para defender um questionamento dos elementos centrais que marcaram essa experiência e expor a possibilidade de uma superação crítica do passado, uma verdadeira renovação.
Ao mesmo tempo, a oposição manifestada durante estes oito anos de governo Lula, foi marcada pela ausência de programa alternativo e um denuncismo hipócrita, alimentado por uma parte da mídia, que ocultou a ausência de programa e propostas alternativas de poder. Uma oposição com imagem raivosa e sem programa alternativo, aguardando um improvável desgaste do governo Lula que fizesse cair no seu colo novamente o governo. Tentada permanentemente pelo questionamento institucional, pela procura de crises e por saídas pouco democráticas.
A campanha Serra foi a expressão mais acabada dessa ausência de renovação programática e rapidamente apresentou sua face udenista mais raivosa. Ela posicionou claramente o seu candidato, como o candidato do revanchismo e da direita mais troglodita. Ela aponta para um caminho que faz cada vez mais do PSDB, um agrupamento de um setor das elites paulistas com um perfil de direita e conservador. Para esse setor, representado também por uma certa mídia, o PT é uma força política ilegítima e antidemocrática que deve ser destruída, banida do espaço democrático e tratada como caso de polícia.
Esse conservadorismo de direita, averso ao dialogo e em ruptura com o que foi a própria origem da formação peessedebista, ganhou corpo e encontra na figura de Geraldo Alckmin sua melhor representação. Foi essa a cara na disputa de 2006 e acabou sendo a cara na disputa de 2010, pelo desespero que ganhou conta do próprio Serra e pelo conteúdo social da sua candidatura. Essa “cara”, guarda um certo apoio no eleitorado paulista, herdando uma parte da tradicional escola da direita populista – conservadora, que acompanhou o ademarismo, o janismo e o malufismo. Recuperado precisamente na sua comum aversão à esquerda e ao PT hoje.
Mas o Brasil mudou. O empresariado não é mais aquele que proclamava sua fuga em massa, caso Lula vencesse às eleições. Hoje uma parte significativa do empresariado nacional vota abertamente em Dilma. Um setor majoritário das classes médias fora de São Paulo e até no Estado bastião do tucanato, vota pelos candidatos do PT ao Senado, para deputados e governadores. Ou em candidatos de formações políticas aliadas ao PT no governo, como é o caso de Sérgio Cabral (PMDB) no Rio, Eduardo Campos (PSB) em Pernambuco, para falar só em dois deles.
Mas talvez o mais emblemático seja o resultado da eleição para presidente, no próprio Estado de São Paulo. As pesquisas indicam um favoritismo de Dilma, que não deixa dúvidas sobre o impasse da candidatura presidencial tucana. Onde Serra pretendia ganhar com 6 milhões de votos de vantagem, onde governou antes de se lançar candidato, hoje disputa para evitar sua derrota.
Em essas circunstâncias, qual vai ser o significado da votação de domingo para o futuro do PSDB?
Os eleitores, da situação e da oposição, vão determinar também em grande medida o caminho que será percorrido pelo PSDB, a partir do “day after”.
Dois atores, aliás, já se posicionam para encarnar esse momento de questionamento, que se abrirá após as eleições,. E é o voto que determinará, em certa medida, o peso que terão no futuro.
O eleitorado do PSDB tem ainda a possibilidade de dar um conteúdo político ao seu voto, direcionado a escolher qual é o caminho que deseja para seu partido e para a oposição ao governo e ao PT.
Um desses atores é o que poderíamos denominar o PSDB paulista, ou mais adequadamente o “serrismo-alckminismo”, hoje agindo de conserto na orientação udenista descrita acima.
O jornal Valor descreve assim o processo pelo qual Alckmin se prepara para recuperar e unificar esse conglomerado:
“Acusado de rachar o partido nas eleições de 2006 e 2008, quando insistiu em disputar a Presidência da República e a prefeitura de São Paulo, respectivamente, chocando-se com os interesses da ala do partido fiel a José Serra, Alckmin quase não foi o candidato escolhido para a disputa estadual este ano. Apesar de, desde as primeiras pesquisas de intenção de voto, aparecer como provável vencedor já no primeiro turno, quaisquer que fossem os adversários, Alckmin não era o preferido de um bom pedaço do PSDB, incluindo boa parte dos 205 prefeitos tucanos no Estado e dos deputados estaduais do partido na Assembleia Legislativa. Aloysio Nunes Ferreira, secretário da Casa Civil no governo Serra, era o outro nome cotado.
Alckmin foi o escolhido, mas teve de se submeter ao crivo da ala serrista. Sua campanha é toda cercada de pessoas da confiança de Serra. O marqueteiro, Luiz González, cuida das duas campanhas. Roger Ferreira, assessor de imprensa, que já havia trabalhado com Alckmin e pulou para a campanha de Gilberto Kassab (DEM) em 2008 (como boa parte do tucanato), está de volta. Sidney Beraldo, coordenador-geral, foi secretário de Gestão Pública no governo Serra. Escolhido por transitar nas duas alas do tucanato paulista, Beraldo teve ainda outra missão: trazer Kassab, seu amigo, a quem Alckmin chamara de “dissimulado” em 2008, para a campanha estadual.
Se a ideia era monitorar a fidelidade de Alckmin, este foi além. Disposto a reaver a confiança da ala serrista, tornou-se o mais fiel cabo eleitoral de Serra. Mesmo quando a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disparou nas pesquisas e Serra caiu, Alckmin foi dos únicos que se mantiveram, a cada evento público, a pedir votos ao presidenciável. “Geraldo sabe que será o grande nome do partido no Estado se o Serra perder. Mas só será um nome de expressão nacional se conquistar a parte do PSDB que hoje está com Serra”, avalia um integrante da campanha”. (Em SP, Alckmin aposta na unidade do PSDB para virar liderança nacional – VALOR 1/10/2010).
Desse lado é a continuidade da mesmice que levou a oposição ao impasse atual. Ela se beneficiaria da vitória de Alckmin ou de uma eventual ida de Serra para o segundo turno, para adiar qualquer processo de renovação que implique a ruptura com o denuncismo e a oposição raivosa. Manteria o governo estadual como um bunker fechado, não só para poder acolher os quadros partidários e se beneficiar da poderosa máquina de poder estadual, mas para alimentar a persistência de uma orientação conservadora.
