terça-feira, 10 de maio de 2011
Existe uma distância razoável entre imprensa livre e imprensa boa. Podemos afirmar que temos no Brasil uma imprensa livre. Veículos de comunicação divulgam o que bem entendem, usam de sua liberdade como bem entendem – do contrário não haveria liberdade –, elevam assuntos de importância secundária para a condição de matéria de primeira página nos jornais, ou com maior minutagem e maior destaque nos telejornais. E fazem, também, o caminho inverso: relegam a um terceiro plano o que teria tudo para ser notícia de primeira, notícia com N maiúsculo.
Ainda assim, não podemos dizer que temos uma boa imprensa pela simples razão de que há uma carga bem pesada de subjetividade em afirmação de tal monta. Boa para quem, cara pálida? Para os veículos de comunicação? Para os governos? Para determinados segmentos da sociedade? Para a sociedade como um todo? Esta última questão esbarra no senso comum do "ora, nem Jesus Cristo agradou todo mundo... como a imprensa agradaria a toda a sociedade ou, no mínimo, seria por esta considerada boa?".
A imprensa é livre, por exemplo, para mudar o foco real do debate sobre liberdade de imprensa e liberdade de expressão. Qualquer ser pensante que se atreva a pedir mais transparência da imprensa, mais debate sobre suas necessárias formas de regulação – e não apenas aquelas abrigadas no conceito genérico da autoregulação – é logo considerado golpista, pessoa que possui um dos hemisférios cerebrais localizados no campo do autoritarismo, do cerceamento à liberdade de expressão. São apenas censores os que não tomam parte das legiões do pensamento único. E, na verdade, isso tem um nome. Chama-se ideologização e nada mais. Por que há muito de ideologia no ataque a qualquer proposta de regulação da mídia. Do contrário, seria um debate muito bem vindo e não o que se deseja lançar sobre a sociedade, ao reputá-lo como um atentado à liberdade de imprensa.
Todos os meios
Sabemos, de antemão, que tipo de imprensa não queremos. Nesse bloco podemos afirmar com grande margem de acerto e correção que será uma imprensa refém do capital pelo capital; uma imprensa travestida de partido político e, portanto, a serviço de determinados projetos de poder; uma imprensa que atua como tribunal de primeira à última instância, acusando, julgando e condenando sem deixar de antes fazer terra arrasada da reputação de seus declarados desafetos, os também chamados "bolas da vez". A imprensa que não desejamos é aquela que é generosa nos ataques e nas acusações e extremamente parcimoniosa no uso do direito de resposta, direito muitas vezes conseguido apenas nos tribunais.
É nesse contexto que julgamos salutar que o governo apresente um anteprojeto de regulação da mídia ainda neste ano. Que as experiências colhidas em governos anteriores sirvam de base para os estudos necessários e que este material seja disponibilizado para conhecimento da sociedade parece ser, desde já, um desafio e tanto. Temos que aproveitar o atual processo de convergência das mídias e o surgimento de novas tecnologias para proceder a uma atualização das regras do setor. Atualização que se faz urgente haja vista que normas brasileiras datam do agora distante ano de 1962, ano em que nem mesmo existiam a TV em cores, as transmissões por satélite e muito menos os meios virtuais – sítios, blogues, redes de relacionamento e tantas outras novidades.
A permanecer o status quo, temos o que temos: terra de ninguém, onde parece ter razão quem tem os meios de difundí-la a todo e a qualquer momento e, ainda mais, por todos os meios à sua disposição. Isto é, à disposição dos grandes conglomerados que produzem as notícias e sabem como despejá-las sobre a sociedade, usando o suporte escrito, radiofônico, televisivo e virtual.
Perspicácia
O importante mesmo é não deixar o debate morrer de inanição. Na luta por uma imprensa de boa qualidade – e esta somente poderá assim ser adjetivada se for fundada no inegociável estatuto de sua liberdade – não devem existir mocinhos e bandidos. Há que se buscar uma imprensa que melhor combine os atributos da liberdade de informar com a responsabilidade de informar, as características de empreendimento econômico-financeiro lucrativo com aquelas de empreendimento que favoreça a identidade nacional e o fortalecimento de nossa ainda incipiente cidadania.
É muito trabalho para pouco debate. Estamos apenas no início. Mas não se ganha batalha sem antes haver sido iniciada. E que tenhamos em mente a perspicaz observação do grande líder indiano Mahatma Gandhi (1869-1948) ao afirmar que "a liberdade para ser verdadeira precisa incluir a liberdade de errar."
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quarta-feira, 11 de maio de 2011
sábado, 23 de abril de 2011
A MALAGUETA - observatório da imprensa
Um jornal apimentado
Por Matías M. Molina em 19/4/2011
Reproduzido do Valor Econômico, 15/4/2011; intertítulos do OI
"Meu irmão, Luís Augusto May, portador desta, pede-me que o recomende a Vossa Senhoria. Ele é um doido varrido, mas como também faz caturrizes pode diverti-lo nas horas vagas; queira portanto dar-lhe preferência a qualquer outro que esteja nas mesmas circunstâncias. O conhecimento que tem das línguas inglesa e francesa o habilita igualmente para o serviço civil e militar principalmente se o seu chefe o vigiar bem e não o deixar conversar demais".
