As tragédias das chuvas tem muitas razões, e governadores e prefeitos tem responsabilidades, mas o PIG (imprensa golpista), não fica atrás.
Uma boa medida é o Congresso suprimir a isenção de impostos do papel jornal para o PIG (imprensa golpista) e aplicar o dinheiro recolhido destes impostos em moradia, drenagem e sistemas de alerta.
Globo faz jornalismo corrompido quando critica contratação de funcionários o ano todo, e só defende na tragédia, para fazer demagogia com leitores
O jornal "O Globo" passou anos defendendo o "estado mínimo" e o neoliberalismo que leva a política dos "puxadinhos" (defendida por José Serra, para a baixa renda, que acabam construindo em áreas de risco, não porque querem, mas são os terrenos que sobram para se virarem); o jornalão enche a paciência toda semana com "reporcagens" sem consistência sobre "inchaço da máquina pública" (neste domingo teve mais uma), como se bombeiros, policiais, militares, professores, médicos, enfermeiros e demais funcionários fossem "inchaço".
Agora, nesta semana da tragédia, o jornalão caiu em contradição e mostrou o quanto sua ideologia é corrupta: disse que a culpa é do estado, por faltar meteorologistas e técnicos para analisar dados dos radares (que foram implantados). Ou seja, depois da tragédia, o jornalão se corrompeu para fazer média com os leitores, defendendo a contratação de funcionários, que critica o resto do ano todo.
Pois que o jornalão pague o ICMS sobre o papel, e com este dinheiro, os estados e metrópoles contratem mais técnicos e meteorologistas.
CBN e TV Globo não transmitiram alerta do INMET
O jornalão também se corrompe, ao dizer que a Defesa Civil estadual do Rio de Janeiro transmitiu com horas de antecedência um alerta do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), para as prefeituras serranas (onde houve mais mortes), mas a mensagem não chegou à população. Onde estavam as rádios e TV's do sistema Globo que divulgam a previsão do tempo todo dia, em todo noticiário, e não prestam o serviço público básico de avisar a população um alerta destes, para pessoas que vivem em áreas de risco buscarem abrigos seguros?
As rádios e TVs são concessões públicas, e como contrapartida para exploração comercial da concessão, o mínimo que se espera é que preste informações essenciais à população sobre alertas dessa natureza, que colocam a vida em risco.
Os prefeitos e governadores, obviamente, tem sua cota de responsabilidade. Prefeitos que não fazem projetos para moradias para a baixa renda, que não implantam sistemas de alerta para a população, que ignoram estudos de risco cortando verbas que estão ao alcance do orçamento, não tem desculpa. É claro que há prefeitos e governadores que herdaram uma situação de abandono que, mesmo fazendo o melhor possível, para resolver tudo leverá muitos anos, indo muito além do mandato, mas o que não pode é deixar de começar pelas prioridades.
Governos que tem projetos há anos, como São Paulo, e não os executam a contento, mesmo tendo financiamento nacional e internacional, não tem desculpa: é falta de governo, é negligência. É falta de governador para limpar os rios, cuidar das bacias, das matas ciliares, das represas da SABESP, e falta de prefeito para coletar lixo, fazer obras de drenagem, e de fazer projetos e arranjar terrenos seguros para moradias para a baixa renda fora de áreas de risco.
Mas são esses prefeitos e governadores que a imprensa corrupta elogia, são os que cortam verbas de infra-estrutura e de trabalhadores no serviço público, para gastar com propaganda, enchendo os bolsos dos donos dos jornais e TVs com dinheiro público.
Pois que pelo menos paguem impostos sobre o papel jornal e de revistas (infelizmente isso depende do Congresso, pois foi incrustado na Constituição pelo lobby do PIG).
Tempo como serviço, não como espetáculo
Quantas vidas não poderiam ter sido salvas se, em vez colocar no ar o Ratinho ou o Big Brother, as emissoras tivessem avisado à população de que fortes chuvas estavam previstas para a serra fluminense na noite anterior à tragédia, com instruções dos poderes públicos sobre como agir.
