Enviado por luisnassif, dom, 01/05/2011 - 10:11
Autor: Sylvain Timsit
Por Paulo Kautscher
1- A estratégia da diversão
Elemento primordial do controle social, a estratégia da diversão consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, graças a um dilúvio contínuo de distrações e informações insignificantes.
A estratégia da diversão é igualmente indispensável para impedir o público de se interessar pelos conhecimentos essenciais nos domínios da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética.
"Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por assuntos sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar, voltado para a manjedoura com os outros animais" (extraído de "Armas silenciosas para guerras tranquilas").
2- Criar problemas, depois oferecer soluções
Este método também é denominado "problema-reação-solução". Primeiro cria-se um problema, uma "situação" destinada a suscitar uma certa reação do público, a fim de que seja ele próprio a exigir as medidas que se deseja fazê-lo aceitar. Exemplo: deixar desenvolver-se a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público passe a reivindicar leis de segurança em detrimento da liberdade. Ou ainda: criar uma crise econômica para fazer como um mal necessário o recuo dos direitos sociais e desmantelamento dos serviços públicos.
3- A estratégia do alongamento
Para fazer aceitar uma medida inaceitável, basta aplicá-la progressivamente, de forma gradual, ao longo de 10 anos. Foi deste modo que condições sócio-económicas radicalmente novas foram impostas durante os anos 1980 e 1990. Desemprego maciço, precariedade, flexibilidade, deslocalizações, salários que já não asseguram um rendimento decente, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se houvessem sido aplicadas brutalmente.
4- A estratégia do diferimento
Outro modo de fazer aceitar uma decisão impopular é apresentá-la como "dolorosa mas necessária", obtendo o acordo do público no presente para uma aplicação no futuro. É sempre mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro porque a dor não será sofrida de repente. A seguir, porque o público tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhor amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Finalmente, porque isto dá tempo ao público para se habituar à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegar o momento.
Exemplo recente: a passagem ao Euro e a perda da soberania monetária e econômica foram aceitas pelos países europeus em 1994-95 para uma aplicação em 2001. Outro exemplo: os acordos multilaterais do FTAA (Free Trade Agreement of the Americas) que os EUA impuseram em 2001 aos países do continente americano ainda reticentes, concedendo uma aplicação diferida para 2005.
5- Dirigir-se ao público como se fossem crianças pequenas
A maior parte da publicidade destinada ao grande público utiliza um discurso, argumentos, personagens e um tom particularmente infantilizadores, como se o espectador fosse uma criança pequena ou um débil mental. Exemplo típico: a campanha da TV francesa pela passagem ao Euro ("os dias euro"). Quanto mais se procura enganar o espectador, mais se adota um tom infantilizante. Por quê?
"Se se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos de idade, então, devido à sugestibilidade, ela terá, com uma certa probabilidade, uma resposta ou uma reação tão destituída de sentido crítico como aquela de uma pessoa de 12 anos". (cf. "Armas silenciosas para guerra tranquilas" )
6- Apelar antes ao emocional do que à reflexão
Apelar ao emocional é uma técnica clássica para curtocircuitar a análise racional e, portanto, o sentido crítico dos indivíduos. Além disso, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para ali implantar ideias, desejos, medos, impulsos ou comportamentos...
7- Manter o público na ignorância e no disparate
Atuar de modo a que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para o seu controle e a sua escravidão.
"A qualidade da educação dada às classes inferiores deve ser da espécie mais pobre, de tal modo que o fosso da ignorância que isola as classes inferiores das classes superiores seja e permaneça incompreensível pelas classes inferiores". (cf. "Armas silenciosas para guerra tranquilas" )
8- Encorajar o público a comprazer-se na mediocridade
Encorajar o público a considerar "natural" o fato de ser idiota, vulgar e inculto...