Uma carta com esse texto foi passada ao marquês de Resende por Hipólito José da Costa, o redator do Correio Braziliense que conhecera May em Londres. A parte em itálico é, certamente, uma brincadeira de Hipólito. Há outra versão mais formal para essa primeira parte: "Escrevo esta carta ditando ao portador, o tenente Luís Augusto May, o qual, além do ofício que já escrevi a seu respeito, deseja esta carta particular com que se te apresente. É natural que escrevendo ele mesmo a carta, eu não diga nem muito bem nem muito mal". A segunda parte é idêntica nas duas versões.
A carta foi escrita em 7 de setembro de 1810 pelo conde de Funchal, embaixador em Londres, a seu irmão, o conde de Linhares, ministro da Secretaria dos Negócios Estrangeiros e da Guerra no Rio de Janeiro. Revela, mesmo na versão formal, a insistência de May para conseguir algumas palavras, ainda que não fossem muito lisonjeiras, que o recomendassem a uma alta autoridade. Nascido em Lisboa, ex-seminarista e capitão de artilharia, estava vindo para o Brasil como intérprete dos trabalhadores suecos da fábrica de ferro de São João de Ipanema, em Sorocaba (SP).
Homem culto, ambicioso, de sólidos conhecimentos jurídicos, May procurou no Brasil aproximar-se de pessoas ligadas ao poder. Perseguiu com afinco honrarias, cargos públicos e promoções. Notabilizou-se pelo oportunismo e caráter volúvel.
Pleiteou o cargo de sargento-mor e recebeu apenas o hábito de Cavalheiro da Ordem de São Francisco. Obteve um emprego de oficial da Secretaria dos Negócios da Marinha, do qual conseguiu aposentar-se em 1820, mas quando a aposentadoria foi ameaçada pelas cortes de Lisboa, que acabaram com a seção em que trabalhava, May publicou o jornal A Malagueta em dezembro de 1821, alguns meses depois de ter aparecido o Reverbero Constitucional Fluminense de Gonçalves Ledo e Januário da Cunha. Recebeu, para editar a publicação, ajuda de um comerciante português, Manuel Joaquim Portugal de Lima, que lhe cedeu o material tipográfico.
Nomeação esperada
A Malagueta foi lançada como publicação independente. Foi impressa na tipografia de Moreira & Garcez e depois na Impressão de Silva Porto &c. Custava 100 réis, preço superior aos 80 réis de quase todos os outros jornais. Consistia basicamente num longo e incisivo artigo de May, escrito na primeira pessoa, para tornar-se mais próximo do leitor. José Hipólito da Costa comentou no Correio Braziliense que A Malagueta "não é periódica, porque se publica ocasionalmente; nem é destituída de instrução, nem lhe falta um bom raciocínio, e menos a boa linguagem". Mas seu estilo foi considerado por Juarez Bahia como "descuidado, desabrido, abusado, radical, panfletário". A linguagem era melíflua e insinuante; evitava os ataques diretos; as críticas mais ferinas eram precedidas de lisonjas e misturadas com elogios. Implorava ao mesmo tempo em que agredia. Atacava e se colocava como vítima. Mas adotou um tom pedagógico que atraiu os leitores. Para Carlos Rizzini, May foi "o mais destro e pertinaz polemista da Independência", e também "culto, vaidoso e destemido, expoente do jornalismo desregrado de seu tempo". Gondim da Fonseca escreveu que era "o mais célebre jornalista da época".
Defendeu uma causa popular, que era a permanência do príncipe d. Pedro no Brasil, e uma política de contestação às cortes portuguesas. O êxito foi imediato. Estima-se que A Malagueta em pouco tempo conseguiu 500 assinaturas no Rio, um número muito elevado na época, bem superior ao das publicações concorrentes, apesar de ter um preço maior. Desde o começo, polemizou com outras publicações, como o Reverbero, O Espelho e com José da Silva Lisboa, o visconde de Cairu, que chamava May de "tigre devorador sob a pele de mansíssimo cordeiro". A influência do jornal valeu ao seu redator a alcunha de "o Malagueta". O partido português publicou oito folhetos para polemizar com ele ou para combatê-lo.
A Malagueta, que em geral mostrava uma linha liberal, levantou várias questões constitucionais importantes com profundo conhecimento de causa e, em ocasiões, articulava argumentos bem construídos e relevantes sobre a condução do país. Mas esteve sujeita a bruscas oscilações em sua orientação. Se criticava o governo, também podia bajulá-lo quando isso convinha aos interesses de May. Chegou a defender com empenho iniciativas políticas que depois combateu com o mesmo vigor. Assim como tinha obtido uma boa acolhida inicial, por sua defesa da Constituição, A Malagueta foi perdendo credibilidade por sua linha volúvel.
A vida do jornal foi tão conturbada quanto a sua orientação editorial. Teve várias fases. May esperava ser nomeado para uma alta função no exterior. José Bonifácio, que conhecia sua atração por honrarias e empregos públicos, lhe ofereceu o cargo de oficial-mor da Secretaria dos Negócios Estrangeiros em Washington, desde que deixasse de publicar A Malagueta. Ele, efetivamente, suspendeu a circulação do jornal e explicou aos seus assinantes, nas páginas do Correio do Rio de Janeiro, que o fazia por "motivo de serviço nacional"; pouco depois diria, na primeira edição extraordinária de A Malagueta, que a suspensão era definitiva.