O outro ator é representado pela força emergente de Aécio Neves, que marcou posição ao longo do último período, procurando representar a renovação do discurso social-democrata. Lançou pontes em direção a Ciro Gomes e não recusou o dialogo e os acordos até com setores do próprio PT. Ele foi escanteado pelo rolo compressor do serrismo e será mantido nessa situação provinciana, caso o bloco paulista do tucanato ganhe sobrevida na eleição nacional e estadual.
Chegou-se a afirmar que Aécio estaria de malas prontas para abandonar o PSDB, o que ele nega. Mas a verdade é que será o desfecho das urnas que determinará o caminho dessa importante liderança tucana.
Em momentos em que o eleitor estará teclando a urna eletrônica no domingo, ele estará escolhendo ao mesmo tempo qual será o caminho que percorrerão os atuais atores do tucanato e mais importante, estará escolhendo qual é o caminho que ele deseja para a oposição.
Votando Dilma e descartando um segundo turno na disputa presidencial, os eleitores tucanos contribuirão para derrotar a continuidade do udenismo raivoso no próprio tucanato. Estarão reforçando o caminho da renovação. A liderança de Dilma nos Estados governados pelo PSDB já manifesta essa disposição do eleitorado que se identifica com o tucanato. Particularmente no Estado de São Paulo, se Dilma derrotar Serra no primeiro turno, essa mensagem será avassaladora para o futuro nacional do PSDB.
A vitória de Dilma aparece como inelutável em todos os cenários projetados pelos institutos de pesquisas e pelos analistas políticos, no primeiro ou no segundo turno. Mas a derrota de Serra no primeiro turno é a garantia de um primeiro passo no caminho da renovação do próprio PSDB, eliminando e debilitando o polo conservador.
O voto Dilma é um voto útil, incluso para o eleitorado que não se identifica com ela e com o governo do presidente Lula, permitindo que esse processo de consolidação democrática – decantando e renovando a oposição – possa florescer no interior do PSDB
terça-feira, 21 de setembro de 2010
LUIS FAVRE - Formador de opinião
BLOG DO FAVRE
Formador de opinião
Estadão e O Globo investem contra Lula, o governo e o PT nos seus editoriais do dia. Um direito indiscutível a expressar e difundir suas opiniões, ainda mais que se trata de opiniões críticas e não louvadoras. A liberdade de imprensa é sempre em primeiro lugar o direito a expressar opiniões contrárias ao poder, qualquer seja este. Como o principio numero um da democracia é o direito a organização, expressão e manifestação das minorias.
Esse direito que os jornais exercem, sem nenhum assomo de restrição, configura uma conquista essencial do povo brasileiro, obtida após 21 anos de regime militar.
Ninguém questiona o papel da imprensa em apontar problemas, irregularidade ou desmandos. O que se questiona é a tentativa de utilizar essas denúncias, algumas aparentemente consistentes e outras não, para proceder a ilações visando objetivos eleitorais.
Ninguém questiona o direito dos jornais a opinar livremente e manifestar sua oposição ao governo ou a sua política. O que se questiona é a manipulação político-eleitoral por parte de alguns veículos de comunicação ou de alguns articulistas, sem assumir abertamente suas posturas.
Concordar obrigatoriamente com o conteúdo desses editoriais seria uma pretensão ditatorial do pensamento único, que ninguém poderia tolerar, a começar pelos próprios autores dos mesmos. Por isso o debate do seu conteúdo é tão importante, quanto o direito ao dissenso que eles comportam e reivindicam.
Esse é meu intuito com estas remarcas à seguir.
Estadão escreve: “Mas a verdade é que o paladino dos desvalidos nutre hoje uma genuína ojeriza por uma, e apenas uma, categoria especial de elite: a intelectual, formada por pessoas que perdem tempo com leituras e que por isso se julgam no direito de avaliar criticamente o desempenho dos governantes”.
A acusação dirige-se ao Lula e não tenho procuração para responder em nome dele. Mas me sinto interpelado pela pretensiosa arrogância contida nessa frase. Dedicando como muitos outros um tempo considerável a leituras, julgo-me no direito de avaliar criticamente a atuação não só dos governantes, mas de todos os atores da política nacional, incluída a imprensa. Pretender, porém, que a elite intelectual é exclusivamente aquela que se identifica com a oposição ao governo, recusando aos intelectuais que com o governo e o PT se identificam este rótulo, constitui uma pretensão inaudita. E não me consta que Lula manifeste particular ojeriza contra todos os intelectuais e sim seu desacordo com os que criticam virulentamente seu governo. Ele pode ter razão ou não. Mas não é um direito dele poder discordar? Porque os editorialistas do Estadão não estariam sujeitos a críticas?
Na afirmação do editorial do Estadão há também outra pretensão, a de considerar que os que são informados, os que leem, são os únicos em condições de avaliar criticamente o desempenho dos governantes.
Não faço da ignorância uma virtude, mas em democracia o principio é que versados em letras ou não, professores ou camponeses do Sertão, todos podem avaliar seus governantes.
O que o editorial embute é a ideia que a avaliação positiva da maioria da população ao governo Lula é produto de sua falta de leitura, de sua ignorância e por isso seria uma massa acrítica sujeita a manipulação. Para confortar essa tese, recusasse aos intelectuais partidários do governo, a etiqueta. Estadão pretende assim ser o detentor do pensamento intelectual, suprimindo dos que com sua orientação discordam do campo dos que trabalham e elaboram ideias, leem e se informam, como os outros. A argumentação do Estadão não é original e já estava presente nos pensadores oficiais das velhas monarquias para justificar o voto censitário, ou o próprio absolutismo real.
O editorial do Globo também crítica o presidente Lula e suas declarações sobre o papel de certos jornais. Segundo O Globo, Lula defende uma conceição autoritária da imprensa, “segundo a vulgata ideológica dos intelectuais orgânicos do lulopetismo, a imprensa é um instrumento de manipulação da sociedade”. A vulgata agradece ser reconhecida como parte da intelectualidade, mesmo carimbada de orgânica, porem, recusa a grosseira deformação de suas posições. A imprensa deve ter um comportamento ético e isento no tratamento da notícia, essa é a exigência da “vulgata lulopetista”. E não parece ser a opinião do editorial do Globo.
Para O Globo, o Brasil não pode pretender que sua imprensa tenha os mesmos padrões da imprensa Europeia, por exemplo. Segundo o editorial “Trata-se de outro equívoco tentar comparar a postura da imprensa brasileira diante de governos, candidatos e legendas com a de países onde práticas democráticas são seguidas há séculos e existem partidos enraizados na sociedade por gerações”.