9- Substituir a revolta pela culpabilidade
Fazer crer ao indivíduo que ele é o único responsável pela sua infelicidade, devido à insuficiência da sua inteligência, das suas capacidades ou dos seus esforços. Assim, ao invés de se revoltar contra o sistema econômico, o indivíduo se auto-desvaloriza e auto-culpabiliza, o que engendra um estado depressivo que tem como um dos efeitos a inibição da ação. E sem ação, não há alteração!...
10- Conhecer os indivíduos melhor do que eles se conhecem a si próprios
No decurso dos últimos 50 anos, os progressos fulgurantes da ciência cavaram um fosso crescente entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dirigentes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" chegou a um conhecimento avançado do ser humano, tanto física como psicologicamente. O sistema chegou a conhecer melhor o indivíduo médio do que este se conhece a si próprio. Isto significa que na maioria dos casos o sistema detém um maior controle e um maior poder sobre os indivíduos do que os próprios indivíduos
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segunda-feira, 2 de maio de 2011
sábado, 30 de abril de 2011
A regionalização da verba publicitária - Carta Maior - André Barrocal
A primeira década do século XXI assistiu a uma pulverização da verba publicitária do governo federal que multiplicou por vinte vezes o número de veículos de comunicação que recebem dinheiro público em troca de propaganda oficial. Hoje, esse tipo de conteúdo chega à metade dos municípios do país. Essa democratização pouco mudou a fatia de cada mídia (TV, rádio, jornal, revista, internet) no total aplicado pelo governo – o movimento mais significativo foi a queda dos jornais na proporção da subida da internet. Mas produziu desconcentração em cada segmento - grupos grandes repartem o quinhão com uma miríade de microempresas. E a um custo para o Estado que não pode ser chamado de explosivo, diante da inflação e do crescimento econômico no período.
Hoje, há mais de oito mil veículos pagos para veicular propaganda federal, distribuídos em 2.733 municípios, segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República. São 2.861 rádios (36%), 2.097 jornais (26%), 473 TVs (5%), 151 revistas (2%) e 2.512 (31%) de um grupo que inclui internet, outdoor, cinema e mídia no exterior. Dez anos antes, em 2000, a publicidade oficial espalhava-se por algo em torno de 400 veículos. No início do governo Lula, em 2003, havia 499 órgãos a veicular propaganda oficial, em 182 municípios.
No ano 2000, a despesa conjunta da Presidência da República e dos Ministérios com propaganda tinha sido de R$ 198 milhões. Quando as empresas estatais, como Petrobras e Banco do Brasil, entram na conta, a bolada sobe para R$ 1.078 bilhão. Uma década depois, os valores eram R$ 472 milhões e R$ 1.628 bilhão, respectivamente.
De 2000 a 2010, a inflação medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acumulou alta de 89%, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 48%. Considerando o aumento geral dos preços no país na década passada, o investimento federal em publicidade subiu 25% a mais, ritmo equivalente à metade do avanço do PIB. Com as estatais juntas, o gasto caiu 20% frente a inflação, sem elevação real, portanto.
Governo Lula
Durante o governo Lula, a evolução das despesas com publicidade teve comportamento um pouco diferente, ao se relativizar os números diante da inflação e do PIB. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso passara ao sucessor um governo que havia aplicado R$ 202 milhões em propaganda, sem contar as estatais, e R$ 956 milhões, ao encaixá-las na equação.
De 2003 a 2010, a inflação acumulada foi de 56%, pelo índice do IBGE. Significa que Presidência e ministérios injetaram em propaganda 50% acima da inflação. No período, o PIB cresceu 36%. Já no cálculo com as estatais incluídas, houve aumento de 9% além da inflação, também numa economia que enriqueceria 36%.
Dado repassado pelo Ibope à Secom mostra que, nos dois mandatos de Lula, o mercado publicitário teria encorpado 385%. É um indicador que o governo também usa para relativizar números que, ainda assim, revelam uma política que democratiza a verba publicitária, mesmo que baseada no critério da “mídia técnica”, cuja tradução é "destinar publicidade na proporção da penetração de cada veículo, nem mais, nem menos".