Presença de espírito
O jornal parou depois de ter publicado 31 números, de dezembro de 1821 a junho de 1822. Mas não se chegou a um acordo sobre a remuneração que "o Malagueta" iria receber, sua nomeação não saiu e ele rompeu com José Bonifácio; em dezembro, anunciou que voltaria a publicar o jornal fazendo oposição ao governo.
Nesta segunda fase saíram sete "Malaguetas" extraordinárias, sem periodicidade regular, a primeira em julho de 1822, a última em julho de 1824. A terceira fase, com o nome de Malagueta, sem o artigo, foi de 1828 a 1829, com 91 edições, mas não teve a repercussão da primeira. Na quarta e última, entre 1831 e 1832, saíram 36 números. May lamentava ter ficado sem tipografia para publicar o jornal, pois tinha sido "despedido pelo impressor que o alugava", e convidava qualquer senhor dono de tipografia, empreendedor ou mesmo curioso, a tomar conta da folha, mas mantendo o redator.
Depois que May deixara de publicar A Malagueta em 1822, sem conseguir o cargo pretendido em Washington e de ter anunciado em dezembro o relançamento do jornal com ataques ao governo, foi atribuído a d. Pedro um artigo de virulência extremada com o título "O calmante da e no Malagueta", publicado no jornal O Espelho em janeiro de 1823. Dizia que May era o "esturdíssimo, esturradíssimo, constipadíssimo, matoníssimo, politiquíssimo, cacholíssimo sr autor de um periódico cujo nome é o de uma pimenta que se chama aqui malagueta ou, por outra, p. que o pariu (a ele)", fazendo um trocadilho grosseiro e de mau gosto com a palavra indígena "bacupari", sinônimo de malagueta.
O artigo também ridicularizava a figura de May: o nariz, os pés, as "canelas esburgadinhas", os joelhos, as coxas, "a barriga que não tem", o umbigo, o pescoço, a habilidade nas mãos, e detalhadamente o resto do corpo; o qualificou de impostor, estouvado e interesseiro, fez insinuações de homossexualismo e não poupou nem a sua mulher nem os seus filhos, ao dizer que ele os deixava "fazer o que lhes parece". Chegou a acusar o jornalista de ter roubado documentos do conde de Funchal para vendê-los a Hipólito José da Costa. Isabel Lustosa diz que esta notável peça jornalística é "talvez única no seu estilo publicada no Brasil".
May tinha elogiado d. Pedro em diversas ocasiões. Quando saiu o artigo que o ofendeu, pediu ao imperador que afirmasse publicamente, numa espécie de retratação, não ter sido ele o autor. D. Pedro prometeu fazê-lo através do Diário do Governo. Talvez como compensação e para acalmá-lo, May foi promovido em maio a oficial-mor graduado da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha, o posto mais alto do funcionalismo. Mas como não tivesse sido divulgado o desmentido, May publicou, na Malagueta extraordinária de junho de 1823, uma carta aberta ao imperador. Nela o lembrou da promessa não cumprida de publicar que o governo não tomara parte na "publicação suja de 10 de janeiro", que a "todos parecera ter saído debaixo dos auspícios de Alta Proteção", numa clara referência ao imperador; agradeceu a mercê (promoção) recebida, procurando "remediar o mal que outros tinham feito"; e criticou duramente os Andradas e várias pessoas da corte. E disse a d. Pedro: "Esta miséria só de per si obriga a Augusta Pessoa de V.M.I [Vossa Majestade Imperial] a tomar as suas medidas para se salvar da imputação que por lá fora se possa fazer – que V.M.I. saboreia tais despropósitos".
No dia seguinte, José Bonifácio disse a May que iria visitá-lo em sua casa. Foi, não o encontrou e disse que voltaria mais tarde. O Malagueta o esperou na companhia de várias pessoas. Em lugar de José Bonifácio, apareceu um bando de encapuzados que atacou o grupo. Segundo May, tinham "espadas nuas e paus grossos que eu vi, e com os quais perpetraram em minha pessoa o massacre que constou de grande primeiro golpe de espada, que foi aparado no castiçal, e na mão esquerda, e do qual resultou o aleijão e ferida aberta que ainda hoje conservo, de mais cinco golpes ou cutiladas, maiores e menores na cabeça, que se me deram enquanto as luzes não se apagaram, além de dez ou doze contusões violentas no pescoço e corpo, de que resultou o aleijão do dedo índice da mão direita; e isto além da ruptura que me sobreveio com os esforços que eu fiz quando na minha fugida dos assassinos, passei a vala que divide a minha chácara da do Padre Serafim dos Anjos, para cuja casa eu me refugiei com o auxílio da escuridão". Varnhagen escreve que May se salvou "pela presença de espírito de uma preta", que apagou a luz, permitindo que ele fugisse precipitadamente para a chácara do padre vizinho. Um dos presentes, um padre, se escondeu embaixo de uma mesa.
Sem importância
O Diário do Governo publicou vários artigos atacando A Malagueta, sem mencionar a agressão ao seu redator durante vários dias. Quando o fez, um artigo assinado por Observador justificou o espancamento dizendo que era "muito e muito natural que um tal escritor provocasse a cólera de imensos indivíduos menos fleumáticos do que eu". José Bonifácio foi apontado no Rio pela população e pela imprensa como suspeito de ter sido o mandante da agressão. Gondim da Fonseca acredita que, sem dúvida, foram os Andradas. O Correio do Rio de Janeiro escreveu uma quadrilha:
"Chamam servis os Andradas,
é calúnia, é falso, é peta.