Que nos diz O Globo com essa frase? Que na ausência de partidos enraizados na sociedade, a imprensa no Brasil deve ter um comportamento de substituição das funções deles? Mas precisamente, foi essa a acusação feita por Lula. Segundo o presidente “alguns jornais e revistas se comportam como se fossem um partido político…”.
O Globo confirma, mas justifica pela precariedade de nossos partidos e práticas democráticas, que a imprensa tenha uma postura engajada politicamente em favor de determinados governos, candidatos e legendas?
O editorial acrescenta “É gigantesca também a dificuldade de Lula e companheiros entenderem que veículos de comunicação podem não defender partidos e candidatos, mas princípios, e, em função deles, criticar ou elogiar partidos e candidatos”.
A identificação com a campanha da oposição é assumida aqui como subproduto da defesa de “princípios” que a levariam a elogiar “partidos e candidatos”. Ninguém nega esse direito do jornal O Globo manifestar publicamente sua identidade de princípios com este ou aquele candidato ou partido. Deveria faze-lo abertamente e não disfarçado no noticiário.
Assumindo assim, quase que abertamente, o papel de “formador de opinião” em prol de determinados princípios concordantes com os de alguns candidatos e partidos, O Globo pretende que esse papel de “formador de opinião” seja um monopólio da imprensa. O jornal não aceita que esse monopólio lhe seja contestado.
Lula não pretende e nunca pretendeu que a opinião pública seja ele e o seu governo, como subrepticiamente o editorial pretende. O “nos” utilizado no seu discurso em Campinas é representativo do, “vocês população brasileira”, vocês povo. Ele convocou à população a ser sua própria “formadora de opinião”, a recusar esse monopólio que descaradamente O Globo arroga para si no editorial.
Ser sua própria formadora de opinião implica ter a capacidade de analisar criticamente as informações, separar o joio do trigo, ouvir o contraditório e forjar assim sua opinião.
Porque algum democrata veria inconveniente nesse processo de formação da consciência cidadã? Não são esses os princípios mesmos que dão todo o sentido à liberdade de informação e de imprensa?
Luis Favre
Papo fundamewntalista dos golpistas
Editorial do jornal O Estado SP
A elite que Lula não suporta
Nas encenações palanqueiras em que o presidente Lula invariavelmente se apresenta como o protagonista da obra de criação deste país maravilhoso em que hoje vivemos, o papel de antagonista está sempre reservado às “elites”. Durante mais de 500 anos, as elites mantiveram o Brasil preso aos grilhões do subdesenvolvimento e da mais perversa injustiça social. Aí surgiu Lula, o intimorato, e em menos de oito anos tudo mudou. Simples assim.
Com essa retórica maniqueísta, sem o menor pudor Lula alimenta no eleitorado de baixa renda e pouca instrução – seu público-alvo prioritário – o sentimento difuso de que quem tem dinheiro e/ou estudo está do “outro lado”, nas hostes inimigas. Mas a verdade é que o paladino dos desvalidos nutre hoje uma genuína ojeriza por uma, e apenas uma, categoria especial de elite: a intelectual, formada por pessoas que perdem tempo com leituras e que por isso se julgam no direito de avaliar criticamente o desempenho dos governantes. Por extensão, uma enorme ojeriza à imprensa. Com todas as demais elites Sua Excelência já resolveu seus problemas. Está com elas perfeitamente composto, afinado, associado, aliado e, pelo menos em outro caso específico, o das oligarquias dos grotões maranhenses, alagoenses, amapaenses e que tais, acumpliciado.
Até por mérito do próprio governo na condução da economia (nem sempre a imprensa ignora os acertos do poder público…), os ventos favoráveis que hoje, de modo geral, embalam o mundo dos negócios, muito especialmente os negócios financeiros, não permitem imaginar que o “poder econômico” considere Lula um inimigo ou uma ameaça e vice-versa. É claro que em público o jogo de cena é mantido, com ataques, sob medida para cada plateia, aos eternos inimigos do povo. Mas na intimidade o presidente se vangloria, em seus cada vez mais frequentes surtos apoteóticos, de que hoje o poder econômico, nacional e multinacional, está submisso à sua vontade. Não é, portanto, essa elite que tem em mente nas diatribes contra os malvados que conspiram contra sua obra redentora.
A revelação de seu verdadeiro alvo Lula oferece cada vez que abre a boca. Como no dia 18, em Juiz de Fora: “Essa gente não nos perdoa. Basta que você veja alguns órgãos e jornais do Brasil (…) Porque na verdade quem faz oposição neste país é determinado tipo de imprensa. Ah, como inventam coisa contra o Lula. Olha, se eu dependesse deles para ter 80% de aprovação neste país eu tinha zero. Porque 90% das coisas boas deste país não é mostrado (sic).”
Então é isto. Imprensa que fala mal do governo não presta, extrapola os limites da liberdade de informar. Não é mais do que um instrumento de dominação das elites.
Assim, movido por sua arraigada tendência ao autoritarismo messiânico que é a marca de sua trajetória na vida pública, Lula parece cada vez mais confortável na posição de dono de um esquema de poder que almeja perpetuar para alegria da companheirada. Um modelo populista, despolitizado, referendado pela aprovação popular a resultados econometricamente aferíveis, mas que despreza valores genuinamente democráticos de respeito à cidadania, coisa que só interessa à “zelite”. Tudo isso convivendo com a prática mais deslavada do patrimonialismo, coronelismo, clientelismo, tráfico de influência, cartorialismo, aparelhamento e tudo o mais que Lula e seu PT combateram vigorosamente por pouco mais de 20 anos, para depois transformar em seu programa de governo. E em toda essa mistificação o repúdio às elites é a palavra de ordem e a imprensa, o grande bode expiatório.
O diagnóstico seguinte foi feito, com as habituais competência e sutileza, por um dos mais notórios fantasmas de Lula, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista publicada no Estado de domingo: “Achei que (Lula) fosse mais inovador, capaz de deixar uma herança política democrática, mostrando que o sentimento popular, a incorporação da massa à política e a incorporação social podem conviver com a democracia, não pensar que isso só pode ser feito por caudilhos como Perón, Chávez, etc. (…) Mas Lula está a todo instante desprezando o componente democrático para ficar na posição de caudilho.” Falou e disse.
