Foram todos pegos de surpresa mas a reação pareceu ensaiada. No dia seguinte ao anúncio da parceria Marinho/Frias (5/10/99), os jornais comportaram-se como se estivessem combinados. Os dois parceiros registraram-na com igual discrição na primeira página e os demais em páginas internas. Exatamente nos mesmos termos – houve release? – como se fosse a coisa mais natural do mundo.
No final de semana a reação dos semanários foi igualmente álgida, curados dos surtos de dramatização. Inclusive na Veja, da Abril, que, no caso, ficou como marido (ou mulher) enganada.
Não fosse a participação de Luís Fernando Levy no Observatório da Imprensa na TV (5/10/99), parecia que a inesperada parceria entre os arquirivais não tinha a intenção de destruir a Gazeta Mercantil [veja o compacto no programa na página principal desta edição, na estação Observatório na TV].
Quinze dias depois, o pacto de silêncio permanece intacto. Seja nos recantos opinionísticos das nossas folhas ou nas tribunas do Congresso. Como se nada tivesse acontecido. Como se a verve e o senso crítico tivessem subitamente evaporado. Como se o processo mediático-político não tivesse recebido um golpe.
A exceção coube à Ombudsman da Folha, Renata Lo Prete, por meio de uma peça serena e vigilante. Plena de bravura, conhecendo-se as suscetibilidades da casa [veja texto abaixo].
Outra exceção, esta caricata, de autoria do marqueteiro de plantão no Jornal do Brasil (9/10/99): num patuá semi-compreensível, a exemplar demonstração do espírito acrítico que domina alguns empresários do ramo.
O pacto de silêncio não é casual. É prova de uma compactuação mais ampla. Comprovação do clima de conspiração e intimidação que doravante vai envolver os movimentos empresariais da imprensa brasileira. Fusões e incorporações em qualquer área podem ser apregoadas, debatidas e contestadas. Menos na mídia.
Os donos da verdade não querem transparência e muito menos controvérsia. Nesta área, justamente a da informação em benefício do interesse público, vai imperar o segredo
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