São liberais a ‘matar’,
e que o diga o Malagueta".
No ano seguinte, num panfleto foi publicada esta quadra:
"Caro Malagueta meu,
o mundo pasmado está
do pouco se vos dá
do muito que se vos deu".
No entanto, é provável que a ordem para o espancamento tivesse partido de d. Pedro. Um dos agressores deixou cair uma carta procedente da Bahia que o identificou como uma pessoa de "alto cargo", que teria sido Pedro Dias Pais Leme, futuro marquês de Quixeramobim. May disse que a ordem para a agressão não foi dada pelos Andradas, mas nunca quis revelar, por medo ou conveniência, quem a teria dado. Numa carta escrita do exílio, José Bonifacio disse do imperador que "quando o doido do May escreveu contra ele, prorrompeu na atrocidade que todos sabem". Devido aos ferimentos recebidos, o Malagueta foi aposentado, porém "com exercício" da função, o que levou o visconde de Cairu a escrever que "levar pancadas e pedir indenizações assaz lucrativas!!! Não é mau negócio, assim ele dure muitos anos!!!" May continuou mandando cartas ao imperador pedindo favores, mesmo desconfiando, ou tendo certeza, de sua participação no atentado.
Em agosto de 1829, May foi espancado de novo, quando saía da Câmara. Recebeu várias pancadas na cabeça com um pau com pregos na ponta e ficou seriamente ferido. Novamente, é provável que o mandante fosse o imperador. O jornalista tinha escrito um artigo, "A fita e as devisas (sic)", por ocasião do segundo casamento de d. Pedro, numa referência à preferência da nova imperatriz, Amélia Eugênia, pela cor rosa, que ficou na moda na corte. Em sua homenagem, o imperador criou a Ordem da Rosa e a corte lhe ofereceu um baile em que todas as damas usaram vestidos dessa cor.
A respeito desse segundo o atentado, o Jornal do Commercio escreveu: "A soltura de linguagem do redator da Malagueta, que nas suas cáusticas jeremíadas nem as cinzas dos mortos respeitava, tornasse como infalível uma tal catástrofe, contudo um atentado destes é para lastimar, pois a vida do Cidadão e do Deputado deve ser respeitada, quando se trata de reprimir a ousadia do jornalista. Assaz castigado se acha o redator da Malagueta pelo descrédito em que caiu na opinião pública". Com essa agressão terminou uma das etapas da Malagueta.
May, que tinha sido eleito deputado, não conseguiu a reeleição. Tentou aproximar-se de Feijó, durante a Regência. No ocaso, escreveu ao regente que, no tempo de Pedro I, "se então era odiado, ao menos não era eu desprezado; hoje vou à casa de V. Excia. (pela terceira vez) e seus lacaios correm com a gente; ora, isto é duro". O Malagueta tinha perdido a importância que conseguira com A Malagueta.
Por Matías M. Molina em 19/4/2011
Reproduzido do Valor Econômico, 15/4/2011; intertítulos do OI
"Meu irmão, Luís Augusto May, portador desta, pede-me que o recomende a Vossa Senhoria. Ele é um doido varrido, mas como também faz caturrizes pode diverti-lo nas horas vagas; queira portanto dar-lhe preferência a qualquer outro que esteja nas mesmas circunstâncias. O conhecimento que tem das línguas inglesa e francesa o habilita igualmente para o serviço civil e militar principalmente se o seu chefe o vigiar bem e não o deixar conversar demais".
Uma carta com esse texto foi passada ao marquês de Resende por Hipólito José da Costa, o redator do Correio Braziliense que conhecera May em Londres. A parte em itálico é, certamente, uma brincadeira de Hipólito. Há outra versão mais formal para essa primeira parte: "Escrevo esta carta ditando ao portador, o tenente Luís Augusto May, o qual, além do ofício que já escrevi a seu respeito, deseja esta carta particular com que se te apresente. É natural que escrevendo ele mesmo a carta, eu não diga nem muito bem nem muito mal". A segunda parte é idêntica nas duas versões.
A carta foi escrita em 7 de setembro de 1810 pelo conde de Funchal, embaixador em Londres, a seu irmão, o conde de Linhares, ministro da Secretaria dos Negócios Estrangeiros e da Guerra no Rio de Janeiro. Revela, mesmo na versão formal, a insistência de May para conseguir algumas palavras, ainda que não fossem muito lisonjeiras, que o recomendassem a uma alta autoridade. Nascido em Lisboa, ex-seminarista e capitão de artilharia, estava vindo para o Brasil como intérprete dos trabalhadores suecos da fábrica de ferro de São João de Ipanema, em Sorocaba (SP).
Homem culto, ambicioso, de sólidos conhecimentos jurídicos, May procurou no Brasil aproximar-se de pessoas ligadas ao poder. Perseguiu com afinco honrarias, cargos públicos e promoções. Notabilizou-se pelo oportunismo e caráter volúvel.
Pleiteou o cargo de sargento-mor e recebeu apenas o hábito de Cavalheiro da Ordem de São Francisco. Obteve um emprego de oficial da Secretaria dos Negócios da Marinha, do qual conseguiu aposentar-se em 1820, mas quando a aposentadoria foi ameaçada pelas cortes de Lisboa, que acabaram com a seção em que trabalhava, May publicou o jornal A Malagueta em dezembro de 1821, alguns meses depois de ter aparecido o Reverbero Constitucional Fluminense de Gonçalves Ledo e Januário da Cunha. Recebeu, para editar a publicação, ajuda de um comerciante português, Manuel Joaquim Portugal de Lima, que lhe cedeu o material tipográfico.