Editorial O GLOBO
Lula e a visão autoritária da imprensa
É nos improvisos que o presidente Lula se deixa levar, fala o que não seria conveniente do ponto de vista político, mas transmite o que lhe vai no fundo da alma. Inebriado por índices recordes de popularidade, nunca antes alcançados neste país, Lula tem radicalizado na autoindulgência, como se o apoio popular o colocasse acima de leis e limites institucionais.
São exemplos desse desvio as sucessivas vezes em que o presidente age como chefe de partido, numa deplorável mistura de papéis, porém bem ao estilo de um governo que, na ocupação da máquina burocrática, exercita ao extremo a confusão entre interesses privados e a esfera pública.
É nessa zona cinzenta que a grande família de Erenice Guerra se aboletou, e corporações sindicais sentam praça nos cofres do Tesouro, ao lado de movimentos ditos sociais que atuam em estado de semiclandestinidade, em parte financiados pelo contribuinte.
À medida que se envolvia no projeto de eleger a sua desconhecida ministra Dilma Rousseff, enquanto mantinha e até elevava a popularidade, o presidente foi jogando às favas o equilíbrio. Principal atração dos comícios de sua candidata, Lula radicaliza na insensatez. Pode-se dar desconto pelo inevitável aumento de temperatura característico das campanhas eleitorais, mas não é possível ser condescendente quando se invade de maneira desvairada o campo vital das liberdades democráticas.
Até porque o ataque feito por Lula à imprensa, num comício em Campinas, sábado, não é um acidente de rota, um fato isolado no seu governo de quase oito anos; tampouco no seu partido, onde se destilam propostas formais para a “democratização da mídia”, o “controle social dos meios de comunicação”, eufemismos para designar a destruição da independência da imprensa profissional, assim como fazem os governos de Cristina Kirchner e Hugo Chávez, aliados preferenciais da diplomacia companheira no continente.
No sábado, Lula, como se tomado pelo espírito do Rei Sol, um Luis XIV tropicalizado, bradou: “Nós somos a opinião pública.” Em meio a ataques a “alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem um partido político(…)”, Lula, na verdade, externou toda a dificuldade que ele, auxiliares diretos e líderes petistas têm de entender o papel da imprensa numa sociedade aberta. Há tempos emana do Planalto a visão de que o governo Lula acabou com os “formadores de opinião”, e agora se sabe que eles foram substituídos, segundo este contorcionismo intelectual, pelo presidente e seu grupo no poder. Numa reedição de um “pai dos pobres” de figurino getulista, o presidente teria hipnotizado as massas, alimentadas por um assistencialismo bilionário, e por isso elas só reproduzirão a opinião do seu redentor.
Mais do que uma tosca engenharia de raciocínio, porém, esta percepção lulista da imprensa deriva de um entendimento autoritário da função dos meios de comunicação: segundo a vulgata ideológica dos intelectuais orgânicos do lulopetismo, a imprensa é um instrumento de manipulação da sociedade.
E, sendo assim, precisa estar subordinada ao partido e ao Estado, os quais, no imaginário desses militantes, se confundem. É inconcebível para esses que a imprensa profissional — que precisa ser rentável para se manter independente, e o mais distante possível de verbas administradas pelos poderosos do momento —cumpra uma função pública, e disto têm consciência profissionais e acionistas das empresas de comunicação.
A visão maniqueísta lulopetista da imprensa leva a que se procure intrincadas conspirações por trás de reportagens de denúncia, um truque que também serve para jogar uma cortina de fumaça à frente de desvios éticos cometidos pela companheirada. Foi assim que o mensalão se tornou produto de uma imprensa “golpista”, bem como a ação dos aloprados.
Denunciado por um aliado desgostoso, Roberto Jefferson, do PTB, o esquema de coleta e lavagem de dinheiro sujo para alimentar uma bancada parlamentar governista gerou um processo que tramita no Supremo Tribunal Federal, depois de aceita denúncia da Procuradoria Geral da República contra essa “organização criminosa”. No escândalo da tentativa de compra de um dossiê falso contra o tucano José Serra, na campanha de 2006 para o governo de São Paulo, petistas proeminentes — os “aloprados”, nas palavras do próprio Lula — foram apanhados em flagrante delito.
Nada porém abala o discurso petista contra manobras “golpistas” da imprensa independente.
Mas não houve qualquer crítica quando, no primeiro governo FH, reportagem do GLOBO derrubou o então presidente dos Correios, Henrique Hargreaves, ao revelar que ele tinha um contrato com o Sebrae, do qual recebia sem trabalhar.
Não se ouviu, também, qualquer reclamação petista quando a “Folha de S.Paulo” relatou histórias de compra de votos de deputados federais a favor da emenda constitucional que permitiria a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Ou na revelação feita pelo GLOBO de que o esquema do mensalão, antes de José Dirceu, Delúbio e Genoino, fora acionado pelo PSDB mineiro no financiamento da campanha frustrada de reeleição do governador Eduardo Azeredo, delito também a ser julgado no STF. E nenhuma admoestação à imprensa partiu do PT na divulgação de cenas pornográficas de corrupção patrocinadas pelo DEM de Brasília.
Imprensa boa é imprensa chapa-branca, deduzse.
Outra prova cabal de como o PT se equivoca sobre o jornalismo profissional foi dada por José Dirceu, cassado no escândalo do mensalão e considerado pelo Ministério Público o chefe da tal “organização criminosa”.
Considerado líder importante no partido, até visto como herói por ter se imolado pela causa petista, Dirceu demonstra continuar com bom trânsito em Brasília, e continua a pontificar.
Na semana passada, ao doutrinar sindicalistas petroleiros na Bahia, o ex-ministro da Casa Civil de Lula comemorou o fato de uma provável vitória da “companheira de armas” Dilma Rousseff facilitar a execução do “projeto político” do PT, difícil de ser aplicado com Lula, pois o presidente em contagem regressiva para voltar a São Bernardo é algumas vezes maior que o partido, explicou. Do projeto, consta o de sempre: “democratização dos meios de comunicação” etc.
Além de considerar que a imprensa brasileira abusa do direito de informar — uma pérola do pensamento da esquerda autoritária —, Dirceu reclamou de uma suposta tentativa das redações de interferir na formação do futuro governo Dilma, algo digno de ficção.
Ora, isto não é função da imprensa.
A não ser que se entendam os meios de comunicação pela ótica do PT: não passam de instrumentos de manipulação política e social.