O governo justifica o investimento em publicidade como necessário para divulgar informações e prestar contas à população sobre políticas públicas. Os adversários acham, no entanto, que há exagero nos volumes gastos e uma disfarçada tentativa de cooptação de veículos menores.
Hoje, há mais de oito mil veículos pagos para veicular propaganda federal, distribuídos em 2.733 municípios, segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República. São 2.861 rádios (36%), 2.097 jornais (26%), 473 TVs (5%), 151 revistas (2%) e 2.512 (31%) de um grupo que inclui internet, outdoor, cinema e mídia no exterior. Dez anos antes, em 2000, a publicidade oficial espalhava-se por algo em torno de 400 veículos. No início do governo Lula, em 2003, havia 499 órgãos a veicular propaganda oficial, em 182 municípios.
No ano 2000, a despesa conjunta da Presidência da República e dos Ministérios com propaganda tinha sido de R$ 198 milhões. Quando as empresas estatais, como Petrobras e Banco do Brasil, entram na conta, a bolada sobe para R$ 1.078 bilhão. Uma década depois, os valores eram R$ 472 milhões e R$ 1.628 bilhão, respectivamente.
De 2000 a 2010, a inflação medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acumulou alta de 89%, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 48%. Considerando o aumento geral dos preços no país na década passada, o investimento federal em publicidade subiu 25% a mais, ritmo equivalente à metade do avanço do PIB. Com as estatais juntas, o gasto caiu 20% frente a inflação, sem elevação real, portanto.
Governo Lula
Durante o governo Lula, a evolução das despesas com publicidade teve comportamento um pouco diferente, ao se relativizar os números diante da inflação e do PIB. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso passara ao sucessor um governo que havia aplicado R$ 202 milhões em propaganda, sem contar as estatais, e R$ 956 milhões, ao encaixá-las na equação.
De 2003 a 2010, a inflação acumulada foi de 56%, pelo índice do IBGE. Significa que Presidência e ministérios injetaram em propaganda 50% acima da inflação. No período, o PIB cresceu 36%. Já no cálculo com as estatais incluídas, houve aumento de 9% além da inflação, também numa economia que enriqueceria 36%.
Dado repassado pelo Ibope à Secom mostra que, nos dois mandatos de Lula, o mercado publicitário teria encorpado 385%. É um indicador que o governo também usa para relativizar números que, ainda assim, revelam uma política que democratiza a verba publicitária, mesmo que baseada no critério da “mídia técnica”, cuja tradução é "destinar publicidade na proporção da penetração de cada veículo, nem mais, nem menos".
O governo justifica o investimento em publicidade como necessário para divulgar informações e prestar contas à população sobre políticas públicas. Os adversários acham, no entanto, que há exagero nos volumes gastos e uma disfarçada tentativa de cooptação de veículos menores.
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
mídia e poder - publicidade -Mercado tem expansão de 18% em 2010
Gastos com anúncios em veículos de comunicação somaram R$ 29,1 bi
Segunda maior mídia, com 12,4% do total, jornais tiveram alta de 3,4%, indo para R$ 3,24 bilhões no ano passado
MARIANA BARBOSA
DE SÃO PAULO
O mercado publicitário movimentou R$ 35,96 bilhões no Brasil no ano passado, crescimento de 17,7% ante 2009.
Descontada a inflação (medida pelo IPCA), a alta foi de 12%. Deste total, R$ 29,1 bilhões foram investidos na aquisição de anúncios em veículos de comunicação.
Os dados fazem parte do Projeto Inter-Meios, uma parceria do Grupo Meio&Mensagem com a consultoria PriceWaterhouseCoopers e com os principais veículos de comunicação.
O projeto contabiliza dados de aproximadamente 90% dos veículos, que faturaram R$ 26,2 bilhões com publicidade.
