domingo, 22 de agosto de 2010

Em clima religioso, Lula volta a comparar Dilma a Mandela e Obama

Claudio Leal
Direto de Mauá
O jingle de campanha dispara: "deixo em suas mãos o meu povo e tudo que mais amei". E todos no palco, da primeira-dama Marisa Letícia à candidata petista ao Senado, Marta Suplicy, fecham os olhos e dão os braços como numa missa. Foi nesse tom que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a comparar, durante comício em Mauá, no Grande ABC, na manhã deste sábado (21), sua escolhida, a ex-ministra Dilma Rousseff, ao ex-presidente sul-africano Nelson Mandela e ao presidente americano Barack Obama, dizendo ainda que candidata "vai contar com Deus para governar".

Citando Dilma, Lula comparou a mobilização das mulheres no Brasil para assumir cargos políticos com a luta dos negros na África do Sul para acabar com o apartheid. "Elegeram Mandela e nunca mais a minoria vai mandar na maioria". Logo depois, Lula lembrou a história de Obama, o primeiro negro a chegar a presidência nos Estados Unidos.

Durante o discurso, o principal cabo eleitoral de Dilma criticou o preconceito contra o voto em uma mulher para presidente. "Se eu não tivesse a Marisa e tivesse um filho, eu entregaria a essa companheira para cuidar", disse Lula, levantando a mão de Dilma.

Lula voltou a ofuscar o discurso de sua escolhida e interagiu bastante com a plateia. "Você não pode. Você não tem o direito (de errar). Vai ter a ajuda de Deus. Você vai ser a maior presidenta que esse País já teve", sacramentou.

o presidente aproveitou ainda para refutar a imagem de durona da ex-ministra. "Conheço bem essa companheira. Pode ser um homem de um 1,90 m, negrão ou brancão, é não baixar a cabeça. Ela diz: fale baixo que eu vou falar baixo. Não fique de salto alto com a pesquisa de hoje", aconselhou.

Antes do presidente da República, a candidata se referiu ao resultado da pesquisa Datafolha que lhe dá 17 pontos à frente de José Serra. "Eleição a gente não ganha com pesquisa. Eleição a gente ganha respeitando o voto do povo brasileiro... de hoje ao dia 3 (de outubro) vamos disputar cada voto". Para completar a atmosfera messiânica, Dilma garantiu que a despedida de Lula do Planalto vai ser "um dia muito triste para todos nós

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