É gigantesca também a dificuldade de Lula e companheiros entenderem que veículos de comunicação podem não defender partidos e candidatos, mas princípios, e, em função deles, criticar ou elogiar partidos e candidatos.
Trata-se de outro equívoco tentar comparar a postura da imprensa brasileira diante de governos, candidatos e legendas com a de países onde práticas democráticas são seguidas há séculos e existem partidos enraizados na sociedade por gerações.
Deturpar a realidade em razão de cacoetes ideológicos não chega a preocupar.
Costuma acontecer na política e mesmo no mundo acadêmico. O perigo está quando se chega ao poder com este tipo de percepção distorcida.
Formador de opinião
Estadão e O Globo investem contra Lula, o governo e o PT nos seus editoriais do dia. Um direito indiscutível a expressar e difundir suas opiniões, ainda mais que se trata de opiniões críticas e não louvadoras. A liberdade de imprensa é sempre em primeiro lugar o direito a expressar opiniões contrárias ao poder, qualquer seja este. Como o principio numero um da democracia é o direito a organização, expressão e manifestação das minorias.
Esse direito que os jornais exercem, sem nenhum assomo de restrição, configura uma conquista essencial do povo brasileiro, obtida após 21 anos de regime militar.
Ninguém questiona o papel da imprensa em apontar problemas, irregularidade ou desmandos. O que se questiona é a tentativa de utilizar essas denúncias, algumas aparentemente consistentes e outras não, para proceder a ilações visando objetivos eleitorais.
Ninguém questiona o direito dos jornais a opinar livremente e manifestar sua oposição ao governo ou a sua política. O que se questiona é a manipulação político-eleitoral por parte de alguns veículos de comunicação ou de alguns articulistas, sem assumir abertamente suas posturas.
Concordar obrigatoriamente com o conteúdo desses editoriais seria uma pretensão ditatorial do pensamento único, que ninguém poderia tolerar, a começar pelos próprios autores dos mesmos. Por isso o debate do seu conteúdo é tão importante, quanto o direito ao dissenso que eles comportam e reivindicam.
Esse é meu intuito com estas remarcas à seguir.
Estadão escreve: “Mas a verdade é que o paladino dos desvalidos nutre hoje uma genuína ojeriza por uma, e apenas uma, categoria especial de elite: a intelectual, formada por pessoas que perdem tempo com leituras e que por isso se julgam no direito de avaliar criticamente o desempenho dos governantes”.
A acusação dirige-se ao Lula e não tenho procuração para responder em nome dele. Mas me sinto interpelado pela pretensiosa arrogância contida nessa frase. Dedicando como muitos outros um tempo considerável a leituras, julgo-me no direito de avaliar criticamente a atuação não só dos governantes, mas de todos os atores da política nacional, incluída a imprensa. Pretender, porém, que a elite intelectual é exclusivamente aquela que se identifica com a oposição ao governo, recusando aos intelectuais que com o governo e o PT se identificam este rótulo, constitui uma pretensão inaudita. E não me consta que Lula manifeste particular ojeriza contra todos os intelectuais e sim seu desacordo com os que criticam virulentamente seu governo. Ele pode ter razão ou não. Mas não é um direito dele poder discordar? Porque os editorialistas do Estadão não estariam sujeitos a críticas?
Na afirmação do editorial do Estadão há também outra pretensão, a de considerar que os que são informados, os que leem, são os únicos em condições de avaliar criticamente o desempenho dos governantes.
Não faço da ignorância uma virtude, mas em democracia o principio é que versados em letras ou não, professores ou camponeses do Sertão, todos podem avaliar seus governantes.
O que o editorial embute é a ideia que a avaliação positiva da maioria da população ao governo Lula é produto de sua falta de leitura, de sua ignorância e por isso seria uma massa acrítica sujeita a manipulação. Para confortar essa tese, recusasse aos intelectuais partidários do governo, a etiqueta. Estadão pretende assim ser o detentor do pensamento intelectual, suprimindo dos que com sua orientação discordam do campo dos que trabalham e elaboram ideias, leem e se informam, como os outros. A argumentação do Estadão não é original e já estava presente nos pensadores oficiais das velhas monarquias para justificar o voto censitário, ou o próprio absolutismo real.
O editorial do Globo também crítica o presidente Lula e suas declarações sobre o papel de certos jornais. Segundo O Globo, Lula defende uma conceição autoritária da imprensa, “segundo a vulgata ideológica dos intelectuais orgânicos do lulopetismo, a imprensa é um instrumento de manipulação da sociedade”. A vulgata agradece ser reconhecida como parte da intelectualidade, mesmo carimbada de orgânica, porem, recusa a grosseira deformação de suas posições. A imprensa deve ter um comportamento ético e isento no tratamento da notícia, essa é a exigência da “vulgata lulopetista”. E não parece ser a opinião do editorial do Globo.
Para O Globo, o Brasil não pode pretender que sua imprensa tenha os mesmos padrões da imprensa Europeia, por exemplo. Segundo o editorial “Trata-se de outro equívoco tentar comparar a postura da imprensa brasileira diante de governos, candidatos e legendas com a de países onde práticas democráticas são seguidas há séculos e existem partidos enraizados na sociedade por gerações”.
Que nos diz O Globo com essa frase? Que na ausência de partidos enraizados na sociedade, a imprensa no Brasil deve ter um comportamento de substituição das funções deles? Mas precisamente, foi essa a acusação feita por Lula. Segundo o presidente “alguns jornais e revistas se comportam como se fossem um partido político…”.
O Globo confirma, mas justifica pela precariedade de nossos partidos e práticas democráticas, que a imprensa tenha uma postura engajada politicamente em favor de determinados governos, candidatos e legendas?
O editorial acrescenta “É gigantesca também a dificuldade de Lula e companheiros entenderem que veículos de comunicação podem não defender partidos e candidatos, mas princípios, e, em função deles, criticar ou elogiar partidos e candidatos”.
A identificação com a campanha da oposição é assumida aqui como subproduto da defesa de “princípios” que a levariam a elogiar “partidos e candidatos”. Ninguém nega esse direito do jornal O Globo manifestar publicamente sua identidade de princípios com este ou aquele candidato ou partido. Deveria faze-lo abertamente e não disfarçado no noticiário.
Assumindo assim, quase que abertamente, o papel de “formador de opinião” em prol de determinados princípios concordantes com os de alguns candidatos e partidos, O Globo pretende que esse papel de “formador de opinião” seja um monopólio da imprensa. O jornal não aceita que esse monopólio lhe seja contestado.