A diferença de R$ 2,9 bilhões é calculada por estimativa. Nessa diferença estão incluídos os gastos com compra de mídia no Google, por exemplo, que domina o mercado de links patrocinados.
O grande destaque do ano passado foram as TVs abertas, segundo José Carlos Salles Neto, presidente do Grupo M&M. Apesar das previsões de queda de audiência com o aumento da presença da internet, a TV aberta bateu recorde de participação no bolo publicitário, concentrando 62,9% dos investimentos. No ano anterior, a fatia foi de 60,9%.
O faturamento bruto saltou de R$ 13,6 bilhões para R$ 16,5 bilhões, incremento de 21,6%.
"Uma mídia tradicional que concentra mais da metade do bolo publicitário conseguir crescer dois pontos percentuais é um feito e tanto", diz Salles Neto.
Segunda maior mídia em receita publicitária, os jornais viram as receitas com publicidade aumentarem em R$ 107 milhões, para R$ 3,24 bilhões (alta de 3,4%). A participação dos veículos impressos ficou em 12,4%.
Como vem acontecendo nos últimos anos, o meio que mais cresceu em termos percentuais foi a internet, com alta de 28%. O faturamento foi a R$ 1,2 bilhão, ante R$ 950 milhões em 2009.
A mídia digital passou o rádio no ano passado e já detém 4,6% do total do bolo publicitário. O número, no entanto, não contabiliza as receitas do Google com links patrocinados.
Pelos cálculos do M&M, o Google faturou R$ 1 bilhão em 2010. Se esse faturamento fosse contabilizado no Projeto Inter-Meios, a internet poderia superar o meio revista, que obteve uma receita bruta de R$ 1,97 bilhão no ano passado, com crescimento de 14,9%.
Apesar de ter pedido o quarto lugar para a internet, o meio rádio também cresceu. A receita bruta com publicidade passou de R$ 987 milhões para R$ 1,09 bilhão.
O rádio tem atraído anunciantes de peso como Nestlé e Disney, que recentemente batizaram emissoras com suas marcas.
CAUSAS
O desempenho do mercado publicitário durante o ano passado foi impulsionado pela Copa do Mundo e pelas eleições.
Mas ele foi bem maior no primeiro semestre (alta de 30%), devido à regra de que em ano eleitoral o poder público só pode anunciar feitos governamentais até a data-limite de 30 de junho.
Para este ano, Salles Neto prevê um crescimento de 10%. "É um crescimento expressivo, considerando que estamos saindo de uma base de forte crescimento em 2010."
Segunda maior mídia, com 12,4% do total, jornais tiveram alta de 3,4%, indo para R$ 3,24 bilhões no ano passado
MARIANA BARBOSA
DE SÃO PAULO
O mercado publicitário movimentou R$ 35,96 bilhões no Brasil no ano passado, crescimento de 17,7% ante 2009.
Descontada a inflação (medida pelo IPCA), a alta foi de 12%. Deste total, R$ 29,1 bilhões foram investidos na aquisição de anúncios em veículos de comunicação.
Os dados fazem parte do Projeto Inter-Meios, uma parceria do Grupo Meio&Mensagem com a consultoria PriceWaterhouseCoopers e com os principais veículos de comunicação.
O projeto contabiliza dados de aproximadamente 90% dos veículos, que faturaram R$ 26,2 bilhões com publicidade.
A diferença de R$ 2,9 bilhões é calculada por estimativa. Nessa diferença estão incluídos os gastos com compra de mídia no Google, por exemplo, que domina o mercado de links patrocinados.
O grande destaque do ano passado foram as TVs abertas, segundo José Carlos Salles Neto, presidente do Grupo M&M. Apesar das previsões de queda de audiência com o aumento da presença da internet, a TV aberta bateu recorde de participação no bolo publicitário, concentrando 62,9% dos investimentos. No ano anterior, a fatia foi de 60,9%.
O faturamento bruto saltou de R$ 13,6 bilhões para R$ 16,5 bilhões, incremento de 21,6%.