Laurindo Lalo Leal Filho
Todas as redes comerciais de televisão no Brasil têm as suas moças do tempo. São herdeiras, em São Paulo, do Narciso Vernizzi, o primeiro “homem do tempo” da rádio Jovem Pan.
Elas surgem do nada, entre uma notícia e outra, aparecem no canto da tela e caminham para o centro, mostrando mais que o tempo as suas belas curvas.
Em casa, o telespectador vê atrás das moças as indicações do clima e da temperatura em todo o Brasil. Com algumas variações, esse tipo de informação é universal. O canal mundial da BBC mostra o tempo em várias partes do mundo, sem as moças.
São informações úteis, mas limitadas. Ajudam a sair de guarda-chuva no dia seguinte ou, aos viajantes, a escolha do que colocar na mala. Não sei se informações tão superficiais e genéricas contribuem para decisões mais importantes, como dos agricultores, por exemplo.
Apesar do avanço da internet, o rádio e a televisão ainda são os mais eficientes e abrangentes serviços públicos de informação. Não há outro meio que consiga falar de forma tão rápida para milhões de pessoas ao mesmo tempo.
Em momentos críticos tornam-se imprescindíveis. Pena que, por aqui, são pouco usados nesse tipo de prestação de serviços.
No caso de tragédias, como as deste início de ano, ao invés de moças desfilando à frente de ilustrações artísticas, deveríamos ter as programações interrompidas.
Em seu lugar seriam formadas cadeias nacionais ou locais de rádio e TV, antes das catástrofes, dando orientações seguras para a população. Sem pânico, mas com precisão e firmeza. E não generalizando com frases do tipo “chove no litoral do nordeste”.
Trata-se de um de trabalho que deve ser o mais localizado possível, com o envolvimento articulado dos serviços de meteorologia, da defesa civil e do jornalismo, na produção das informações.
Quantas vidas não poderiam ter sido salvas se, em vez colocar no ar o Ratinho ou o Big Brother, as emissoras tivessem avisado à população de que fortes chuvas estavam previstas para a serra fluminense na noite anterior à tragédia, com instruções dos poderes públicos sobre como agir.
Ou, no caso, de São Paulo que vias deveriam ser evitadas na iminência dos temporais, já que não há segredo nessa cidade sobre onde se localizam os eternos pontos de alagamento.
Para obter mais eficiência, esse serviço deveria ter seu foco nas informações locais. Dai a importância da regionalização das programações de rádio e TV, tão combatida pelos concessionários do setor.
No entanto são elas que darão às emissoras regionais e locais experiência, tanto na produção como na técnica, para enfrentar com competência situações extraordinárias.
Nem todos se salvariam, é verdade. Mas, com certeza, os danos seriam menores.
Furacões violentos que varrem o Caribe todos os anos causam grandes estragos materiais em Cuba, mas pouquíssimas vítimas.
Simplesmente porque as autoridades estabelecem planos precisos para a retirada da população das áreas criticas e a orientam através do rádio e da TV, com razoável antecedência, sobre as medidas que devem ser tomadas.
Muitos navios não foram à pique na costa brasileira graças ao programa radiofônico “A Voz do Brasil”. A seção “Aviso aos navegantes” informava todos os dias, minuciosamente, as condições das bóias de luz, sinalizadoras dos perigos naturais existentes no mar.
Era o rádio atuando como serviço público numa época de recursos eletrônicos muito limitados, se comparada aos hoje existentes.
Satélites transmitem informações meteorológicas com alto grau de precisão e as redes de rádio e TV cobrem todo o território nacional.
Falta apenas articular esses dois serviços com planos nacionais e locais de prevenção à catástrofes naturais.
No caso das enchentes no sudeste e centro-oeste, trata-se de problema datado, de dezembro a março. Há todo o resto do ano para o trabalho de planejamento e articulação.
Quem toma a iniciativa?
Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.
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