Lula não pretende e nunca pretendeu que a opinião pública seja ele e o seu governo, como subrepticiamente o editorial pretende. O “nos” utilizado no seu discurso em Campinas é representativo do, “vocês população brasileira”, vocês povo. Ele convocou à população a ser sua própria “formadora de opinião”, a recusar esse monopólio que descaradamente O Globo arroga para si no editorial.
Ser sua própria formadora de opinião implica ter a capacidade de analisar criticamente as informações, separar o joio do trigo, ouvir o contraditório e forjar assim sua opinião.
Porque algum democrata veria inconveniente nesse processo de formação da consciência cidadã? Não são esses os princípios mesmos que dão todo o sentido à liberdade de informação e de imprensa?
Luis Favre
Papo fundamewntalista dos golpistas
Editorial do jornal O Estado SP
A elite que Lula não suporta
Nas encenações palanqueiras em que o presidente Lula invariavelmente se apresenta como o protagonista da obra de criação deste país maravilhoso em que hoje vivemos, o papel de antagonista está sempre reservado às “elites”. Durante mais de 500 anos, as elites mantiveram o Brasil preso aos grilhões do subdesenvolvimento e da mais perversa injustiça social. Aí surgiu Lula, o intimorato, e em menos de oito anos tudo mudou. Simples assim.
Com essa retórica maniqueísta, sem o menor pudor Lula alimenta no eleitorado de baixa renda e pouca instrução – seu público-alvo prioritário – o sentimento difuso de que quem tem dinheiro e/ou estudo está do “outro lado”, nas hostes inimigas. Mas a verdade é que o paladino dos desvalidos nutre hoje uma genuína ojeriza por uma, e apenas uma, categoria especial de elite: a intelectual, formada por pessoas que perdem tempo com leituras e que por isso se julgam no direito de avaliar criticamente o desempenho dos governantes. Por extensão, uma enorme ojeriza à imprensa. Com todas as demais elites Sua Excelência já resolveu seus problemas. Está com elas perfeitamente composto, afinado, associado, aliado e, pelo menos em outro caso específico, o das oligarquias dos grotões maranhenses, alagoenses, amapaenses e que tais, acumpliciado.
Até por mérito do próprio governo na condução da economia (nem sempre a imprensa ignora os acertos do poder público…), os ventos favoráveis que hoje, de modo geral, embalam o mundo dos negócios, muito especialmente os negócios financeiros, não permitem imaginar que o “poder econômico” considere Lula um inimigo ou uma ameaça e vice-versa. É claro que em público o jogo de cena é mantido, com ataques, sob medida para cada plateia, aos eternos inimigos do povo. Mas na intimidade o presidente se vangloria, em seus cada vez mais frequentes surtos apoteóticos, de que hoje o poder econômico, nacional e multinacional, está submisso à sua vontade. Não é, portanto, essa elite que tem em mente nas diatribes contra os malvados que conspiram contra sua obra redentora.
A revelação de seu verdadeiro alvo Lula oferece cada vez que abre a boca. Como no dia 18, em Juiz de Fora: “Essa gente não nos perdoa. Basta que você veja alguns órgãos e jornais do Brasil (…) Porque na verdade quem faz oposição neste país é determinado tipo de imprensa. Ah, como inventam coisa contra o Lula. Olha, se eu dependesse deles para ter 80% de aprovação neste país eu tinha zero. Porque 90% das coisas boas deste país não é mostrado (sic).”
Então é isto. Imprensa que fala mal do governo não presta, extrapola os limites da liberdade de informar. Não é mais do que um instrumento de dominação das elites.
Assim, movido por sua arraigada tendência ao autoritarismo messiânico que é a marca de sua trajetória na vida pública, Lula parece cada vez mais confortável na posição de dono de um esquema de poder que almeja perpetuar para alegria da companheirada. Um modelo populista, despolitizado, referendado pela aprovação popular a resultados econometricamente aferíveis, mas que despreza valores genuinamente democráticos de respeito à cidadania, coisa que só interessa à “zelite”. Tudo isso convivendo com a prática mais deslavada do patrimonialismo, coronelismo, clientelismo, tráfico de influência, cartorialismo, aparelhamento e tudo o mais que Lula e seu PT combateram vigorosamente por pouco mais de 20 anos, para depois transformar em seu programa de governo. E em toda essa mistificação o repúdio às elites é a palavra de ordem e a imprensa, o grande bode expiatório.
O diagnóstico seguinte foi feito, com as habituais competência e sutileza, por um dos mais notórios fantasmas de Lula, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista publicada no Estado de domingo: “Achei que (Lula) fosse mais inovador, capaz de deixar uma herança política democrática, mostrando que o sentimento popular, a incorporação da massa à política e a incorporação social podem conviver com a democracia, não pensar que isso só pode ser feito por caudilhos como Perón, Chávez, etc. (…) Mas Lula está a todo instante desprezando o componente democrático para ficar na posição de caudilho.” Falou e disse.
Editorial O GLOBO
Lula e a visão autoritária da imprensa
É nos improvisos que o presidente Lula se deixa levar, fala o que não seria conveniente do ponto de vista político, mas transmite o que lhe vai no fundo da alma. Inebriado por índices recordes de popularidade, nunca antes alcançados neste país, Lula tem radicalizado na autoindulgência, como se o apoio popular o colocasse acima de leis e limites institucionais.
São exemplos desse desvio as sucessivas vezes em que o presidente age como chefe de partido, numa deplorável mistura de papéis, porém bem ao estilo de um governo que, na ocupação da máquina burocrática, exercita ao extremo a confusão entre interesses privados e a esfera pública.
É nessa zona cinzenta que a grande família de Erenice Guerra se aboletou, e corporações sindicais sentam praça nos cofres do Tesouro, ao lado de movimentos ditos sociais que atuam em estado de semiclandestinidade, em parte financiados pelo contribuinte.
À medida que se envolvia no projeto de eleger a sua desconhecida ministra Dilma Rousseff, enquanto mantinha e até elevava a popularidade, o presidente foi jogando às favas o equilíbrio. Principal atração dos comícios de sua candidata, Lula radicaliza na insensatez. Pode-se dar desconto pelo inevitável aumento de temperatura característico das campanhas eleitorais, mas não é possível ser condescendente quando se invade de maneira desvairada o campo vital das liberdades democráticas.