Nomeação esperada
A Malagueta foi lançada como publicação independente. Foi impressa na tipografia de Moreira & Garcez e depois na Impressão de Silva Porto &c. Custava 100 réis, preço superior aos 80 réis de quase todos os outros jornais. Consistia basicamente num longo e incisivo artigo de May, escrito na primeira pessoa, para tornar-se mais próximo do leitor. José Hipólito da Costa comentou no Correio Braziliense que A Malagueta "não é periódica, porque se publica ocasionalmente; nem é destituída de instrução, nem lhe falta um bom raciocínio, e menos a boa linguagem". Mas seu estilo foi considerado por Juarez Bahia como "descuidado, desabrido, abusado, radical, panfletário". A linguagem era melíflua e insinuante; evitava os ataques diretos; as críticas mais ferinas eram precedidas de lisonjas e misturadas com elogios. Implorava ao mesmo tempo em que agredia. Atacava e se colocava como vítima. Mas adotou um tom pedagógico que atraiu os leitores. Para Carlos Rizzini, May foi "o mais destro e pertinaz polemista da Independência", e também "culto, vaidoso e destemido, expoente do jornalismo desregrado de seu tempo". Gondim da Fonseca escreveu que era "o mais célebre jornalista da época".
Defendeu uma causa popular, que era a permanência do príncipe d. Pedro no Brasil, e uma política de contestação às cortes portuguesas. O êxito foi imediato. Estima-se que A Malagueta em pouco tempo conseguiu 500 assinaturas no Rio, um número muito elevado na época, bem superior ao das publicações concorrentes, apesar de ter um preço maior. Desde o começo, polemizou com outras publicações, como o Reverbero, O Espelho e com José da Silva Lisboa, o visconde de Cairu, que chamava May de "tigre devorador sob a pele de mansíssimo cordeiro". A influência do jornal valeu ao seu redator a alcunha de "o Malagueta". O partido português publicou oito folhetos para polemizar com ele ou para combatê-lo.
A Malagueta, que em geral mostrava uma linha liberal, levantou várias questões constitucionais importantes com profundo conhecimento de causa e, em ocasiões, articulava argumentos bem construídos e relevantes sobre a condução do país. Mas esteve sujeita a bruscas oscilações em sua orientação. Se criticava o governo, também podia bajulá-lo quando isso convinha aos interesses de May. Chegou a defender com empenho iniciativas políticas que depois combateu com o mesmo vigor. Assim como tinha obtido uma boa acolhida inicial, por sua defesa da Constituição, A Malagueta foi perdendo credibilidade por sua linha volúvel.
A vida do jornal foi tão conturbada quanto a sua orientação editorial. Teve várias fases. May esperava ser nomeado para uma alta função no exterior. José Bonifácio, que conhecia sua atração por honrarias e empregos públicos, lhe ofereceu o cargo de oficial-mor da Secretaria dos Negócios Estrangeiros em Washington, desde que deixasse de publicar A Malagueta. Ele, efetivamente, suspendeu a circulação do jornal e explicou aos seus assinantes, nas páginas do Correio do Rio de Janeiro, que o fazia por "motivo de serviço nacional"; pouco depois diria, na primeira edição extraordinária de A Malagueta, que a suspensão era definitiva.
Presença de espírito
O jornal parou depois de ter publicado 31 números, de dezembro de 1821 a junho de 1822. Mas não se chegou a um acordo sobre a remuneração que "o Malagueta" iria receber, sua nomeação não saiu e ele rompeu com José Bonifácio; em dezembro, anunciou que voltaria a publicar o jornal fazendo oposição ao governo.
Nesta segunda fase saíram sete "Malaguetas" extraordinárias, sem periodicidade regular, a primeira em julho de 1822, a última em julho de 1824. A terceira fase, com o nome de Malagueta, sem o artigo, foi de 1828 a 1829, com 91 edições, mas não teve a repercussão da primeira. Na quarta e última, entre 1831 e 1832, saíram 36 números. May lamentava ter ficado sem tipografia para publicar o jornal, pois tinha sido "despedido pelo impressor que o alugava", e convidava qualquer senhor dono de tipografia, empreendedor ou mesmo curioso, a tomar conta da folha, mas mantendo o redator.
Depois que May deixara de publicar A Malagueta em 1822, sem conseguir o cargo pretendido em Washington e de ter anunciado em dezembro o relançamento do jornal com ataques ao governo, foi atribuído a d. Pedro um artigo de virulência extremada com o título "O calmante da e no Malagueta", publicado no jornal O Espelho em janeiro de 1823. Dizia que May era o "esturdíssimo, esturradíssimo, constipadíssimo, matoníssimo, politiquíssimo, cacholíssimo sr autor de um periódico cujo nome é o de uma pimenta que se chama aqui malagueta ou, por outra, p. que o pariu (a ele)", fazendo um trocadilho grosseiro e de mau gosto com a palavra indígena "bacupari", sinônimo de malagueta.