"Uma mídia tradicional que concentra mais da metade do bolo publicitário conseguir crescer dois pontos percentuais é um feito e tanto", diz Salles Neto.
Segunda maior mídia em receita publicitária, os jornais viram as receitas com publicidade aumentarem em R$ 107 milhões, para R$ 3,24 bilhões (alta de 3,4%). A participação dos veículos impressos ficou em 12,4%.
Como vem acontecendo nos últimos anos, o meio que mais cresceu em termos percentuais foi a internet, com alta de 28%. O faturamento foi a R$ 1,2 bilhão, ante R$ 950 milhões em 2009.
A mídia digital passou o rádio no ano passado e já detém 4,6% do total do bolo publicitário. O número, no entanto, não contabiliza as receitas do Google com links patrocinados.
Pelos cálculos do M&M, o Google faturou R$ 1 bilhão em 2010. Se esse faturamento fosse contabilizado no Projeto Inter-Meios, a internet poderia superar o meio revista, que obteve uma receita bruta de R$ 1,97 bilhão no ano passado, com crescimento de 14,9%.
Apesar de ter pedido o quarto lugar para a internet, o meio rádio também cresceu. A receita bruta com publicidade passou de R$ 987 milhões para R$ 1,09 bilhão.
O rádio tem atraído anunciantes de peso como Nestlé e Disney, que recentemente batizaram emissoras com suas marcas.
CAUSAS
O desempenho do mercado publicitário durante o ano passado foi impulsionado pela Copa do Mundo e pelas eleições.
Mas ele foi bem maior no primeiro semestre (alta de 30%), devido à regra de que em ano eleitoral o poder público só pode anunciar feitos governamentais até a data-limite de 30 de junho.
Para este ano, Salles Neto prevê um crescimento de 10%. "É um crescimento expressivo, considerando que estamos saindo de uma base de forte crescimento em 2010."
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Receita com publicidade na internet cresce 72% até setembro, diz Ibope
DE SÃO PAULO - A propaganda na internet cresceu 72% nos primeiros nove meses do ano, de acordo com dados do Ibope Monitor.
Foi o meio que mais cresceu em receita publicitária, embora os números sejam ainda pequenos comparativamente aos gastos de anunciantes com TV e jornais, que registraram aumento de 23% e 14% no período, respectivamente.
Em um ano de Copa do Mundo e de eleições, o mercado publicitário como um todo registou avanço de 21,4%, para R$ 54,3 bilhões.
Os números do Ibope se referem a preços de tabela cheia. Ou seja, não levam em conta descontos concedidos pelos veículos.
De acordo com os números do Projeto Inter-Meios, que se baseia no faturamento real bruto dos veículos, o mercado movimentou R$ 16,6 bilhões de janeiro a agosto.
Os valores relativos ao mês de setembro ainda não foram divulgados.
Segundo os dados do Ibope, a internet recebeu R$ 2,13 bilhões com publicidade de janeiro a setembro, ligeiramente abaixo do rádio, com R$ 2,2 bilhões (alta de 9% sobre igual período em 2009).
A expectativa da consultoria ZenithOptimedia, do grupo Publicis, é que a internet passe o rádio no Brasil ainda neste ano e se consolide como a quinta maior mídia em verba publicitária.
Os anunciantes investiram R$ 29 bilhões em televisão e R$ 11,5 bilhões em jornais nos primeiros nove meses deste ano, considerando preços de tabela.
A TV por assinatura registrou o terceiro maior crescimento no período: 22%, para R$ 4,4 bilhões.
Com esse crescimento, o meio superou o de revistas (avanço de 15%, para R$ 4,38 bilhões).
Foi o meio que mais cresceu em receita publicitária, embora os números sejam ainda pequenos comparativamente aos gastos de anunciantes com TV e jornais, que registraram aumento de 23% e 14% no período, respectivamente.
Em um ano de Copa do Mundo e de eleições, o mercado publicitário como um todo registou avanço de 21,4%, para R$ 54,3 bilhões.