Até porque o ataque feito por Lula à imprensa, num comício em Campinas, sábado, não é um acidente de rota, um fato isolado no seu governo de quase oito anos; tampouco no seu partido, onde se destilam propostas formais para a “democratização da mídia”, o “controle social dos meios de comunicação”, eufemismos para designar a destruição da independência da imprensa profissional, assim como fazem os governos de Cristina Kirchner e Hugo Chávez, aliados preferenciais da diplomacia companheira no continente.
No sábado, Lula, como se tomado pelo espírito do Rei Sol, um Luis XIV tropicalizado, bradou: “Nós somos a opinião pública.” Em meio a ataques a “alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem um partido político(…)”, Lula, na verdade, externou toda a dificuldade que ele, auxiliares diretos e líderes petistas têm de entender o papel da imprensa numa sociedade aberta. Há tempos emana do Planalto a visão de que o governo Lula acabou com os “formadores de opinião”, e agora se sabe que eles foram substituídos, segundo este contorcionismo intelectual, pelo presidente e seu grupo no poder. Numa reedição de um “pai dos pobres” de figurino getulista, o presidente teria hipnotizado as massas, alimentadas por um assistencialismo bilionário, e por isso elas só reproduzirão a opinião do seu redentor.
Mais do que uma tosca engenharia de raciocínio, porém, esta percepção lulista da imprensa deriva de um entendimento autoritário da função dos meios de comunicação: segundo a vulgata ideológica dos intelectuais orgânicos do lulopetismo, a imprensa é um instrumento de manipulação da sociedade.
E, sendo assim, precisa estar subordinada ao partido e ao Estado, os quais, no imaginário desses militantes, se confundem. É inconcebível para esses que a imprensa profissional — que precisa ser rentável para se manter independente, e o mais distante possível de verbas administradas pelos poderosos do momento —cumpra uma função pública, e disto têm consciência profissionais e acionistas das empresas de comunicação.
A visão maniqueísta lulopetista da imprensa leva a que se procure intrincadas conspirações por trás de reportagens de denúncia, um truque que também serve para jogar uma cortina de fumaça à frente de desvios éticos cometidos pela companheirada. Foi assim que o mensalão se tornou produto de uma imprensa “golpista”, bem como a ação dos aloprados.
Denunciado por um aliado desgostoso, Roberto Jefferson, do PTB, o esquema de coleta e lavagem de dinheiro sujo para alimentar uma bancada parlamentar governista gerou um processo que tramita no Supremo Tribunal Federal, depois de aceita denúncia da Procuradoria Geral da República contra essa “organização criminosa”. No escândalo da tentativa de compra de um dossiê falso contra o tucano José Serra, na campanha de 2006 para o governo de São Paulo, petistas proeminentes — os “aloprados”, nas palavras do próprio Lula — foram apanhados em flagrante delito.
Nada porém abala o discurso petista contra manobras “golpistas” da imprensa independente.
Mas não houve qualquer crítica quando, no primeiro governo FH, reportagem do GLOBO derrubou o então presidente dos Correios, Henrique Hargreaves, ao revelar que ele tinha um contrato com o Sebrae, do qual recebia sem trabalhar.
Não se ouviu, também, qualquer reclamação petista quando a “Folha de S.Paulo” relatou histórias de compra de votos de deputados federais a favor da emenda constitucional que permitiria a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Ou na revelação feita pelo GLOBO de que o esquema do mensalão, antes de José Dirceu, Delúbio e Genoino, fora acionado pelo PSDB mineiro no financiamento da campanha frustrada de reeleição do governador Eduardo Azeredo, delito também a ser julgado no STF. E nenhuma admoestação à imprensa partiu do PT na divulgação de cenas pornográficas de corrupção patrocinadas pelo DEM de Brasília.
Imprensa boa é imprensa chapa-branca, deduzse.
Outra prova cabal de como o PT se equivoca sobre o jornalismo profissional foi dada por José Dirceu, cassado no escândalo do mensalão e considerado pelo Ministério Público o chefe da tal “organização criminosa”.
Considerado líder importante no partido, até visto como herói por ter se imolado pela causa petista, Dirceu demonstra continuar com bom trânsito em Brasília, e continua a pontificar.
Na semana passada, ao doutrinar sindicalistas petroleiros na Bahia, o ex-ministro da Casa Civil de Lula comemorou o fato de uma provável vitória da “companheira de armas” Dilma Rousseff facilitar a execução do “projeto político” do PT, difícil de ser aplicado com Lula, pois o presidente em contagem regressiva para voltar a São Bernardo é algumas vezes maior que o partido, explicou. Do projeto, consta o de sempre: “democratização dos meios de comunicação” etc.
Além de considerar que a imprensa brasileira abusa do direito de informar — uma pérola do pensamento da esquerda autoritária —, Dirceu reclamou de uma suposta tentativa das redações de interferir na formação do futuro governo Dilma, algo digno de ficção.
Ora, isto não é função da imprensa.
A não ser que se entendam os meios de comunicação pela ótica do PT: não passam de instrumentos de manipulação política e social.
É gigantesca também a dificuldade de Lula e companheiros entenderem que veículos de comunicação podem não defender partidos e candidatos, mas princípios, e, em função deles, criticar ou elogiar partidos e candidatos.
Trata-se de outro equívoco tentar comparar a postura da imprensa brasileira diante de governos, candidatos e legendas com a de países onde práticas democráticas são seguidas há séculos e existem partidos enraizados na sociedade por gerações.
Deturpar a realidade em razão de cacoetes ideológicos não chega a preocupar.
Costuma acontecer na política e mesmo no mundo acadêmico. O perigo está quando se chega ao poder com este tipo de percepção distorcida.
domingo, 19 de setembro de 2010
Eliane Cantanhêde, a tiririca da oposição
LUISFAVRE
A articulista da Folha entra no picadeiro para gritar que pior que está, fica. Ela esta tiririca perante a provável vitória de Dilma. Coberta das velhas e coloridas palavras do antigo anticomunismo, proclama a eleição de Dilma um risco para a imprensa (livre, certo), para os militares e para os costumes.
Sim, isso mesmo, para ela pior que está, fica; se Dilma vencer. Para a imensa maioria do povo brasileiro a continuidade é necessária porque melhor que está, nunca esteve. Mas devemos respeitar os que assim não pensam.