O artigo também ridicularizava a figura de May: o nariz, os pés, as "canelas esburgadinhas", os joelhos, as coxas, "a barriga que não tem", o umbigo, o pescoço, a habilidade nas mãos, e detalhadamente o resto do corpo; o qualificou de impostor, estouvado e interesseiro, fez insinuações de homossexualismo e não poupou nem a sua mulher nem os seus filhos, ao dizer que ele os deixava "fazer o que lhes parece". Chegou a acusar o jornalista de ter roubado documentos do conde de Funchal para vendê-los a Hipólito José da Costa. Isabel Lustosa diz que esta notável peça jornalística é "talvez única no seu estilo publicada no Brasil".
May tinha elogiado d. Pedro em diversas ocasiões. Quando saiu o artigo que o ofendeu, pediu ao imperador que afirmasse publicamente, numa espécie de retratação, não ter sido ele o autor. D. Pedro prometeu fazê-lo através do Diário do Governo. Talvez como compensação e para acalmá-lo, May foi promovido em maio a oficial-mor graduado da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha, o posto mais alto do funcionalismo. Mas como não tivesse sido divulgado o desmentido, May publicou, na Malagueta extraordinária de junho de 1823, uma carta aberta ao imperador. Nela o lembrou da promessa não cumprida de publicar que o governo não tomara parte na "publicação suja de 10 de janeiro", que a "todos parecera ter saído debaixo dos auspícios de Alta Proteção", numa clara referência ao imperador; agradeceu a mercê (promoção) recebida, procurando "remediar o mal que outros tinham feito"; e criticou duramente os Andradas e várias pessoas da corte. E disse a d. Pedro: "Esta miséria só de per si obriga a Augusta Pessoa de V.M.I [Vossa Majestade Imperial] a tomar as suas medidas para se salvar da imputação que por lá fora se possa fazer – que V.M.I. saboreia tais despropósitos".
No dia seguinte, José Bonifácio disse a May que iria visitá-lo em sua casa. Foi, não o encontrou e disse que voltaria mais tarde. O Malagueta o esperou na companhia de várias pessoas. Em lugar de José Bonifácio, apareceu um bando de encapuzados que atacou o grupo. Segundo May, tinham "espadas nuas e paus grossos que eu vi, e com os quais perpetraram em minha pessoa o massacre que constou de grande primeiro golpe de espada, que foi aparado no castiçal, e na mão esquerda, e do qual resultou o aleijão e ferida aberta que ainda hoje conservo, de mais cinco golpes ou cutiladas, maiores e menores na cabeça, que se me deram enquanto as luzes não se apagaram, além de dez ou doze contusões violentas no pescoço e corpo, de que resultou o aleijão do dedo índice da mão direita; e isto além da ruptura que me sobreveio com os esforços que eu fiz quando na minha fugida dos assassinos, passei a vala que divide a minha chácara da do Padre Serafim dos Anjos, para cuja casa eu me refugiei com o auxílio da escuridão". Varnhagen escreve que May se salvou "pela presença de espírito de uma preta", que apagou a luz, permitindo que ele fugisse precipitadamente para a chácara do padre vizinho. Um dos presentes, um padre, se escondeu embaixo de uma mesa.
Sem importância
O Diário do Governo publicou vários artigos atacando A Malagueta, sem mencionar a agressão ao seu redator durante vários dias. Quando o fez, um artigo assinado por Observador justificou o espancamento dizendo que era "muito e muito natural que um tal escritor provocasse a cólera de imensos indivíduos menos fleumáticos do que eu". José Bonifácio foi apontado no Rio pela população e pela imprensa como suspeito de ter sido o mandante da agressão. Gondim da Fonseca acredita que, sem dúvida, foram os Andradas. O Correio do Rio de Janeiro escreveu uma quadrilha:
"Chamam servis os Andradas,
é calúnia, é falso, é peta.
São liberais a ‘matar’,
e que o diga o Malagueta".
No ano seguinte, num panfleto foi publicada esta quadra:
"Caro Malagueta meu,
o mundo pasmado está
do pouco se vos dá
do muito que se vos deu".
No entanto, é provável que a ordem para o espancamento tivesse partido de d. Pedro. Um dos agressores deixou cair uma carta procedente da Bahia que o identificou como uma pessoa de "alto cargo", que teria sido Pedro Dias Pais Leme, futuro marquês de Quixeramobim. May disse que a ordem para a agressão não foi dada pelos Andradas, mas nunca quis revelar, por medo ou conveniência, quem a teria dado. Numa carta escrita do exílio, José Bonifacio disse do imperador que "quando o doido do May escreveu contra ele, prorrompeu na atrocidade que todos sabem". Devido aos ferimentos recebidos, o Malagueta foi aposentado, porém "com exercício" da função, o que levou o visconde de Cairu a escrever que "levar pancadas e pedir indenizações assaz lucrativas!!! Não é mau negócio, assim ele dure muitos anos!!!" May continuou mandando cartas ao imperador pedindo favores, mesmo desconfiando, ou tendo certeza, de sua participação no atentado.
Em agosto de 1829, May foi espancado de novo, quando saía da Câmara. Recebeu várias pancadas na cabeça com um pau com pregos na ponta e ficou seriamente ferido. Novamente, é provável que o mandante fosse o imperador. O jornalista tinha escrito um artigo, "A fita e as devisas (sic)", por ocasião do segundo casamento de d. Pedro, numa referência à preferência da nova imperatriz, Amélia Eugênia, pela cor rosa, que ficou na moda na corte. Em sua homenagem, o imperador criou a Ordem da Rosa e a corte lhe ofereceu um baile em que todas as damas usaram vestidos dessa cor.