Os números do Ibope se referem a preços de tabela cheia. Ou seja, não levam em conta descontos concedidos pelos veículos.
De acordo com os números do Projeto Inter-Meios, que se baseia no faturamento real bruto dos veículos, o mercado movimentou R$ 16,6 bilhões de janeiro a agosto.
Os valores relativos ao mês de setembro ainda não foram divulgados.
Segundo os dados do Ibope, a internet recebeu R$ 2,13 bilhões com publicidade de janeiro a setembro, ligeiramente abaixo do rádio, com R$ 2,2 bilhões (alta de 9% sobre igual período em 2009).
A expectativa da consultoria ZenithOptimedia, do grupo Publicis, é que a internet passe o rádio no Brasil ainda neste ano e se consolide como a quinta maior mídia em verba publicitária.
Os anunciantes investiram R$ 29 bilhões em televisão e R$ 11,5 bilhões em jornais nos primeiros nove meses deste ano, considerando preços de tabela.
A TV por assinatura registrou o terceiro maior crescimento no período: 22%, para R$ 4,4 bilhões.
Com esse crescimento, o meio superou o de revistas (avanço de 15%, para R$ 4,38 bilhões).
sábado, 23 de outubro de 2010
Publicidade só para os outros?
Por: Por Paulo Donizetti, editor da Revista do Brasil
Atualizado. A Editora Gráfica Atitude Ltda. recebeu às 16h desta terça-feira, notificação do Tribunal Superior Eleitoral determinando a interrupção da distribuição da edição 52 da Revista do Brasil, bem como a não divulgação de seu conteúdo por esta página na internet. A decisão do TSE atende a um pedido de liminar da coligação do candidato José Serra à Presidência da República. A editora tomou as medidas técnicas em respeito à decisão, enquanto encaminha as medidas cabíveis visando à reconsideração do referido ato por parte do Tribunal.As estatais que disputam fatias de mercado têm por hábito anunciar em todos os veículos. A Revista do Brasil, por seu público, merece mais atenção do mercado publicitário
Primeiro por tratar-se de uma revista de pauta plural e diversificada, capaz de suprir carências dos mais diversos públicos por informação de qualidade; segundo, por ser uma das poucas publicações de orientação de esquerda com essa amplitude editorial, isto é, existe um público consumidor que não encontra no mercado editorial publicações à altura de sua dimensão; e terceiro, por se dirigir aos trabalhadores formais, de elevada escolaridade e com poder aquisitivo respeitável – ou seja, um consumidor qualificado. É o que constata a Petrobras, em nota.
Setores da imprensa no entanto, gostariam que fosse direito exclusivo dos veículos que se dedicam a fazer oposição ao governo Lula – embora não se trate de uma "imprensa livre" e crítica, como se atribuem. Trata-se de uma imprensa partidária e deliberadamente oposicionista, como admitiu a executiva da Folha Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais. E que tem feito como nunca essa oposição de maneira hostil, sistemática e organizada, conforme revelaram os participantes do "Fórum Democracia e Liberdade" organizado pelo Instituto Millenium (http://bit.ly/tropa_de_elite), de onde saiu boa parte do receituário que guiou a pauta da velha imprensa.
Obviamente, incomoda-os a perspectiva de conviver com um ambiente de partilha mais equilibrada das receitas publicitárias – ainda longe de se estabelecer no Brasil, onde a estrutura de imprensa comercial é absurdamente concentrada e monopolista, das concessões públicas de rádio e TV à distribuição de produtos em bancas. Incomoda-os ainda conviver com o risco de uma concorrência saudável, na qual um púbico insatisfeito com a produção atual da mídia brasileira passe a encontrar outras opções no mercado editorial. Isso para ficar no campo da disputa pelo mercado editorial – sem falar na incômoda concorrência no campo das ideias, num mercado midiático dominado por interesses políticos e econômicos há bem pouco tempo exclusivo dos comunicadores do pensamento único que tentou governar a opinião pública.