Com a sutileza de um elefante em loja de porcelana, Eliane agita o suposto perigo para nosso modo de vida, ocidental e cristão, atualizado na linguajem opositora post-moderna: “Caso Dilma seja eleita, terá os ventos a favor na economia, o Congresso às suas ordens e poderá usar e abusar de seus poderes, baixando o centralismo democrático para (ou contra) a imprensa, a área militar e os costumes”, proclama Eliane à beira da crise de nervos.
O perigo vermelho, o fantasma que percorre as redações é o “projeto político” do PT. Parece que o medo de Regina Duarte, em lugar de se dissipar, virou pânico.
Pelo mesmo motivo que em 2002, a derrota de Serra e do PSDB, incita em alguns o recurso à palhaçada e apelam ao discurso das senhoras de Santana, aos slogans das Marchas pela família. Com a diferencia que hoje esse palco esta vazio. Nem a opinião pública, nem as instituições, nem os militares, nem os empresários e nem sequer a maioria da imprensa e dos jornais, presta ouvidos ao grito histérico de uma parte da tucanada as vésperas de ser depenada.
Nem ela mesma acredita no que escreve, para tentar angariar algum votinho em favor da oposição. Talvez seja isso o que distingue Eliane Cantanhêde de Tiririca. Ele reconhece que não sabe para que serve ser deputado. Eliane pretende saber para que serve o jornalismo.
Mas não é jornalismo o que ela prática.
Uma pena á serviço de um tucano em pena, não pode ser confundido com a nobre função do jornalista. Não existe enigma nas motivações de Eliane, o disfarce já não mais engana ninguém.
Após 8 anos de governo Lula todos sabem o que esperar de um governo petista. Para o 4% que consideram este governo ruim ou péssimo, será a continuidade desse desastre. Para os que consideram o governo Lula ótimo e bom, será continuar na mesma linha. O que não significa necessariamente repetir os mesmos erros, mas tentar avançar nas suas realizações. Se em 2002 podia existir uma certa incógnita sobre como seria um governo do PT, hoje com os oito anos de experiência o que menos existe é dúvidas sobre isso.
Já o mesmo não pode se dizer de José Serra. A maioria parece pensar que ele representa o passado dos 8 anos de FHC, mas ele procurou dizer que gostaria representar a continuidade do presente. O enigma dessas duas caras, Eliane o esclarece. O que ela escreve é o que Serra pensa. É o que FHC diz, no conforto de não ser candidato e o que Eliane transcreve, no conforto de ser articulista da Folha.
O resultado eleitoral que se perfila provocará uma revoada nesse ninho oposicionista. A vitória da continuidade obrigará a muitos aggiornamentos.
A oposição deverá passar a limpo suas escolhas e responder aos novos desafios. Uma parte abandonara o método de ficar apelando e se o processo for positivo ressurgirá com maior credibilidade. Mas antes, deverá se afastar de seus cães raivosos. Os eleitores parecem dispostos a injetar uma boa dose de vacina Pasteur no rebanho oposicionista.
Aproveita Eliane, a vacinação é gratuita.
LF
A articulista da Folha entra no picadeiro para gritar que pior que está, fica. Ela esta tiririca perante a provável vitória de Dilma. Coberta das velhas e coloridas palavras do antigo anticomunismo, proclama a eleição de Dilma um risco para a imprensa (livre, certo), para os militares e para os costumes.
Sim, isso mesmo, para ela pior que está, fica; se Dilma vencer. Para a imensa maioria do povo brasileiro a continuidade é necessária porque melhor que está, nunca esteve. Mas devemos respeitar os que assim não pensam.
Com a sutileza de um elefante em loja de porcelana, Eliane agita o suposto perigo para nosso modo de vida, ocidental e cristão, atualizado na linguajem opositora post-moderna: “Caso Dilma seja eleita, terá os ventos a favor na economia, o Congresso às suas ordens e poderá usar e abusar de seus poderes, baixando o centralismo democrático para (ou contra) a imprensa, a área militar e os costumes”, proclama Eliane à beira da crise de nervos.
O perigo vermelho, o fantasma que percorre as redações é o “projeto político” do PT. Parece que o medo de Regina Duarte, em lugar de se dissipar, virou pânico.
Pelo mesmo motivo que em 2002, a derrota de Serra e do PSDB, incita em alguns o recurso à palhaçada e apelam ao discurso das senhoras de Santana, aos slogans das Marchas pela família. Com a diferencia que hoje esse palco esta vazio. Nem a opinião pública, nem as instituições, nem os militares, nem os empresários e nem sequer a maioria da imprensa e dos jornais, presta ouvidos ao grito histérico de uma parte da tucanada as vésperas de ser depenada.
Nem ela mesma acredita no que escreve, para tentar angariar algum votinho em favor da oposição. Talvez seja isso o que distingue Eliane Cantanhêde de Tiririca. Ele reconhece que não sabe para que serve ser deputado. Eliane pretende saber para que serve o jornalismo.
Mas não é jornalismo o que ela prática.
Uma pena á serviço de um tucano em pena, não pode ser confundido com a nobre função do jornalista. Não existe enigma nas motivações de Eliane, o disfarce já não mais engana ninguém.
Após 8 anos de governo Lula todos sabem o que esperar de um governo petista. Para o 4% que consideram este governo ruim ou péssimo, será a continuidade desse desastre. Para os que consideram o governo Lula ótimo e bom, será continuar na mesma linha. O que não significa necessariamente repetir os mesmos erros, mas tentar avançar nas suas realizações. Se em 2002 podia existir uma certa incógnita sobre como seria um governo do PT, hoje com os oito anos de experiência o que menos existe é dúvidas sobre isso.
Já o mesmo não pode se dizer de José Serra. A maioria parece pensar que ele representa o passado dos 8 anos de FHC, mas ele procurou dizer que gostaria representar a continuidade do presente. O enigma dessas duas caras, Eliane o esclarece. O que ela escreve é o que Serra pensa. É o que FHC diz, no conforto de não ser candidato e o que Eliane transcreve, no conforto de ser articulista da Folha.
O resultado eleitoral que se perfila provocará uma revoada nesse ninho oposicionista. A vitória da continuidade obrigará a muitos aggiornamentos.
A oposição deverá passar a limpo suas escolhas e responder aos novos desafios. Uma parte abandonara o método de ficar apelando e se o processo for positivo ressurgirá com maior credibilidade. Mas antes, deverá se afastar de seus cães raivosos. Os eleitores parecem dispostos a injetar uma boa dose de vacina Pasteur no rebanho oposicionista.
Aproveita Eliane, a vacinação é gratuita.
LF
Assinar:
Postagens (Atom)