A respeito desse segundo o atentado, o Jornal do Commercio escreveu: "A soltura de linguagem do redator da Malagueta, que nas suas cáusticas jeremíadas nem as cinzas dos mortos respeitava, tornasse como infalível uma tal catástrofe, contudo um atentado destes é para lastimar, pois a vida do Cidadão e do Deputado deve ser respeitada, quando se trata de reprimir a ousadia do jornalista. Assaz castigado se acha o redator da Malagueta pelo descrédito em que caiu na opinião pública". Com essa agressão terminou uma das etapas da Malagueta.
May, que tinha sido eleito deputado, não conseguiu a reeleição. Tentou aproximar-se de Feijó, durante a Regência. No ocaso, escreveu ao regente que, no tempo de Pedro I, "se então era odiado, ao menos não era eu desprezado; hoje vou à casa de V. Excia. (pela terceira vez) e seus lacaios correm com a gente; ora, isto é duro". O Malagueta tinha perdido a importância que conseguira com A Malagueta.
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sexta-feira, 25 de março de 2011
Extinção do jornalismo como uma profissão - blog do nassif
Enviado por luisnassif, qui, 24/03/2011 - 19:22
Autor: http://bit.ly/gLiuT4
Por Adir Tavares
Tradução do Google.
Dois bits de informação me chamou a atenção esta semana. A primeira foi publicada pela AFP e remetido à chamada união forte de 26 mil trabalhadores da imprensa dos EUA, O Sindicato dos Jornalistas, em contribuintes para o Huffington Post a parar de oferecer conteúdo gratuito para o site (!).
"Assim como gostaríamos de pedir que os escritores firmes e não cruzar uma linha de piquete física, pedimos que honram este piquete eletrônico", a guilda disse em um comunicado.
"Nós sentimos que é antiético esperar profissionais treinados e qualificados para contribuir com conteúdo de qualidade para nada", disse a guilda. "Trabalhar de graça não é beneficiar os trabalhadores e prejudica um jornalismo de qualidade".
Uau. Eles devem realmente começar a sentir como os dinossauros, revertendo a medidas desesperadas para defender seu território jornalístico. Para quem não ouviu falar sobre o Huffington Post , é uma coleção de blogs gratuitamente, em uma variedade de tópicos, que atraem um grande público em todo o mundo o que permite a monetização do conteúdo com publicidade on-line - isso funciona no mesmo princípio básico como qualquer jornal, mas em um ambiente online. Recentemente, foi adquirida pela AOL por US $ 315 milhões.
Não me interpretem mal. Eu realmente sinto para as pessoas que podem ter sido envolvido na indústria por muitos anos e agora enfrentam rápidas mudanças no ambiente em que eles não sabem como adaptar. O modelo de negócio dos seus patrões estão em execução está sob a ameaça extrema e isso pode significar muitos terão que deixar a indústria e procurar outro trabalho. Triste, mas na verdade esse é o preço do progresso e do que aconteceu a muitas profissões no passado.
Esta notícia passou relativamente despercebida, mas destaca a atitude que a indústria de mídia, como um todo, tem em relação aos outros participantes na mídia / área editorial: dividindo-as em "verdadeiros jornalistas" e os impostores. E, novamente, demonstrando uma incapacidade de compreender que as mudanças são o resultado da globalização e mudanças estruturais subjacentes - o que resulta em redução na rentabilidade e níveis de receita em comparação com o passado.
O jornalismo está se tornando um pouco de uma mercadoria - a palavra não descreve uma ocupação, mas sim uma atividade que qualquer pessoa pode fazer em um tempo de reposição. (Qualquer um que tenha uma opinião! E não necessariamente esperar qualquer recompensa monetária para fazê-lo).
Então, o que é realmente uma definição de jornalismo? O dicionário Webster define o jornalismo como: "o trabalho de coleta, redação, edição e publicação ou divulgação de notícias, como através de jornais e revistas, ou por rádio e televisão". O American Heritage Dictionary de Inglês tem uma definição muito semelhante. Webster segue o mesmo padrão. Australiano Macquarie Dictionary não é diferente ... Mas Dicionário Inglês Collins coloca uma perspectiva mais ampla, um pouco sobre o termo: "1. (Comunicação Artes / Jornalismo e Editoração) da profissão ou exercício da reportagem sobre, fotografar, ou as notícias em edição de um dos meios de comunicação de massa ". Isso significa que, se estender a definição de meios de comunicação social para incluir a internet , o jornalismo pode se relacionar a publicação online também.
E essa visão mais ampla do jornalismo está ganhando o reconhecimento ao mais alto nível, pelo menos na Austrália, o que me leva à segunda notícia de significância. Conforme relatado por Mumbrella , A Casa dos Representantes leis apoiado a assegurar que qualquer pessoa envolvida na produção de notícias - independentemente do local onde trabalho - pode procurar uma fonte para evitar ser identificado. Em outras palavras, "leis de proteção" dará blogueiros e tweeters dos mesmos direitos que jornalistas profissionais para proteger suas fontes. E o mais importante, a notícia foi bem recebida por jornalistas, o sindicato, os Media, Entertainment & Arts Alliance, como "inovador". Podemos ser "para baixo", mas no topo em termos de pensamento progressista. É uma indicação de que a indústria local parece ser muito melhor em sintonia com o meio ambiente emergentes do que seus colegas no exterior. Também suscita alguma esperança de que o sector da comunicação social local tem uma boa chance de se adaptar às novas condições do mercado e encontrar um modelo de negócio rentável para assegurar o seu futuro a longo prazo. É verdade, com a recente aquisição de Alojamento portais reserva Fairfax pode ter exagerou um pouco na sua busca de diversificação para serviços transacionais ( isto . o que faz reserva de alojamento tem a ver com jornalismo?), mas pelo menos eles estão tentando ativamente idéias diferentes para encontrar o modelo certo para um negócio de mídia sustentável
Autor: http://bit.ly/gLiuT4
Por Adir Tavares
Tradução do Google.