O surgimento de novas opções no mundo da informação pode tornar o público mais exigente, e passar a requerer dos concorrentes mais qualidade do que os panfletos ideológicos e partidários que se têm visto nos últimos tempos – por exemplo, um jornal que se diz o maior do país publicar que a presidente da Apeoesp, Maria Izabel de Noronha, liderou greve "contra o governo Serra", e não a favor dos maltratados educadores paulistas. Os donos da chamada "grande" mídia, que muitos, com efeito, já chamam de velha mídia, deveriam comemorar o prenúncio de uma concorrência saudável. O Brasil só terá a ganhar
Atualizado. A Editora Gráfica Atitude Ltda. recebeu às 16h desta terça-feira, notificação do Tribunal Superior Eleitoral determinando a interrupção da distribuição da edição 52 da Revista do Brasil, bem como a não divulgação de seu conteúdo por esta página na internet. A decisão do TSE atende a um pedido de liminar da coligação do candidato José Serra à Presidência da República. A editora tomou as medidas técnicas em respeito à decisão, enquanto encaminha as medidas cabíveis visando à reconsideração do referido ato por parte do Tribunal.As estatais que disputam fatias de mercado têm por hábito anunciar em todos os veículos. A Revista do Brasil, por seu público, merece mais atenção do mercado publicitário
Primeiro por tratar-se de uma revista de pauta plural e diversificada, capaz de suprir carências dos mais diversos públicos por informação de qualidade; segundo, por ser uma das poucas publicações de orientação de esquerda com essa amplitude editorial, isto é, existe um público consumidor que não encontra no mercado editorial publicações à altura de sua dimensão; e terceiro, por se dirigir aos trabalhadores formais, de elevada escolaridade e com poder aquisitivo respeitável – ou seja, um consumidor qualificado. É o que constata a Petrobras, em nota.
Setores da imprensa no entanto, gostariam que fosse direito exclusivo dos veículos que se dedicam a fazer oposição ao governo Lula – embora não se trate de uma "imprensa livre" e crítica, como se atribuem. Trata-se de uma imprensa partidária e deliberadamente oposicionista, como admitiu a executiva da Folha Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais. E que tem feito como nunca essa oposição de maneira hostil, sistemática e organizada, conforme revelaram os participantes do "Fórum Democracia e Liberdade" organizado pelo Instituto Millenium (http://bit.ly/tropa_de_elite), de onde saiu boa parte do receituário que guiou a pauta da velha imprensa.
Obviamente, incomoda-os a perspectiva de conviver com um ambiente de partilha mais equilibrada das receitas publicitárias – ainda longe de se estabelecer no Brasil, onde a estrutura de imprensa comercial é absurdamente concentrada e monopolista, das concessões públicas de rádio e TV à distribuição de produtos em bancas. Incomoda-os ainda conviver com o risco de uma concorrência saudável, na qual um púbico insatisfeito com a produção atual da mídia brasileira passe a encontrar outras opções no mercado editorial. Isso para ficar no campo da disputa pelo mercado editorial – sem falar na incômoda concorrência no campo das ideias, num mercado midiático dominado por interesses políticos e econômicos há bem pouco tempo exclusivo dos comunicadores do pensamento único que tentou governar a opinião pública.
O surgimento de novas opções no mundo da informação pode tornar o público mais exigente, e passar a requerer dos concorrentes mais qualidade do que os panfletos ideológicos e partidários que se têm visto nos últimos tempos – por exemplo, um jornal que se diz o maior do país publicar que a presidente da Apeoesp, Maria Izabel de Noronha, liderou greve "contra o governo Serra", e não a favor dos maltratados educadores paulistas. Os donos da chamada "grande" mídia, que muitos, com efeito, já chamam de velha mídia, deveriam comemorar o prenúncio de uma concorrência saudável. O Brasil só terá a ganhar
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