Dois bits de informação me chamou a atenção esta semana. A primeira foi publicada pela AFP e remetido à chamada união forte de 26 mil trabalhadores da imprensa dos EUA, O Sindicato dos Jornalistas, em contribuintes para o Huffington Post a parar de oferecer conteúdo gratuito para o site (!).
"Assim como gostaríamos de pedir que os escritores firmes e não cruzar uma linha de piquete física, pedimos que honram este piquete eletrônico", a guilda disse em um comunicado.
"Nós sentimos que é antiético esperar profissionais treinados e qualificados para contribuir com conteúdo de qualidade para nada", disse a guilda. "Trabalhar de graça não é beneficiar os trabalhadores e prejudica um jornalismo de qualidade".
Uau. Eles devem realmente começar a sentir como os dinossauros, revertendo a medidas desesperadas para defender seu território jornalístico. Para quem não ouviu falar sobre o Huffington Post , é uma coleção de blogs gratuitamente, em uma variedade de tópicos, que atraem um grande público em todo o mundo o que permite a monetização do conteúdo com publicidade on-line - isso funciona no mesmo princípio básico como qualquer jornal, mas em um ambiente online. Recentemente, foi adquirida pela AOL por US $ 315 milhões.
Não me interpretem mal. Eu realmente sinto para as pessoas que podem ter sido envolvido na indústria por muitos anos e agora enfrentam rápidas mudanças no ambiente em que eles não sabem como adaptar. O modelo de negócio dos seus patrões estão em execução está sob a ameaça extrema e isso pode significar muitos terão que deixar a indústria e procurar outro trabalho. Triste, mas na verdade esse é o preço do progresso e do que aconteceu a muitas profissões no passado.
Esta notícia passou relativamente despercebida, mas destaca a atitude que a indústria de mídia, como um todo, tem em relação aos outros participantes na mídia / área editorial: dividindo-as em "verdadeiros jornalistas" e os impostores. E, novamente, demonstrando uma incapacidade de compreender que as mudanças são o resultado da globalização e mudanças estruturais subjacentes - o que resulta em redução na rentabilidade e níveis de receita em comparação com o passado.
O jornalismo está se tornando um pouco de uma mercadoria - a palavra não descreve uma ocupação, mas sim uma atividade que qualquer pessoa pode fazer em um tempo de reposição. (Qualquer um que tenha uma opinião! E não necessariamente esperar qualquer recompensa monetária para fazê-lo).
Então, o que é realmente uma definição de jornalismo? O dicionário Webster define o jornalismo como: "o trabalho de coleta, redação, edição e publicação ou divulgação de notícias, como através de jornais e revistas, ou por rádio e televisão". O American Heritage Dictionary de Inglês tem uma definição muito semelhante. Webster segue o mesmo padrão. Australiano Macquarie Dictionary não é diferente ... Mas Dicionário Inglês Collins coloca uma perspectiva mais ampla, um pouco sobre o termo: "1. (Comunicação Artes / Jornalismo e Editoração) da profissão ou exercício da reportagem sobre, fotografar, ou as notícias em edição de um dos meios de comunicação de massa ". Isso significa que, se estender a definição de meios de comunicação social para incluir a internet , o jornalismo pode se relacionar a publicação online também.
E essa visão mais ampla do jornalismo está ganhando o reconhecimento ao mais alto nível, pelo menos na Austrália, o que me leva à segunda notícia de significância. Conforme relatado por Mumbrella , A Casa dos Representantes leis apoiado a assegurar que qualquer pessoa envolvida na produção de notícias - independentemente do local onde trabalho - pode procurar uma fonte para evitar ser identificado. Em outras palavras, "leis de proteção" dará blogueiros e tweeters dos mesmos direitos que jornalistas profissionais para proteger suas fontes. E o mais importante, a notícia foi bem recebida por jornalistas, o sindicato, os Media, Entertainment & Arts Alliance, como "inovador". Podemos ser "para baixo", mas no topo em termos de pensamento progressista. É uma indicação de que a indústria local parece ser muito melhor em sintonia com o meio ambiente emergentes do que seus colegas no exterior. Também suscita alguma esperança de que o sector da comunicação social local tem uma boa chance de se adaptar às novas condições do mercado e encontrar um modelo de negócio rentável para assegurar o seu futuro a longo prazo. É verdade, com a recente aquisição de Alojamento portais reserva Fairfax pode ter exagerou um pouco na sua busca de diversificação para serviços transacionais ( isto . o que faz reserva de alojamento tem a ver com jornalismo?), mas pelo menos eles estão tentando ativamente idéias diferentes para encontrar o modelo certo para um negócio de mídia sustentável
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quarta-feira, 23 de março de 2011
mídia e poder - "A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular."
."prof. Andrew Oitke, catedrático de Antropologia em Harvard
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